APICCAPS defende foco na recuperação económica e aumento das exportações para o OE 2022

  • Lusa
  • 28 Setembro 2021

"Importa que as empresas voltem a ter instrumentos de crédito abrangentes e flexíveis, de acordo com as exigências dos mercados internacionais”, sustenta a associação.

A Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado defende um Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) focado na recuperação da economia e no aumento das exportações, com apoios à capitalização das empresas e instrumentos de crédito “abrangentes e flexíveis”.

“A grande prioridade deverá concentrar-se na recuperação da economia”, disse à agência Lusa o diretor de comunicação da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), quando questionada sobre as propostas que espera ver inscritas no OE2022.

Segundo Paulo Gonçalves, “depois de um ano altamente frustrante, importa continuar o esforço de recuperação económica, retomando o grande desígnio nacional que passa pelo aumento das exportações”.

Para a APICCAPS, também os apoios em matéria de capitalização das empresas, que salienta serem o “garante do emprego e do crescimento económico”, deverão “ser continuados”.

“Depois, importa que as empresas voltem a ter instrumentos de crédito abrangentes e flexíveis, de acordo com as exigências dos mercados internacionais”, sustenta a associação.

Em causa estão, nomeadamente, os seguros de crédito, que a APICCAPS salienta serem “instrumentos fundamentais para as empresas exportadoras”, como é o caso da indústria portuguesa de calçado, que exporta mais de 95% da sua produção.

De acordo com a associação, a indústria portuguesa de calçado “resistiu melhor” ao impacto da pandemia do que os concorrentes e evidencia já “sinais de recuperação”, com um crescimento homólogo de 10,3% das exportações nos primeiros sete meses deste ano. Ainda assim, até julho, as vendas para o exterior ficam 11,5% abaixo do mesmo período de 2019.

Segundo o Gabinete de Estudos da APICCAPS, “o setor está, ainda, dependente de vários indicadores” – desde a evolução da pandemia, à situação no Afeganistão, aumento dos custos das matérias-primas e dificuldades logísticas – mas “dificilmente atingirá já este ano os níveis de 2019”.

De acordo com a associação, os “sinais de recuperação” agora visíveis seguem-se a um ano de 2020 “extremamente difícil para as empresas portuguesas de calçado”, que terminou com uma quebra de 16,3% das vendas para o exterior, com 61 milhões de pares de calçado vendidos no valor de 1.494 milhões de euros.

“Ainda assim, num ano de todas as dificuldades, Portugal ganhou quota de mercado”, salienta a APICCAPS.

Isto porque, em 2020, os principais concorrentes da indústria portuguesa de calçado sofreram um impacto ainda maior: a Itália (8.000 milhões de euros exportados) registou uma quebra de 23% e Espanha de 16,1% (para 2.400 milhões de euros).

Ao nível da produção, Portugal registou uma quebra de 13,2% no ano passado, para 66 milhões de pares, cerca de metade da quebra registada por Itália (-26,8%, para 131 milhões de pares) e por Espanha (-26,5%, para 72 milhões de pares).

Globalmente, as exportações europeias de calçado diminuíram 18,6% em 2020.

A associação aponta “a Europa, por agora”, como “um grande motor de crescimento do setor”.

“Destaque para o crescimento na Alemanha – que supera, mesmo, a França e ascende ao primeiro lugar entre os grandes mercados do setor – com um crescimento de 39,4%, para 186 milhões de euros”, refere.

No espaço comunitário, salienta ainda os “bons desempenhos” nos Países Baixos (mais 12,3%, para 111 milhões de euros) e Espanha (crescimento de 2,9%, para 52 milhões de euros), sendo que também no Reino Unido há “bons indicadores” a reportar (mais 14,1%, para 41 milhões de euros).

Já fora do espaço europeu, os EUA (mais 10%, para 33 milhões de euros), China (mais 32,8%, para 9,6 milhões de euros) e Canadá (mais 41,2%, para 9,5 milhões de euros), também “dão bons sinais”.

De acordo com a nova Lei de Enquadramento Orçamental, a proposta de OE2022 tem de ser entregue no parlamento até dia 10 de outubro (em vez de até dia 15 de outubro, como aconteceu nos anos anteriores).

Segundo disse à Lusa fonte oficial do Ministério das Finanças, tendo em conta que, este ano, o dia 10 de outubro é a um domingo, a proposta de OE2022 será entregue no dia útil seguinte, ou seja, na segunda-feira, dia 11.

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