Auditoria conclui que reestruturação da dívida de Vieira foi a melhor opção

  • ECO
  • 26 Julho 2021

A criação de um fundo, com ativos da Promovalor, terá sido a solução menos desfavorável para o Novo Banco, conclui a BDO. Auditoria externa deixa de fora a venda polémica do crédito da Imosteps.

A reestruturação da dívida de Luís Filipe Vieira, decidida pelo Novo Banco em 2017, foi a solução menos desfavorável para os interesses da instituição, avança o Observador (acesso condicionado) e confirmado também pelo ECO. A conclusão é a da auditoria externa da BDO, pedida pelo Fundo de Resolução, e que já está nas mãos dos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do Novo Banco.

O documento, que avalia a reestruturação da dívida da Promovalor (grupo ligado a Vieira), analisa alguns cenários: a execução das garantias dadas pelo ex-presidente do Benfica, o pedido de insolvência da Promovalor ou a transferência dos ativos para um fundo. Quer a execução de garantias, quer o pedido de insolvência permitiria ao Novo Banco recuperar cerca de 150 milhões de euros, mas ambos os cenários tinham “um risco significativo de desvalorização dos ativos”.

No sumário executivo da auditoria, a que o ECO teve acesso, é referido que “uma opção de reestruturação de dívida conforme anteriormente realizado, envolvendo a extensão do prazo de pagamento e a redução de taxas e comissões acarretaria riscos significativos e superiores à opção de reestruturação FIAE“. A BDO acaba assim por validar a decisão do Novo Banco, quando em 2017 preferiu a criação de um fundo de investimento especial, gerido hoje pela C2 Capital Partners, para onde foram transferidos os ativos da Promovalor.

Ainda assim, na auditoria entregue no Parlamento, a BDO os riscos associados à operação realizada. “A opção Reestruturação FIAE é também considerada por nós a opção que demonstra maior potencial de recuperação dos créditos, permite reforço de garantias relevante e coloca o Novo Banco no controlo de gestão”.

Quais são as fragilidades? “Opção por uma entidade gestora c om relações com o devedor, o que acarreta impactos reputacionais negativos”, “assunção de responsabilidades potenciais” e “plano de negócios de referência com debilidades ao nível da sustentação das projeções”, entre outros pontos.

A auditoria deixa de fora, no entanto, a venda do crédito da Imosteps com um desconto a um fundo, que depois foi comprado pelo “Rei dos frangos”, José António Santos, sócio de Vieira e acionista do Benfica. Foi esta operação que esteve no centro da investigação do Ministério Público, que levou à detenção de Vieira e de José António Santos, dono da Valouro.

 

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