Rio deseja um “resultado agradável” ao CDS, após PSD decidir ir sozinho para eleições

A comissão política nacional rejeitou a hipótese de haver uma coligação pré-eleitoral com o CDS. Rio diz que a decisão foi quase unânime, mas deseja que o CDS tenha um "resultado agradável".

A comissão política nacional do PSD chumbou a hipótese de o partido ir às eleições legislativas antecipadas de 30 de janeiro em coligação pré-eleitoral com o CDS, avança o Observador e a RTP3. Ao início da noite, Rui Rio confirmou essa decisão e disse esperar que o CDS tenha um “resultado agradável”. Assim, a possibilidade de haver uma coligação com os centristas já não vai ser debatida no Conselho Nacional dos social-democratas que arranca esta terça-feira às 21h.

Entre os mais de 20 membros da direção alargada do partido liderado por Rui Rio, apenas três terão votado (Rio nega que tenha existido uma votação) a favor de uma coligação pré-eleitoral PSD/CDS (e com o PPM, como nos Açores), como ocorreu em 2015 com a coligação Portugal À Frente. Já antes das eleições internas em que Rio venceu Rangel (o qual era contra uma coligação pré-eleitoral) a direção do partido tinha sido contra esta hipótese. Agora o líder do partido reconhece que a oposição à coligação pré-eleitoral foi “largamento maioritária” pelo que nem foi necessário haver votação.

Em declarações transmitidas pelas televisões, o líder da oposição não revelou as razões que levaram o partido a tomar esta decisão, a não ser a mais óbvia: “Há diversos argumentos, mas não os vou dizer em público. Dou-lhe só um que é a síntese deles todos: a comissão política nacional considera mais vantajoso para o PSD nestas eleições em concreto ir sozinho, que consegue obter um melhor resultado indo às eleições sozinho, acreditando que o CDS consegue sozinho também ter uma posição e um resultado agradável, que é esse o nosso desejo também”, afirmou Rui Rio.

Em relação às listas de deputados — Rio anunciou os cabeças de lista de cada distrito antes da reunião –, o presidente do PSD considera que foram “das mais pacíficas” de se fazer, admitindo que há sempre ajustes a fazer. Rui Rio garante que houve um “esforço de renovação”, mas com “sinais de unidade” e sem nenhuma “limpeza” ou “saneamento” de quem apoiou Rangel na disputa interna. “Há quem vai ficar contente e há quem vá ficar descontente”, admite.

A reedição da Aliança Democrática (nome da primeira coligação entre PSD e CDS), após os resultados nas autárquicas em Lisboa e Coimbra e nas eleições regionais dos Açores, era apreciada pelo líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos que, ao contrário de Rio, não foi a votos internamente. Chegou a haver um encontro marcado entre os dois líderes após o chumbo do Orçamento para 2022, especulando-se sobre se iam anunciar uma coligação, mas acabou por ser cancelado.

Já Rio tinha dito, sobre uma potencial coligação com o CDS, que “tendencialmente estaria mais para sim do que para não”, mas este fim de semana fez declarações que sugeriam o contrário. “Se nós formos disputar agora o eleitorado do CDS, do Chega e da IL [Iniciativa Liberal], ali estão meia dúzia de votos. Não sei como é que se ganham eleições com aquela meia dúzia de votos, ainda por cima correndo o risco de perder alguma coisa ao centro“, disse, dando como certa a aposta do PSD nos eleitores de centro para roubar votos ao PS.

(Notícia atualizada às 21h07 com mais informação)

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