Bilhetes de avião vão ficar mais caros devido à alta do petróleo, garante associação do setor

Custo da matéria-prima vai refletir-se nos preços das passagens aéreas, diz Willie Walsh, diretor-geral da IATA, apesar do tráfego aéreo internacional continuar deprimido.

“As cotações mais elevadas do petróleo vão refletir-se nos preços das passagens aéreas.” A garantia foi deixada por Willie Walsh, diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), durante uma conferência de imprensa online. Apesar de os bilhetes ficarem mais caros, o responsável não espera um impacto negativo na procura no curto e médio prazo.

A recuperação da economia tem sido acompanhada de um alta da cotação do petróleo, que se tem mantido acima dos 80 dólares por barril, levando também a um aumento do preço do jet fuel. Segundo dados da própria IATA, o preço subiu 130% num ano. Willie Walsh considera que, depois das perdas dos últimos anos provocadas pelo impacto da covid-19, “é impossível as companhias aéreas absorverem este aumento” pelo que ele terá de ser repercutido nos valores das passagens aéreas.

Em Portugal, a presidente da TAP, Christine Ourmières-Widener já reconheceu o agravamento dos custos com combustível, mas não clarificou se poderia vir a ter um impacto no preço dos bilhetes.

Este não é o único fator que pode ditar a subida do preço dos bilhetes. O diretor-geral da IATA aponta ainda o aumento “escandaloso” das taxas aeroportuárias em algumas infraestruturas e também as cobradas pelo controlo aéreo. Willie Walsh admitiu mesmo que a IATA avançará com ações legais para travar a revisão de taxas em alguns aeroportos, como é o caso de Schiphol, na Holanda, onde os valores vão aumentar 37% ao longo de cinco anos.

Apesar destas contrariedades, o responsável está otimista em relação à recuperação do setor, e os números de setembro apontam nesse sentido, embora o efeito da pandemia ainda se faça sentir. A retoma está a ser bastante mais rápida nas viagens domésticas do que nas internacionais, com as primeiras a registarem uma quebra de apenas 24% face aos níveis de 2019 e as segundas de 69%.

“De uma forma geral, os mercados domésticos estão a recuperar bem e assim que mais restrições sejam levantadas veremos uma procura forte dos passageiros”, aponta o diretor-geral da IATA. O tráfego aéreo internacional “continua muito deprimido, ainda que a perspetiva seja muito mais positiva com o levantamento das rescrições”. As melhores notícias estão no transporte de mercadorias, que regista volumes 9% acima de setembro de 2019. Um desempenho ajudado pela falta de resposta no transporte marítimo, que se deverá manter no resto do ano.

"O elevado nível de vacinação em algumas regiões já permite dispensar restrições. Os políticos têm se ser mais corajosos e levantar as barreiras.”

Willie Walsh

Diretor-geral da IATA

Para que o transporte aéreo registe uma recuperação mais rápida, é preciso que as medidas que restringem a circulação sejam mais aliviadas. “O elevado nível de vacinação em algumas regiões já permite dispensar restrições. Os políticos têm se ser mais corajosos e levantar as barreiras”, defende Willie Walsh.

Enquanto isso não acontece, é necessária uma maior harmonização nos critérios. “É preciso uma maior coordenação e um reconhecimento acelerado das medidas. Os consumidores ficam confundidos com as diferentes exigências, diferentes formulários e regimes de testagem”, afirmou o responsável, mostrando satisfação com o apelo deixado no último G20 “para o regresso das viagens aéreas internacionais de forma ordeira e segura”.

Os Estados Unidos vão levantar a 8 de novembro as restrições à entrada de passageiros totalmente vacinados. Para o diretor-geral da IATA, o encerramento das fronteiras aéreas nos EUA deu conforto a outros países para imporem restrições e a reabertura vai pressionar para o seu levantamento.

O tráfego entre a América do Norte e a Europa ainda registava em setembro uma queda de 65% face a 2019. Com o levantamento das barreiras este número vai recuperar mais depressa, beneficiando as companhias áreas com maior exposição ao mercado transatlântico. É o caso da TAP, onde os EUA vinham assumindo uma importância crescente antes da pandemia.

Fusões e aquisições em stand by

Um dos problemas que o setor está a enfrentar é a falta de recursos humanos qualificados em alguns mercados, nomeadamente nos EUA. Muitos trabalhadores saíram da indústria com a redução de capacidade provocada pela pandemia e não estão a regressar. “Nunca vi isto acontecer na indústria. Vai penalizar a capacidade das companhias aéreas para aumentarem a oferta. Atrair talento qualificado é um dos desafios que o setor enfrenta”, afirmou o diretor-geral da IATA.

O outro é diminuir a dívida e reparar os balanços. Um processo que deverá restringir fusões e aquisições no setor. “Dado o estado dos balanços, é menos provável que a consolidação aconteça. Não vejo as maiores companhias aéreas disponíveis para usar o seu precioso ‘cash’ numa companhia com pior desempenho no momento atual”.

A COP26 também foi tema. A última assembleia-geral da IATA aprovou o objetivo de chegar à neutralidade carbónica até 2050. Para o diretor geral da associação, o caminho tem de passar pela incorporação de mais combustíveis sustentáveis na indústria. Willie Walsh diz que ela não é maior atualmente devido à reduzida produção destes combustíveis, que faz também com que os preços sejam elevados. “É preciso que os governos incentivem a produção de volumes significativos de combustível sustentável“, defende.

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