Surpresa na noite eleitoral. Carlos Moedas ganhou Lisboa

Primeiras projeções apontavam para empate técnico entre Medina e Moedas. Socialista acabou por assumir derrota. "Ganhamos contra tudo e todos", salienta ex-comissário europeu.

Carlos Moeda ganhou a corrida à Câmara de Lisboa. O candidato da coligação “Novos Tempos” conseguiu garantir o lugar de autarca lisboeta, tendo Fernando Medina ficado em segundo lugar. As sondagens feitas durante a campanha davam a vitória a este último, pelo que os resultados causaram alguma surpresa.

“É uma indiscutível vitória pessoal e política de Carlos Moedas, a quem já telefonei e expressei as minhas felicitações”, anunciou Fernando Medina, na madrugada desta segunda-feira, assegurando que se empenhará “pessoalmente” na transição de todos os dossiês. O socialista diz que se despede “de consciência tranquila”, porque deu “tudo o que sabe” para servir o povo da capital, num momento “particularmente exigente”. “Temos a convicção profunda que a agenda que seguimos era a agenda correta para o futuro da cidade de Lisboa“, avança o político, que agradece à sua equipa e a “todos os que deram o seu melhor para proteger Lisboa e os lisboetas”.

As primeiras projeções citadas pela RTP, pela TVI e pela SIC/Expresso apontavam para um empate técnico entre Carlos Moedas e Fernando Medina, contrariando as expectativas criadas pelas sondagens feitas durante o período de campanha, que davam uma vitória clara (embora sem maioria absoluta) ao socialista. Na plataforma oficial do Ministério da Administração Interna, a vitória de Carlos Moedas ainda não estava confirmada, mas Fernando Medina assumiu a derrota. “A derrota de hoje é pessoal e intransmissível. O PS fez tudo para que pudéssemos ter tudo para fazer diferente”, sublinha. “Não é nenhum cartão amarelo ou vermelho ao PS“, acrescenta, não levantando o véu sobre o seu próprio futuro político, ainda que tenha sido questionado insistentemente sobre as suas ambições políticas. Não esclareceu, por exemplo, se estaria disponível para ser vereador da Câmara.

O socialista explicou, por outro lado, que, das informações de que dispunha, a coligação “Novos Tempos” de Carlos Moedas conseguiu sete vereadores, a “Mais Lisboa” sete vereadores, a CDU dois e o Bloco de Esquerda um, sendo que estes últimos dois partidos mantêm o número de mandatos que conseguiram em 2017, na capital. Apesar da prevalência dos vereadores de esquerda, Carlos Moedas recusou classificar a câmara de ingerível.

Ainda antes da derrota do PS ser oficial, António Costa já admitia “tristeza particular pela possibilidade de perder Lisboa, que acabou por se confirmar. Já Rui Rio garantiu, entretanto, que “sempre acreditou” na vitória de Carlos Moedas, que se confirma como a escolha acertada, disse. Críticou, repetidamente, as sondagens e admitiu que Lisboa é “muito difícil de gerir”, o que pode ser feito “reunião a reunião” ou “por acordo”.

“Ganhámos contra tudo e contra todos”

Ganhámos contra tudo e contra todos“, começa por salientar Carlos Moedas, dizendo-se orgulhoso do resultado desta ida às urnas. “Fizemos história. Fez-se história hoje em Lisboa. Não tenho palavras para agradecer o voto de confiança que me foi dado pelos lisboetas”, enfatizou, comprometendo-se a “mudar Lisboa”.

O ex-comissário europeu dedicou um agradecimento especial ao líder do PSD, Rui Rio, e ao líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos. E agradece também aos demais partidos que formaram a coligação “Novos Tempos”. Agradecimentos feitos, Carlos Moedas frisou: “Esta campanha é a prova de que podemos mudar o sistema, porque a democracia não tem dono e os lisboetas disseram em alto e bom som que querem mudança“. O social-democrata disse que agora começa um novo ciclo, que antecipou que “não vai acabar em Lisboa”.

Especificamente sobre a capital, o político assegurou que será o “presidente de todos os lisboetas” e afirmou que estará sempre disponível para trabalhar com quem mudar Lisboa. Carlos Moedas garantiu que protegerá os mais velhos e que dará futuro aos mais jovens. “Apostei tudo numa única esperança, a esperança de que a política está a mudar e quer políticos diferentes. É essa diferença que nos fez ganhar“, contou. “Dizemos com humildade e com convicção que vamos conseguir mudar Lisboa. É esse o meu sonho”, enfatizou, agradecendo “a oportunidade”.

Questionado pelos jornalistas, o social-democrata frisou que “há 14 anos que a câmara era governada pelo poder socialista. É uma mudança histórica” e explicou que a sua experiência na Comissão Europeia, por exemplo, deverá ajudá-lo a liderar Lisboa, apesar da maioria de vereadores de esquerda.

(Notícia atualizada às 02h58)

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