Empresários de moda preveem subida média de 3% dos preços em 2022

  • Lusa
  • 3 Dezembro 2021

A análise da BoF e da McKinsey sinaliza que “a escassez de material, estrangulamentos nos transportes e aumento dos custos de transporte irá inflacionar ainda mais os custos de produção".

Quase 70% dos executivos de moda preveem uma subida média dos preços de retalho de 3%, em 2022, enquanto 15% espera aumentar em 10% ou mais, concluiu um relatório da McKinsey e da Business of Fashion (BoF), hoje divulgado.

Segundo a análise da BoF e da McKinsey, “uma combinação entre a escassez de material, estrangulamentos nos transportes e aumento dos custos de transporte irá inflacionar ainda mais os custos de produção e provocar desequilíbrios entre a oferta e a procura, forçando consequentemente as empresas a aumentar os preços para os consumidores”, levando a que 67% dos executivos de moda preveja aumentar os preços de retalho em 3% e 15% dos empresários a admitirem subidas de 10% ou mais.

As perspetivas da indústria da moda para 2022 são otimistas, estimando-se vendas globais a ultrapassarem os níveis de 2019 em 3% a 8%, ou seja, uma taxa de recuperação mais rápida do que a prevista há seis meses. No entanto, as questões dentro da cadeia de abastecimento são a maior causa de preocupação para a indústria, com 87% dos empresários da moda a estimar que as perturbações tenham um impacto negativo nas margens no próximo ano.

De acordo com o relatório, 49% dos executivos de moda assinalaram as interrupções da cadeia de abastecimento como o principal tema a ter impacto nos seus negócios no próximo ano.

“A pressão sobre as cadeias de fornecimento globais, os custos crescentes e os bloqueios logísticos ameaçam a capacidade da indústria de entregar produtos aos clientes”, concluiu o estudo, acrescentando que “as empresas devem repensar as suas fontes e procurar implementar novas estratégias de gestão da cadeia de abastecimento para fazer face à procura dos clientes no próximo ano”.

De acordo com o índice Global Fashion da McKinsey (MGFI, na sigla inglesa), um recorde de 69% das empresas de moda sofreram destruição de valor em 2021, o que significa que obtiveram resultados negativos, arrastando para baixo o desempenho global da indústria. No entanto, o MGFI mostra que o setor está a recuperar, uma vez que o desempenho na primeira metade de 2021 aponta para um possível regresso ao lucro económico até 2022.

Ainda assim, a recuperação terá diferentes velocidades dependendo da geografia, com o crescimento impulsionado pela China e Estados Unidos (EUA) e a Europa a ficar para trás.

Na China, a indústria da moda já recuperou para os níveis de vendas anteriores à pandemia em todos os segmentos, sendo esperado que o setor de luxo cresça entre 70% e 90% até ao final deste ano, em relação às vendas de 2019. Já nos EUA, 43% dos consumidores admitem aumentar os seus gastos com moda em 2021.

Na Europa, embora se espere uma recuperação mais lenta, 67% dos executivos de moda esperam melhores condições comerciais em 2022, face a este ano.

O relatório concluiu ainda que 68% dos executivos de moda apontam a maturidade das soluções tecnológicas como o fator mais importante para permitir a escalada de soluções de moda sustentável. De acordo com o índice Textile Exchange, atualmente, menos de 10% do mercado têxtil global é composto por materiais reciclados.

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