Conserveiras apontam bazuca de 20 milhões a lata de sardinha

Dez conserveiras portuguesas juntaram-se para criar uma lata de sardinha em formato de lingote, destinada à exportação. Projeto orçamentado em 20 milhões de euros aguarda financiamento do PRR.

As conserveiras portuguesas José Gourmet, Ramirez, Cofaco, Cofisa, Briosa, A Poveira, Conserveira do Sul, Pinhais, Conservas Portugal Norte e Comur juntaram-se para criar uma lata de sardinha portuguesa em formato de lingote.

Este projeto, que tem como objetivo”valorizar o cluster das conservas portuguesas”, surge no âmbito dos fundos que serão libertados pelo Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) e está orçamentado em 20 milhões de euros. Metade do valor será alocada à comunicação do produto. A ideia já foi submetida no final de setembro e aguarda aprovação.

“É um projeto que envolve todo o setor e a ideia passa por juntar as dez conserveiras portuguesas que trabalham a sardinha, de forma a envolver todas as conserveiras de Portugal. É um projeto que visa valorizar o cluster das conservas portuguesas e estamos com muitas expectativas”, revela ao ECO o administrador da Comur e responsável financeiro do Grupo Valor do Tempo, que detém a conserveira.

A ideia de juntar as conserveiras portuguesas partiu deste grupo e, caso o projeto venha a ser aprovado, esta lata de sardinha portuguesa vai ser direcionada apenas ao mercado externo e cada unidade vai custar cerca de 20 euros. “Queremos ter uma conserva feita da mesma forma por todas as conserveiras que trabalham a sardinha”, sublinha Paulo Moreira.

Lata de sardinha em formato de lingoteRicardo Castelo/ECO

A lata de sardinha será apresentada em formato de lingote. Para o administrador do grupo, a “sardinha é o ouro português e faz todo o sentido que seja apresentada desta forma”. O responsável sublinha ainda que este projeto é uma forma de “criar um mercado novo, de nicho, para as conservas portuguesas”.

“Isto é um projeto do setor e acreditamos que vai ter um efeito de arrastamento sobre o cluster, ao remunerar muito melhor desde o pescador aos restantes intervenientes. Se este produto tiver o sucesso que esperamos, tudo o que seja conserva portuguesa vai beneficiar desta imagem e de toda a comunicação que vai ser feita”, destaca o administrador da Comur.

De acordo com a Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP), a indústria portuguesa das conservas conta com 21 empresas em laboração – 17 em Portugal Continental e quatro nos Açores – e emprega cerca de 3.500 pessoas, sendo que 90% são do sexo feminino. Mas considerando só o segmento da sardinha, há 12 produtoras no país.

Ainda segundo os dados partilhados pela ANICP, 70% da produção é direcionada aos mercados externos. Só em 2019 foram exportadas cerca de 50 mil toneladas de conservas portuguesas, o que correspondeu a uma faturação superior a 200 milhões de euros. As espécies mais exportadas são o atum, a sardinha e a cavala.

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