Pensar que o SNS é “absolutamente autónomo parece-me um erro”, diz CEO da Lusíadas Saúde

O CEO do grupo Lusíadas Saúde defende que se pode trabalhar "preventivamente" para "otimizar a capacidade instalada" no sistema de saúde, caso a nova variante represente uma pressão adicional.

A descoberta de uma nova variante do coronavírus, com um número elevado de mutações, está a motivar receios um pouco por todo o mundo. Olhando para o sistema de saúde, que já se viu sobrecarregado nas fases mais graves da pandemia, a maior preocupação será a pressão adicional que a Ómicron poderá vir a colocar, no topo do vírus da gripe, antecipa o CEO do grupo Lusíadas Saúde. Vasco Antunes Pereira defende que se pode trabalhar “preventivamente” para “otimizar a capacidade instalada”, ao contrário do que se fez no passado, que mostrou ser um “erro” considerar que o sistema público é “absolutamente autónomo”.

“Se tivermos em conta a articulação passada e trabalharmos preventivamente neste processo, podemos otimizar a capacidade instalada no sistema e não apenas no Serviço Nacional de Saúde”, argumenta o CEO da Lusíadas Saúde, em declarações ao ECO à margem da inauguração do novo Centro de Cardiologia de Lisboa. Tal depende de quem gere o sistema, que é o poder político”, salienta.

É ainda incerto qual será o impacto da nova variante, mas o CEO do grupo sublinha que o risco maior “não é pressão do sistema de saúde exclusivamente pela Covid como foi no passado”. Atualmente, “estamos a ver hospitais a começarem a estar debaixo de elevada pressão” com a gripe, o que é “expectável” acontecer nesta altura de funcionamento mais normal da sociedade, e a preocupação tem a ver com a pressão adicional da Covid, que “necessita de circuitos separados, de isolamentos, de um conjunto de precauções que podem constranger o sistema de saúde”, explica.

Assim, se a nova variante realmente se afigurar como um fator adicional de pressão, Vasco Antunes Pereira defende que se deve “articular de forma mais estruturada” a colaboração entre os setores público e privado. Isto já que as lições passadas, de lidar com a pressão da pandemia em articulação entre os setores, “são as lições de como não fazer”, reitera. “Meter a cabeça na areia e achar que o sistema público é absolutamente autónomo parece-me, o passado já o demonstrou, um erro”, frisa.

“Os privados demonstraram-se sempre disponíveis para trabalhar com o sistema, somos parte integrante do sistema e não queremos ser isolados, mas isto não pode ser numa lógica apenas de emergência, tem de ser perspetiva mais preparada”, considera Vasco Antunes Pereira, nomeadamente para “preparar um processo de subida e escalada de números”.

Outra área de sinergia entre os setores são as parcerias público-privadas (PPP), nas quais o grupo já tem experiência, sendo atualmente gestor no Hospital de Cascais. O CEO do grupo assume-se fã deste modelo, mas admite que “o enquadramento político hoje em dia não é o mais favorável à existência de PPP”.

O Governo lançou um concurso para uma nova PPP no Hospital de Cascais, sendo que o atual contrato com a Lusíadas Saúde foi prorrogado para dar tempo à realização deste processo. O grupo optou por dizer que não consegue fazer o que tem vindo a fazer com este novo enquadramento de concurso, mas ficou disponível para prolongar o contrato devido ao “compromisso com a saúde, população e doentes”.

A Lusíadas Saúde tem 11 hospitais e clínicas no país, sendo que avançou agora com um novo Centro de Cardiologia, no Hospital Lusíadas Lisboa. Este centro contou com um investimento de três milhões de euros, em infraestruturas e equipamentos de última geração, segundo anunciou o grupo. Uma das novidades do espaço é o Cardio Lounge, que tem uma abordagem diferente ao recobro, focando-se no “conforto e mobilidade precoce” dos pacientes após certos procedimentos.

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