Face às “perturbações” no fim de semana, restauração pede “tempo” e medidas “exequíveis”

Ir a um restaurante nos concelhos de risco só mediante apresentação do certificado. Empresários lamentam não ter tido tempo para se preparar e só quem tem esplanada se "salvou".

O Governo impôs novas regras para as idas aos restaurantes nos concelhos de maior risco, permitindo a entrada de clientes no interior apenas com a apresentação de certificado digital. O anúncio foi feito na quinta-feira e as medidas entraram em vigor no sábado, o que não deu tempo para os empresários se prepararem, defende ao ECO a secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP). O setor pede, assim, medidas “mais claras” e “exequíveis”, para evitar fins de semana com poucos ou nenhuns clientes, sobretudo no interior.

“Medidas desta natureza com um impacto grande na operação precisam de tempo, adaptação e clarificação“, começa por dizer Ana Jacinto, referindo que “muitos clientes nem sabiam” destas medidas, o que gerou “muita confusão e perturbação” no fim de semana.

“Os estabelecimentos funcionaram praticamente com as esplanadas. Dentro dos espaços poucos ou nenhuns clientes houve e quem não tem esplanada praticamente não teve clientes. O impacto foi muito grande porque as dúvidas eram muitas, foi tudo muito repentino e não permitiu aos operadores prepararem-se adequadamente”, continua a responsável, referindo que os efeitos “foram notórios”.

“Houve uma grande dificuldade em ter clientes no interior, porque muitos não vinham munidos com o certificado digital e os estabelecimentos nem tinham tido tempo de comprar autotestes. Houve da parte dos clientes muito desconhecimento e muitos não queriam fazer o teste, tendo havido até algumas reclamações”, detalha.

A secretária-geral da AHRESP diz, assim, que se estas medidas permitem trabalhar, então são bem-vindas, “mas de forma exequível”. “É absolutamente crucial que sejam claras”. Além disso, afirma que “se estas medidas são fundamentais, então não há qualquer razão para certas atividades continuarem encerradas, sem saber quando podem abrir“, referindo-se aos bares e discotecas, algo que a AHRESP tem vindo a alertar há mais de um ano.

Mais uma vez, Ana Jacinto alerta para a necessidade de haver mais apoios para este setor. “Não nos vamos cansar de salientar que estas medidas têm de vir com apoios económicos. Tudo tem impacto na atividade, em termos de custos, diretos ou indiretos”, diz. “As empresas estão completamente sem tesouraria, muito desgastadas e praticamente sem apoios. Obviamente que depois de tudo isto merecem ser compensadas”.

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