Comissão Europeia revê em alta crescimento do PIB português em 2021 e 2022

As previsões da Comissão Europeia não são iguais às do Governo, mas aproximaram-se com esta revisão em alta. Bruxelas vê o PIB português a crescer 4,5% em 2021 e 5,3% em 2022.

Quatro meses após as últimas previsões económicas, a Comissão Europeia revela esta quinta-feira uma visão mais otimista sobre a recuperação da economia europeia pós-pandemia, graças ao avanço da campanha de vacinação durante o verão. Para Portugal também há boas notícias: o executivo comunitário vê o PIB português a crescer 4,5% este ano (3,9% em julho) e 5,3% em 2022 (5,1% em julho). O Governo previa no Orçamento do Estado para 2022 (OE 2022), o qual foi chumbado, um crescimento de 4,8% em 2021 e 5,5% no próximo ano.

Os novos números da Comissão Europeia constam das previsões de Outono reveladas esta quinta-feira, em que se argumenta que a economia europeia está a recuperar mais depressa do que o esperado: o PIB da União Europeia deverá crescer 5% em 2021 e 4,2% em 2022, valores iguais aos previstos para a Zona Euro.

Isto significa que, a concretizarem-se estas previsões, Portugal irá crescer menos do que a média europeia este ano, mas supera-a no próximo ano. Além disso, é de notar que, segundo a Comissão, o PIB europeu já recuperou o nível pré-pandemia no terceiro trimestre de 2021 enquanto o PIB português ainda estava cerca de 3% abaixo. O executivo comunitário prevê que Portugal atinja o nível pré-pandemia “em meados de 2022”.

Porém, a Comissão Europeia admite que estas previsões dependem crucialmente de dois fatores: “A evolução da pandemia de Covid-19 e o ritmo dos ajustamentos do lado da oferta à rápida reviravolta da procura na sequência da reabertura da economia”. No caso de Portugal, o executivo comunitário reconhece que a elevada taxa de vacinação “reduz os riscos internos relacionados com a pandemia”.

E, mesmo que haja a reintrodução de restrições, admitiu Paolo Gentiloni, comissário europeu da economia, na conferência de imprensa em que apresentou as previsões, estas terão um impacto económico menor do que no passado. Gentiloni reconheceu que há situações crescentemente preocupantes em alguns países europeus, o que é um dos vários riscos para a recuperação.

Relativamente às contas públicas, as contas dos peritos europeus também não se afastam muito do que era esperado pelo Governo. A Comissão Europeia prevê que o défice orçamental de Portugal se reduza para 4,5% do PIB em 2021, para 3,4% do PIB em 2022 e 2,8% em 2023. No caso do Governo, a expectativa era ter um défice de 4,3% em 2021, 3,2% em 2022 (o qual estava dependente do OE2022, que foi chumbado) e um valor inferior a 3% em 2023.

Graças ao crescimento da economia e à redução do défice, a dívida pública vai encolher para 128,1% do PIB este ano, antevê a Comissão, o que fica acima dos 126,9% do PIB estimados pelo Governo. Em 2022, o rácio baixa para 123,9% do PIB e em 2023 desce para 122,7% do PIB.

Em relação ao mercado de trabalho, a Comissão Europeia vê a taxa de desemprego a encolher para 6,7% em 2021, 6,5% em 2022 e 6,4% em 2023, o que até é mais otimista do que o Governo previu em outubro. O raio-x feito pelo executivo comunitário é positivo com muitos indicadores do mercado de trabalho português já a superar o nível pré-pandemia. Porém, com a retirada dos apoios de retenção de emprego como o lay-off, a melhoria dos indicadores deve desacelerar de ritmo, antecipam.

Sobre 2021, a Comissão Europeia descreve que foi o relaxamento das restrições que deu gás ao consumo em Portugal, com a aquisição de bens duradouros a crescer graças também às poupanças acumuladas durante a pandemia.

No que toca ao turismo, a procura interna até atingiu “máximos histórico no verão”, mas a procura externa (turistas estrangeiros) continua “significativamente” abaixo do nível pré-pandemia, o qual não deverá ser recuperado até ao final de 2023.

O executivo comunitário reconhece ainda que as disrupções nas cadeias de valor mundiais afetaram “negativamente” a indústria automóvel portuguesa, com a Autoeuropa a fechar vários dias, e, “num grau menor”, o setor da construção. A expectativa da Comissão é que o setor industrial continue a ser afetado por esse efeito no curto prazo, mas no médio prazo irá acelerar a sua produção gradualmente.

Quanto às contas externas, a expectativa dos peritos europeus é que a balança da conta corrente vá melhorando à medida que o turismo internacional recupere. Pelo contrário, o défice da balança comercial de bens, o qual tinha descido significativamente durante a pandemia, deverá aumentar por causa do consumo privado e a importação de bens de investimento.

(Notícia atualizada às 11h40 com mais informação)

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