Sonae vende 24,99% da dona do Continente por 528 milhões de euros a fundo de “private equity”

Quase três anos depois de falhar OPV, a Sonae decidiu agora vender diretamente 24,99% da Sonae MC. Negócio com fundo de "private equity" avalia empresa em até 2,4 mil milhões de euros.

A Sonae SON 1,62% chegou a um acordo com a CVC Strategic Opportunities para a venda de uma posição minoritária de 24,99% na Sonae MC, a subsidiária que gere as insígnias de retalho da Sonae, incluindo o Continente, Continente Modelo, MeuSuper, Wells e outras marcas. O negócio foi anunciado este sábado num comunicado e deverá ser concluído em agosto.

O acordo prevê o pagamento pela CVC de 528 milhões de euros à Sonae por esta posição, operação que avalia a Sonae MC em até 2,4 mil milhões de euros, com um enterprise value superior a quatro mil milhões. Está ainda previsto “um pagamento contingente diferido de até 63 milhões de euros”. A informação também foi comunicada aos mercados via CMVM.

A alienação de uma posição na Sonae MC acontece depois de a Sonae ter lançado e falhado uma oferta pública de venda de ações que resultaria na dispersão de 21% do capital da empresa. A 11 de outubro de 2018, uma semana depois de o prospeto ter sido aprovado pela CMVM, a Sonae anunciou a desistência, justificando-se com “condições adversas nos mercados internacionais”. A maior “fatia” destinava-se a investidores institucionais.

Quase três anos depois, a Sonae segue outra rota: vende um pouco mais de ações face ao que tinha previsto na OPV, mas diretamente a um investidor de private equity. O ramo de Strategic Opportunities da CVC foi lançado em 2014 para investir em “negócios de alta qualidade” e já aplicou quatro mil milhões de euros em 11 investimentos, segundo números do próprio fundo.

A Sonae continua a ter uma posição de controlo na Sonae MC, mas estabelece, deste modo, uma “parceria estratégica” com um “investidor mundial de referência que partilha da mesma visão para a Sonae MC e apoia o seu plano de crescimento”. Segundo a Sonae, a CVC Strategic Opportunities, com origens no Luxemburgo, “está a investir na Sonae MC com um horizonte de investimento de longo prazo”.

“A CVC irá trazer a sua vasta experiência no setor do retalho, bem como o seu longo historial de apoio a iniciativas de crescimento orgânico e inorgânico, apoiando a Sonae MC na execução da sua estratégia”, lê-se no comunicado.

O portefólio da Sonae MC é extenso: além do Continente, detém insígnias como Continente Modelo, Continente Bom Dia, MeuSuper, Wells, Dr.Wells, Arenal, Go Natural, BAGGA, Note, Zu, Maxmat, HomeStory e Washy. A estas juntam-se ainda uma série de marcas do segmento de grande consumo: Fácil & Bom, Continente Seleção, Gutbier, Kasa, MakeNotes, MyLabel, Seguros Continente, Skinerie, Yämmi e Yes!Diet.

A Sonae MC tem ainda perto de mil lojas, que opera diretamente. Nos últimos 12 meses, gerou um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) subjacente de 527 milhões de euros e receitas de 5,2 mil milhões de euros.

A Sonae MC detém insígnias como o Continente, bem como uma série de outras marcas. INÁCIO ROSA/LUSA

Venda “fortalecerá ainda mais a Sonae MC”

Citada num comunicado, Cláudia Azevedo, presidente executiva da Sonae, mostra-se entusiasmada com esta parceria: “Acreditamos que fortalecerá ainda mais a Sonae MC e a sua estratégia de crescimento. Esta parceria com um dos investidores institucionais mais bem-sucedidos do mundo valida o sólido histórico de desempenho da Sonae MC e da sua equipa, especialmente após os desafios colocados pela pandemia. Na Sonae, estamos muito orgulhosos da jornada da Sonae MC e entusiasmados com a oportunidade de continuar a apoiar o seu crescimento.”

"Acreditamos que [esta operação] fortalecerá ainda mais a Sonae MC e a sua estratégia de crescimento.”

Cláudia Azevedo

Presidente executiva da Sonae

Por sua vez, Jan Reinier Voûte, co-head da CVC Strategic Opportunities, afirma que é um “prazer” investir na Sonae MC como “principal retalhista alimentar em Portugal e de estabelecer uma parceria com a Sonae SGPS e a família Azevedo”. “Sob a Liderança de Luís Moutinho, o Continente desenvolveu ofertas de excelência para todas as famílias portuguesas e estabeleceu uma forte fidelização e envolvimento dos clientes, tanto nas lojas como online. Estamos ansiosos para trazer a experiência da CVC para alimentar o seu crescimento a longo prazo e sucesso contínuo”, acrescenta.

Num plano mais financeiro, a venda é protagonizada pela Camoens Investments, uma entidade detida indiretamente por fundos geridos pela CVC Advisers Company. A operação “não está sujeita a quaisquer condições prévias”, nem deverá gerar “qualquer mais ou menos valia para a Sonae”.

Nesta operação, a Sonae foi assessorada pelo Goldman Sachs International como consultor financeiro exclusivo e pelo escritório de advogados Morais Leitão.

Na sexta-feira, a Sonae valorizou 0,97% na bolsa. Os títulos da holding trocaram de mãos pela última vez na sessão a 83,25 cêntimos. O grupo assumia uma capitalização bolsista de 1,665 mil milhões de euros, de acordo com informações da Euronext.

(Notícia atualizada pela última vez às 11h13)

Cotação da Sonae na bolsa de Lisboa:

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