Restauração aprova teste Covid-19 à entrada: “Medidas que permitam trabalhar mais são sempre positivas”

Os restaurantes ouvidos pelo ECO concordam com a exigência de teste à Covid-19 à entrada, se isso permitir fechar depois das 15h30 aos fins de semana nos concelhos de risco muito elevado.

Os restaurantes contactados pelo ECO dizem ver com bons olhos a introdução de testes à Covid-19 à entrada dos estabelecimentos, se isso os permitir operar com menos restrições. Nos concelhos de maior risco, onde os horários são mais limitados, a medida poderia representar um balão de oxigénio para o negócio, numa altura que o setor continua a ser fortemente castigado pela pandemia.

O Observador avançou que o Governo está a estudar a introdução de testes à Covid-19 para o acesso a restaurantes. De acordo com o jornal, a intenção é a de que, nos concelhos de risco muito elevado, estes estabelecimentos possam continuar abertos para lá das 15h30, servindo os clientes que aceitem submeter-se ao despiste do coronavírus, ou que, presumivelmente, já tenham anticorpos naturais ou derivados da vacina.

O concelho de Albufeira é um dos que está sujeito a medidas mais apertadas há já duas semanas. Aos sábados e domingos, o comércio tem de encerrar portas depois do almoço, incluindo os restaurantes. E também existem limitações nas lotações, tanto para o interior como para as esplanadas.

O proprietário do restaurante Louro & Salsa, localizado precisamente em Albufeira, concorda com a introdução de testes para entrar nos restaurantes e explica ao ECO que “todas as medidas que permitam a restauração trabalhar mais são sempre positivas. Apesar de concordar com a possibilidade que estará em cima da mesa, João Soares alerta que pode ser “uma medida discriminatória”, mas ainda assim afirma que a “lei é que manda”.

O Louro & Salsa tem fechado às 15h30 aos fins de semana e às 22h30 durante a semana. O proprietário alerta que, para além desta restrição, que não é benéfica para o setor, há outro problema: a falta de turistas, que não está a permitir ao trabalhar a todo gás. “No Algarve, estamos a sofrer bastante, porque vivemos de turismo e alguns negócios já fecharam portas”, avisa o empresário.

Em Lisboa, a restauração também tem que fechar portas aos fins de semana pouco depois da hora de almoço. O proprietário do Restaurante Belmiro diz ao ECO que a possibilidade avançada na imprensa é uma “excelente ideia” e só o facto de estarem abertos durante o dia todo de sábado “seria fantástico”, defende Belmiro Jesus.

Apesar de concordar totalmente com a ideia, alerta que a medida “vai provocar desconforto nos clientes”. O proprietário do Restaurante Belmiro justifica que as pessoas vão ao restaurante para almoçar ou jantar descansadas e vão ter que fazer mais um teste. No entanto, destaca que “é a única alternativa” para o setor continuar a abrir o dia todo ao fim de semana.

Numa altura em que o Porto já recuou para uma fase intermédia do desconfinamento e corre o risco de enfrentar as restrições mais apertadas, o proprietário e chefe da Churrasqueira Portuguesa da Maia Steakhouse também concorda “a 100%” com esta possibilidade. “É preciso fazer alguma coisa para continuarmos a trabalhar. É melhor isso do que ter que fechar às 15h30 ao fim de semana”, destaca António Sequeira.

O proprietário e chefe da Churrasqueira Portuguesa da Maia Steakhouse diz que, com esta testagem em massa, as “pessoas vão sentir-se mais seguras ao entrar num restaurante”. Para além da Steakhouse da Maia, Antonio Sequeira é proprietário da Churrasqueira Portuguesa no Porto, Penafiel e Matosinhos.

A aprovação não é unânime. O chefe Vasco Santos, do restaurante Euskalduna, considera que a medida “não faz muito sentido”, mas ressalva que prefere assim do que ter que encerrar mais cedo. “Se esta for uma medida que possibilite as pessoas de ficarem até mais tarde nos restaurantes aos fins de semana e feriados, apesar de considerar que não faz muito sentido, prefiro isso a ter que encerrar mais cedo”, destaca o chefe portuense.

O chefe Vasco Santos tem dúvidas de como vão ser feitos os testes. “Vamos nós pôr o cotonete [zaragatoa] no nariz dos clientes? Não faz sentido nenhum”, destaca. Além do mais, mostra-se apreensivo com a forma como as pessoas poderão reagir. “Vai existir o cliente que vai achar muito estranho e vai optar por não ir aos restaurantes, e depois vai existir o cliente que até se vai sentir mais seguro e que não se importa”.

A medida ainda não está fechada, nem é oficial. Segundo o Observador, para já, certo é que não se irá aplicar aos almoços durante a semana. A intenção é que os restaurantes localizados em concelhos de risco muito elevado não sejam obrigados a fechar às 15h30 nos fins de semana e possam ficar abertos até mais tarde, desde que os clientes apresentem um teste negativo à Covid-19.

Todos os proprietários ouvidos pelo ECO dizem que os testes à Covid-19 devem ser comparticipados pelo Governo. “Seria justos os testes serem comparticipados pelo Governo ou pelas autarquias. Não deve recair sobre as empresas, porque já temos muitos custos e pouca faturação. Se o custo recair sobre as pessoas, também será complicado. Se as pessoas vão gastar dinheiro num teste, já não vão gastar nos restaurantes”, afirma o proprietário do Louro & Salsa.

O chefe Vasco Santos diz, por sua vez, que as autarquias deviam ajudar na comparticipação dos testes, tendo em conta que “nada fizeram, até agora, para apoiar o setor”, acusa. Já o proprietário do Restaurante Belmiro defende que os testes deveriam ser comparticipados pelo Governo, até porque afirma que “até agora não teve qualquer apoio do Executivo”. “É uma obrigação do Estado pagar estes encargos”, afirma.

O ECO contactou também a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), mas não obteve resposta até ao fecho deste artigo.

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