Futuro da Groundforce terá de esperar por recurso de Casimiro

Alfredo Casimiro recorreu da insolvência da empresa. Enquanto não houver uma decisão e a sentença transitar em julgado, o plano de recuperação não pode avançar.

A administração liderada por Alfredo Casimiro, então presidente da Groundforce, apresentou um recurso da declaração de insolvência decretada a 4 de agosto pelo Juízo de Comércio do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa. Enquanto não houver uma decisão, o plano para viabilizar a empresa não poderá ser aprovado.

“Não há dúvida que uma segunda assembleia para discutir e votar o plano de recuperação, apenas poderá ser realizada quando transitar em julgado a sentença que declarou a insolvência. Nesse sentido, teremos de aguardar pelo desfecho desse processo”, afirmou Bruno Costa Pereira, administrador de insolvência, à saída do Tribunal de Monsanto, onde a assembleia de credores aprovou unanimemente a manutenção da atividade da Groundforce. A insolvência foi requerida pela TAP SGPS. Se o tribunal der razão ao recurso de Alfredo Casimiro, fica sem efeito.

Os administradores de insolvência (o outro é Pedro Pidwell) disponibilizaram-se para elaborar e apresentar o plano de recuperação, proposta que também foi aprovada. A juíza concedeu 60 dias para a tarefa, metade do prazo que pretendiam. “Contámos 120 dias porque, como tivemos oportunidade de comunicar à comissão de credores, é um plano com muitos desafios para vencer”, justificou Bruno Costa Pereira.

“Há o diálogo que tem de ser encetado com os trabalhadores, que são o cerne da atividade da Groundforce, a questão regulatória que tem de ser resolvida e o contrato com a TAP, que é o maior da empresa e vence em meados do próximo ano, que tem de ser renovado”, argumentou. Evidentemente que 60 dias poderá ser curto para a apresentação desse plano. Ainda assim não há dúvida que tentaremos fazê-lo no menor espaço de tempo possível. Se for preciso mais tempo iremos pedir uma prorrogação“, concluiu.

"Se a TAP tiver de ser uma empresa mais pequena no futuro, isso poderá levar a que a Groundforce tenha também de ser mais pequena-”

Bruno Costa Pereira

Administrador de insolvência da Groundforce

Outro imponderável com que os administradores de insolvência terão de lidar é a decisão de Bruxelas sobre o plano de reestruturação da companhia aérea, que representa cerca de 70% da faturação. “Se a TAP tiver de ser uma empresa mais pequena no futuro, isso poderá levar a que a Groundforce tenha também de ser mais pequena”, afirmou Bruno Costa Pereira.

Groundforce contrata mais 100 trabalhadores

Por ora a atividade da empresa está a recuperar bem. “Nós fomos nomeados no dia 4 de agosto. Desde aí que estamos empenhados em garantir que a empresa é viável. Felizmente nos meses de julho e agosto a empresa já registou um resultado operacional positivo, o tráfego aéreo está a crescer, por força do maior número de vacinas, e é de esperar que possa voltar ao nível pré-pandemia”, diz o administrador de insolvência.

Bruno Costa Pereira afirmou mesmo que a empresa de assistência em terra está a contratar mais 100 trabalhadores. “A atividade está a crescer e isso leva à necessidade de contarmos com mais pessoas”, justifica.

O administrador de insolvência referiu-se ainda ao negócio de venda de equipamento da Groundforce à TAP, em março, que serviu para injetar dinheiro na empresa de handling e pagar salários. Um contrato também contestado pela administração liderada por Alfredo Casimiro. “É um negócio que está sob a análise dos administradores de insolvência. Temos um escritório que representa a massa insolvente para assessorar nesse negócio. Se existirem condições para fazer com que esses equipamentos voltem à Groundforce, voltarão. A TAP faz parte da solução, como foi dito de forma expressa. No seio dessa colaboração, pondo-se esse tema, ela será suscitada e resolvida pelos administradores de insolvência”, declarou.

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