BRANDS' PESSOAS Qual o impacto da empatia nas organizações?

  • PESSOAS + EY
  • 8 Novembro 2021

Ana Luísa Antunes, Senior Consultant EY, People Advisory Services, resume os resultados do estudo "EY Empathy in Business Survey" e explica a importância de praticar a empatia nas organizações.

O impacto que a pandemia causou no mundo do trabalho não é um tema novo. A normalização do trabalho remoto, a aceleração do uso da tecnologia e a mudança nas expectativas dos colaboradores (cada vez mais sensíveis a áreas como a saúde mental e o worklife balance) têm vindo a contribuir para um novo paradigma na liderança das organizações, em que não basta saber o que os colaboradores estão a fazer, é também preciso compreender como se sentem.

De facto, face ao contexto atual de mudança e imprevisibilidade, a empatia tem vindo a ganhar expressão como competência-chave para os gestores e líderes das organizações. O estudo EY Empathy in Business Survey (2021) é prova disso. Este estudo procurou identificar como é que a empatia afeta líderes, colaboradores e a inovação nas empresas, e os resultados foram esclarecedores: cerca de 88% dos participantes acredita que uma liderança empática gera lealdade entre trabalhadores e chefias e 90% concorda que líderes empáticos contribuem para um aumento da satisfação, enquanto 79% concorda que a empatia leva a um decréscimo no turnover.

"De acordo com o estudo realizado pela EY, mais de metade dos participantes já se despediu no passado por não se sentir reconhecido pela chefia, e quase metade já se despediu por não se sentir integrado e acompanhado no dia-a-dia de trabalho (sentimento de “pertença”).”

Ana Luísa Antunes

Senior Consultant EY, People Advisory Services

Mas o que caracteriza um líder empático? Um líder empático é capaz de contextualizar a performance e os comportamentos dos colaboradores, ao mesmo tempo que promove uma cultura de confiança, aceitação e preocupação pelo contexto profissional e pessoal de cada um. Adicionalmente, de acordo com o EY Empathy in Business Survey, os colaboradores descrevem um líder empático como alguém transparente, justo e que dá o exemplo através das suas ações.

Face à inexistência de empatia no local de trabalho, muitos são os colaboradores que decidem sair das organizações. De acordo com o estudo realizado pela EY, mais de metade dos participantes já se despediu no passado por não se sentir reconhecido pela chefia, e quase metade já se despediu por não se sentir integrado e acompanhado no dia-a-dia de trabalho (sentimento de “pertença”).

Para além de impactar os níveis de satisfação e turnover, os colaboradores acreditam ainda que relações de empatia entre líderes e equipas permitem aumentar a eficiência (87%), a criatividade (87%), a inovação (86%) e as receitas das organizações (81%).

"Quase 46% dos colaboradores sente que os esforços que as empresas levam a cabo para serem mais empáticas são desonestos. Por outro lado, 42% acredita que as organizações não cumprem as suas promessas.”

Ana Luísa Antunes

Senior Consultant EY, People Advisory Services

Mas apesar da empatia e do acompanhamento dado aos trabalhadores serem temas cada vez mais valorizados e relevantes no mundo do trabalho, ainda há um longo caminho a percorrer. Quase 46% dos colaboradores sente que os esforços que as empresas levam a cabo para serem mais empáticas são desonestos. Por outro lado, 42% acredita que as organizações não cumprem as suas promessas.

Desenvolver uma força de trabalho e uma cultura baseada em relações de empatia, confiança e transparência não é fácil, sobretudo para empresas de pequena e média dimensão que tendem a ter acesso a um conjunto mais limitado de recursos para iniciativas de formação e desenvolvimento ou grandes projetos internos de transformação. Mas isso não quer dizer que não possam investir no desenvolvimento de equipas mais empáticas, seja através de iniciativas de team building, reuniões regulares one-on-one entre colaboradores e chefias, práticas de feedback anónimo e/ou informal ou até realização de pequenos workshops de desenvolvimento de competências de comunicação, gestão de conflitos e interação positiva.

Essencialmente, a empatia deve ser vista como uma ferramenta que permite aos líderes compreender melhor o ambiente em que operam e, consequentemente, tomar melhores decisões, promover um sentimento de pertença e lealdade entre as equipas e comunicar claramente.

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