Como muda o mapa autárquico após noite de viragens históricas

O PSD recupera câmaras emblemáticas ao PS, que rouba mais bastiões da CDU, que empata com os independentes. Do Minho ao Algarve, veja a alteração das cores políticas nos municípios portugueses.

Contabilizados já todos os votos das eleições autárquicas, o PS surge destacado com um total de 149 câmaras (numa delas em coligação com o Livre e em 124 com maiorias absolutas), tendo já garantido a presidência da Associação Nacional de Municípios Portugueses. No entanto, na comparação com a última votação autárquica, os socialistas perderam o poder numa dúzia de localidades.

Em sentido contrário, o PSD contabiliza um total de 113 câmaras – 41 delas ganhas em coligação com outros partidos de direita –, mas compara com as 98 que tinha vencido em 2017, quando obteve o pior resultado autárquico de sempre, ainda com Pedro Passos Coelho na presidência. Mais do que o volume de municípios recuperados (o saldo é de 16), foi a dimensão ou simbolismo de alguns deles que fez Rui Rio cantar vitória.

Após as eleições deste domingo, é já certo que um total de 66 câmaras muda de cor política. Lisboa (Carlos Moedas), Coimbra (José Manuel Silva), Funchal (Pedro Calado) e Barcelos (Mário Constantino) trocaram do rosa para o laranja. Destaque também para Portalegre, onde a social-democrata Fermelinda Carvalho sucede a um movimento de independentes (CLIP), e para Vila Viçosa, que é retirada à CDU.

Por outro lado, o PS consegue roubar algumas câmaras ao PSD – Espinho, Valença ou Vila Real de Santo António, por exemplo –, mas o principal realce vai para as seis que até agora pertenciam à CDU. Desde logo, Loures, onde cai o antigo líder parlamentar e dirigente comunista, Bernardino Soares. Os socialistas recuperam ainda Vila do Conde a uma antiga dissidente do partido.

Desde as primeiras autárquicas em democracia, são agora 24 as câmaras que sempre se mantiveram fiéis à mesma cor política. É que este domingo houve mudanças inéditas em sete municípios: o PS conquistou três bastiões da CDU (Moita, Mora e Montemor-o-Novo) e dois do PSD (Penela e Ferreira do Zêzere); os social-democratas estreiam-se naqueles que eram dois clássicos terrenos socialistas: Cartaxo e Reguengos de Monsaraz.

Bloco encolhe e outro Chega-se à frente

A análise partidária aos ganhos e perdas vai além do PS e do PSD. Os números disponibilizados pelo Ministério da Administração Interna validam a queda comunista de 24 para 19 municípios, isto depois de há quatro anos já terem perdido nove. A coligação com Os Verdes recuperou apenas Barrancos e Viana do Alentejo e controla agora o mesmo número de municípios que os chamados grupos de cidadãos, que tiveram um reforço de duas câmaras. Foi o caso da Figueira da Foz, pela mão de Pedro Santana Lopes.

O CDS-PP mantém as seis autarquias em que já governava sozinho (agora todas com maioria absoluta), enquanto o Bloco desaparece ainda mais do mapa autárquico: encolhe de 12 para quatro vereadores e a única boa notícia é a eleição do primeiro no Porto, que foi decisivo para retirar a maioria absoluta a Rui Moreira.

Apesar do crescente protagonismo e do crescimento parlamentar, o PAN não conquista nenhuma vereação, repetindo o fraco resultado de 2017. E na estreia em eleições autárquicas, outros dois partidos com assento na Assembleia da República tiveram comportamentos distintos: a Iniciativa Liberal não elege vereadores, enquanto o Chega consegue 19, sobretudo na região de Lisboa.

Finalmente, quer em percentagem, quer em número absoluto, nas autárquicas de 2021 caíram os votos brancos e os votos nulos, face há quatro anos. Os dados oficiais apontam para 2,51% de boletins que ficaram por preencher e 1,58% que foram considerados inutilizados.

Em termos de abstenção, registou-se o segundo valor mais elevado em eleições locais, com 46,35% dos eleitores a falharem a deslocação às urnas. Um número que é apenas ultrapassado pelos valores de 2013 (47,4%), segundo os dados do Ministério da Administração Interna.

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