Efacec sob pressão. Contas voltam ao vermelho até setembro

Última reunião do conselho de administração da Efacec foi tensa. Prejuízos operacionais de 12 milhões até setembro e gestão executiva foi questionada sobre a "continuidade da empresa".

Ângelo Ramalho luta contra o tempo… e contra os prejuízos que deixam a Efacec numa situação de pressão financeira e de tesouraria enquanto decorre o processo de reprivatização de 71,73% do capital, com um desfecho ainda imprevisível.

O gestor tenta limitar os danos das más notícias — numa entrevista ao Jornal de Negócios, esta terça-feira, remete as responsabilidades pela situação da Efacec para a banca –, mas o quadro é difícil: na última quinta-feira, realizou-se um conselho de administração tenso, por causa das estimativas para os primeiros nove meses, com um prejuízo operacional da ordem dos 12 milhões de euros, o que suscita dúvidas sobre a continuidade da empresa até à venda.

Na semana passada, o ECO revelou que a Efacec conseguiu melhorar os seus indicadores de atividade nos primeiros seis meses do ano. As encomendas e a faturação cresceram, respetivamente, 16% e 30% em termos homólogos, mas a dívida continuou a agravar-se, acima dos 180 milhões brutos.

O terceiro trimestre trouxe novas nuvens negras à empresa, que vê o processo de reprivatização a arrastar-se há mais de um ano. E foi isso que motivou as discussões do último conselho, particularmente com as exigências de informação do administrador não executivo que representa os minoritários (Grupo Mello e TMG), Rui Diniz, que se mostrou particularmente preocupado com a confirmação de um EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) negativo de 12 milhões de euros até setembro e as suas consequências no cumprimento das obrigações como os salários de outubro e meses seguintes, até à venda.

Há, alias, a convicção de que o Governo poderá conseguir fechar um acordo com um dos dois candidatos ou até com os dois — DST e Sodecia –, mas o closing da operação demorará mais alguns meses, por causa da montanha de contratos a assinar. Até lá, quem financia a operação da Efacec?

O ECO contactou diretamente por telemóvel o presidente executivo da Efacec, esta segunda-feira por volta das 13h30, e questionou-o sobre as informações do último conselho de administração, mas Ângelo Ramalho escusou-se a fazer quaisquer comentários. Já esta terça-feira, em entrevista ao Jornal de Negócios, o presidente executivo da Efacec parece querer antecipar o que aí vem. A empresa, afirmou, não tem “acesso a instrumentos financeiros que lhe permitam operar com normalidade” e com a competitividade adequada nos mercados. O gestor rejeita que a empresa tenha tido uma quebra de encomendas, explicando que “a empresa só acomoda as encomendas que tenha capacidade para entregar”.

O facto é que o desconforto de alguns membros do conselho de administração, do conselho fiscal e do próprio auditor externo, perante as perspetivas de resultados deste ano — os candidatos à compra antecipam que, incluindo contingências, o EBITDA será pelo menos da ordem dos 20 milhões de euros negativos –, levou a mudanças de processo. Agora, a gestão executiva está obrigada a partilhar informação financeira com o conselho a um ritmo semanal, para avaliação permanente das contas e respetiva tesouraria. Há a preocupação, por parte de administradores não executivos, de assegurar a transparência das contas entre a due diligence e o momento em que a empresa venha a ser vendida.

Como o ECO já revelou, a DST e a Sodecia exigem contrapartidas ao Estado para comprarem a maioria do capital da empresa, seja garantias públicas ou instrumentos de quasi-capital. Um dos concorrentes entende que a Efacec não tem condições para viver com uma dívida superior a 90 milhões de euros, quando a dívida líquida, nos primeiros seis meses, superou os 160 milhões de euros.

Na mesma entrevista, Ângelo Ramalho garante que as contas da Efacec são auditadas e recusa quaisquer comentários sobre as avaliações dos candidatos à compra: “Não comento qualquer facto noticioso que possa decorrer daquilo que as empresas candidatas opinem.” Ou seja, não desmente o conhecimento sobre as avaliações que as duas empresas fazem e dos respetivos riscos.

No último conselho, houve uma pergunta que terá ficado sem resposta: Está assegurada a continuidade da empresa até à privatização? Duas fontes conhecedoras do processo garantiram ao ECO que a resposta da gestão executiva foi inconclusiva — o que poderá explicar as declarações de Ramalho sobre as responsabilidades da banca na situação da empresa — e por isso, até por causa do processo de venda, os administradores aguardam pelas atas da reunião da passada quinta-feira para se assegurarem que ficaram registadas todas as perguntas feitas à gestão executiva da Efacec.

O Governo, recorde-se, mantém a intenção de chegar a acordo com um comprador até ao final de novembro.

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