Portugueses menos céticos do que europeus sobre capacidade do Governo para usar fundos do PRR

A grande maioria acredita na capacidade do Governo para usar os fundos de forma adequada, mostra o Eurobarómetro. Combate às alterações climáticas é a principal prioridade dos portugueses.

Os portugueses depositam grande expectativa no pacote de fundos de 800 mil milhões de euros aprovado pela União Europeia para reagir à pandemia e à crise por ela provocada. Para 75% dos inquiridos os projetos financiados pelo NextGenerationEU vão ajudar o país a superar os danos económicos e sociais provocados pela covid-19. Uma percentagem que supera a do conjunto dos europeus (60%). A grande maioria confia também na capacidade do Governo para gerir o dinheiro, revela o Eurobarómetro divulgado esta quinta-feira pelo Parlamento Europeu.

Pouco mais de dois terços dos inquiridos (36%) têm dúvidas sobre a capacidade do Executivo para utilizar os fundos de forma adequada, uma percentagem que fica abaixo dos 41% do total dos europeus. A maioria (53%) diz mesmo que confia na gestão da equipa de António Costa. Ainda assim, os portugueses estão entre aqueles que mais sublinham a necessidade de um controlo eficaz dos fundos: 70% concorda totalmente com esta afirmação, contra 53% dos europeus.

O respeito pelo Estado de direito como condição para a disponibilização de fundos da UE, que tem sido defendida pelo Parlamento Europeu, encontra um consenso muito alargado junto dos cidadãos. Para 81% dos inquiridos, só países que respeitam o estado de direito e princípios democráticos devem receber fundos de recuperação. Em Portugal a percentagem é ainda mais elevada: 91%. Segundo o comunicado, “os resultados do inquérito revelam um nível uniformemente elevado de apoio a esta posição em todos os Estados-Membros da UE, com poucas variações”.

Alterações climáticas são a principal prioridade

Questionados sobre se presentemente as coisas estão a evoluir na direção certa ou errada no seu país, 45% dos portugueses consideram que estão na direção certa, contra 21% que acham que o rumo é o errado. Na média da UE, “vence” a resposta “direção errada” com 48%.

Quando a pergunta é sobre a União Europeia, 51% dos portugueses diz que vai na direção certa, contra 24% na média do inquérito. São mais os que consideram que vai no rumo errado (37%).

A luta contra as alterações climáticas é a questão prioritária que mais portugueses elegem (50%), acima da média da UE (43%). Só depois vêm as medidas de luta contra a pobreza e exclusão social (46%) e as medidas de apoio à economia e à criação de emprego (43%).

Vacinação é um dever cívico? Portugueses são os que mais concordam

O Eurobarómetro questionou também os europeus sobre a vacinação contra a covid-19, com os portugueses a aplaudirem quer o Governo quer a União Europeia. 82% dos portugueses estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a forma como o governo português geriu a estratégia de vacinação, percentagem que sobe para 84% quando a pergunta é sobre a União Europeia. Para 89%, a UE está a desempenhar um papel fundamental para garantir o acesso às vacinas.

Portugal é o país da UE onde mais inquiridos consideram que todos devem ser vacinados contra a COVID-19 e que se trata de um dever cívico: 54% concordam com afirmação e 32% tendem a concordar. É também o Estado-membro onde mais cidadãos concordam que os benefícios da vacina compensam os riscos: 87% contra 72% da média europeia.

O inquérito “Eurobarómetro Flash”, encomendado pelo Parlamento Europeu, foi conduzido pela empresa Ipsos European Public Affairs entre 17 e 25 de agosto de 2021, online, com 26.459 inquiridos, com 15 ou mais anos, em todos os 27 Estados-membros. A dimensão da amostra é composta por 500 entrevistas no Luxemburgo, Chipre e Malta e mil nos restantes países europeus.

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