“Aceitável”, “tardia”, “razoável”. A reação dos partidos à data de eleições

  • Lusa e ECO
  • 4 Novembro 2021

PCP considera a data de 30 de janeiro "incompreensivelmente tardia" e o BE mantém que as eleições antecipadas não eram “uma inevitabilidade". À direita, a data escolhida foi mais consensual.

Depois de o Presidente da República ter convocado eleições para 30 de janeiro, somaram-se as reações dos partidos políticos nos Passos Perdidos do Parlamento. À esquerda, PCP considera a data “incompreensivelmente tardia” e o BE mantém que as eleições antecipadas não eram “uma inevitabilidade”. Já à direita, a data escolhida por Marcelo Rebelo de Sousa foi menos criticada.

“Presidente decidiu, está decidido”, diz PSD

Em reação à data escolhida por Marcelo para as legislativas, o Presidente do PSD disse que a data está decidida “e há que ir em frente”, mas avisou que “não teremos Orçamento do Estado antes de junho, para não dizer julho”.

O Governo que entrar tem três meses para apresentar o Orçamento de Estado. Governo vai tomar posse para o meio de fevereiro e não teremos Orçamento antes de junho, para não dizer julho”, alertou Rui Rio, em entrevista ao Jornal das Oito, na TVI.

PS “tudo fez para evitar esta crise política”

Do lado do PS, José Luís Carneiro sublinhou que o seu partido “tudo fez para evitar esta crise política, procurando, até ao limite do que considerou ser o interesse nacional, alcançar um acordo para a aprovação do Orçamento de Estado”. Ainda assim, os socialistas afirmam que “compreendem e aceitam” a decisão do Presidente da República.

“Os partidos rejeitaram as propostas do Governo sabendo que o Presidente da República havia anunciado que convocaria eleições se o orçamento fosse reprovado”, observou logo a seguir. Por fim, José Luís Carneiro garantiu que não haverá “vazio de poder”, e apelou à mobilização para esse ato eleitoral.

Para o BE, as eleições não eram uma “inevitabilidade”

O BE insistiu que as legislativas antecipadas não eram “uma inevitabilidade” e que este não era o desejo do partido, mas defendeu que “nenhum democrata pode ter medo de eleições”, recusando uma “guerra política” em torno da data escolhida.

“Da parte do Bloco de Esquerda, nós não desejámos eleições e sempre tivemos como vontade garantir um orçamento que não faltasse ao país neste momento fundamental”, criticou Pedro Filipe Soares, antes de acrescentar que “ninguém compreenderá que se faça uma guerra política em torno da data das eleições ser uma semana depois, uma semana antes”.

PCP critica data das eleições “incompreensivelmente tardia”

A data escolhida pelo Presidente da República para as eleições antecipadas é “incompreensivelmente tardia” para o PCP e “entra em contradição com a própria declaração do Presidente da República de que devia haver uma clarificação da situação do país o mais rapidamente possível”.

António Filipe sugere ainda que a data dá a sensação de que foi escolhida “em nome de conveniências” de “candidaturas a lideranças partidárias”.

PR impediu que eleições se realizassem “o mais rapidamente possível”, afirma o PEV

O PEV considera que o Presidente da República impediu que as eleições legislativas antecipadas “fossem o mais rapidamente possível”, insistindo que “existiam outros instrumentos” que não implicavam a dissolução da Assembleia da República.

A deputada ecologista Mariana Silva disse que parece que a “preocupação” de não haver um Orçamento do Estado o quanto antes “afinal já não é assim tão preocupante”.

Data “acautela” preocupações essenciais para o PAN

A porta-voz do PAN considerou que a data escolhida para as eleições legislativas permite que a campanha não colida com a época festiva e dá tempo aos partidos para envolverem os cidadãos nos seus programas. A data permite “que todos os partidos possam participar de forma democrática no ato eleitoral, seja através daquela que é a sua campanha nas ruas, seja dando a conhecer às pessoas os seus programas e também envolvendo a participação dos cidadãos”, indicou.

Inês de Sousa Real afirmou que, desde o primeiro momento, o PAN defendeu que a “convocação de eleições e a eventual dissolução” do parlamento “deveriam acautelar dois aspetos essenciais”: “por um lado, que os portugueses possam a vir a ter um Orçamento do Estado o quanto antes” e “por outro lado, que teria que ser dado tempo à Assembleia da República para concluir processos legislativos que estavam em curso.

CDS focado na preparação das listas recusa congresso antes das legislativas

À direita, a porta-voz do CDS-PP recusou que o congresso eletivo dos centristas se realize antes das eleições legislativas, marcadas para 30 de janeiro, argumentando que o partido tem “apenas seis semanas” para se preparar e apresentar as listas.

O facto de as eleições serem a 30 de janeiro significa que temos apenas seis semanas para preparar todo um processo de campanha eleitoral, que é uma campanha particularmente importante para o nosso partido”, indicou Cecília Anacoreta Correia. Neste contexto, a porta-voz defende que há um impedimento de facto, prático” para que o congresso do CDS-PP se realize nas datas em que estava marcado antes do adiamento, 27 e 28 de novembro.

Data é “correta e razoável” para a Iniciativa Liberal

A Iniciativa Liberal considerou que a data de 30 de janeiro anunciada pelo Presidente da República para as eleições legislativas antecipadas é “correta e razoável” para que haja um “cabal esclarecimento das opções que estão perante os portugueses”.

Cotrim de Figueiredo considerou ainda que na comunicação ao país, o chefe de Estado “fez três leituras que coincidem em tudo com o que a Iniciativa Liberal pensa também”.

Chega considera que 30 de janeiro é uma “data aceitável”

André Ventura afirmou que a data não corresponde à que o partido “preferia” e “tinha indicado”, mas compreende os argumentos apresentados por Marcelo Rebelo de Sousa quanto à necessidade de “haver algum espaço para debates, nomeadamente debates televisivos”.

“Parece-nos que a data de 30 de janeiro, não sendo a data que estava consensualizada pelos partidos representados aqui no Parlamento, possa ser uma data aceitável”, disse o líder do Chega, acrescentando que o Presidente “esteve bem”, ao chamar “os portugueses novamente a votos, a devolver a palavra ao povo”.

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