Taxa de desemprego recua para 6,1% no terceiro trimestre, abaixo do período pré-pandemia

A taxa de desemprego baixou de 6,7% no segundo trimestre para 6,1% no terceiro trimestre. Este valor fica já abaixo da taxa de desemprego que se verificava antes da pandemia.

O mercado de trabalho continua a recuperar em Portugal. A taxa de desemprego baixou de 6,7% no segundo trimestre para 6,1% no terceiro trimestre de 2021, de acordo com o INE. Face ao primeiro trimestre deste ano, altura de maiores restrições por causa da pandemia e em que a taxa de desemprego era de 7,1%, há uma redução de um ponto percentual.

Esta taxa fica já abaixo da que se verificava antes da pandemia (6,3% no terceiro trimestre de 2019). Isto sem contar com o segundo trimestre de 2020 (5,7%), que resultou do facto de muitos desempregados não estarem contabilizados como tal por não conseguirem procurar trabalho devido às restrições, algo essencial para serem considerados nas estatísticas.

“A taxa de desemprego no 3.º trimestre de 2021 situou-se em 6,1%, o que corresponde a um decréscimo de 0,6 pontos percentuais em relação ao 2.º trimestre de 2021”, escreve o INE, assinalando que “maior variação teve a taxa de desemprego de jovens (16 a 24 anos), estimada em 22,6%, um valor inferior em 1,1 pontos percentuais ao do trimestre anterior“.

Taxa de desemprego do terceiro trimestre de 2021 abaixo do pré-pandemia

Taxa de desemprego trimestral | Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE)

Neste momento, há mais população empregada do que no período pré-pandemia (+71,5 mil), comparando com o terceiro trimestre de 2019. No total, estavam 4.878,1 mil pessoas empregadas no terceiro trimestre, mais 67,6 mil do que no segundo trimestre e mais 219,7 mil face ao terceiro trimestre de 2020, ainda afetado pela crise pandémica.

Já a população desempregada encolheu 27 mil face ao trimestre anterior e 84,8 mil face ao terceiro trimestre de 2020, fixando-se nos 318,7 mil desempregados.

A ótica trimestral, comparando o terceiro trimestre com o segundo trimestre, mostra como entre julho e setembro a criação de emprego vem do setor do serviços, em específico das áreas de negócio à volta do turismo, como é o caso do comércio, transportes, alojamento e restauração. Na ótica homóloga, dado em que 2020 havia mais restrições da pandemia, também é notório um aumento no setor dos serviços, seguindo-se a administração pública e a educação.

Em comunicado após a publicação dos dados, o Governo nota que a taxa de desemprego “está no nível mais baixo dos últimos 10 anos” e que a população desemprega atingiu o “valor mais baixo da década na população desempregada, considerando o terceiro trimestre”.

17,6% dos inativos transitaram para o emprego

A descida da taxa de desemprego não é justificada pelos desempregados não contabilizados, como aconteceu no segundo trimestre de 2020. A subutilização do trabalho, que abrange os inativos, baixou tanto na comparação em cadeia como na homóloga, tendo a taxa de subutilização do trabalho encolhido para 11,9%. A população inativa com 16 ou mais anos também diminuiu nas duas óticas, baixando para 3.612,2 mil pessoas.

Porém, o que aconteceu a esses inativos? Para responder a essa questão o INE dividiu a população inativa em dois grupos: um designado por “força de trabalho potencial”, que são os que estão à procura de emprego mas não disponíveis ou os que estão disponíveis mas que não procuram emprego; outro designado por “outra inatividade”, que agrega os restantes.

No terceiro trimestre, 30,2% daqueles que no 2.º trimestre de 2021 estavam no grupo “força de trabalho potencial” transitaram para o desemprego, ou seja, passaram a cumprir os dois critérios — estar disponível e procurar emprego — e foram classificados como desempregados. Já 17,6% dos que, no 2.º trimestre de 2021, estavam no grupo “força de trabalho potencial” transitaram para o emprego no terceiro trimestre.

12,7% dos trabalhadores estavam em teletrabalho no terceiro trimestre

Num período em que o teletrabalho ainda era recomendado, mas não obrigatório (a partir de 1 de agosto), 12,7% dos teletrabalhadores trabalhou sempre ou quase sempre a partir de casa com recurso a tecnologias de informação e comunicação, num total de 617,6 mil pessoas.

A taxa de trabalhadores em teletrabalho é inferior em 2,2 pontos percentuais face ao segundo trimestre deste ano, “correspondendo à quinta proporção mais elevada deste indicador desde que começou a ser acompanhado há seis trimestres”, nota o INE. Ou seja, o recurso a teletrabalho está em declínio e foi o segundo mais baixo desde que a pandemia arrancou.

(Notícia atualizada às 11h57 com mais informação)

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