Gouveia e Melo diz que vacinar crianças é um critério de proteção comunitária

  • Lusa
  • 10 Dezembro 2021

“O vírus vinga-se de nós. Faz efeito bumerangue. Vai aproveitar regiões não vacinadas para se replicar em formas diferentes para nos voltar a atacar”, disse o vice-almirante.

O vice-almirante Gouveia e Melo afirmou esta sexta-feira que a vacinação contra a covid-19 é um meio de proteção comunitária e não individual, vincando que este critério deve também nortear as decisões sobre a inoculação de crianças.

“Hoje em dia, é isso que está a ser discutido outra vez, quando se fala da vacinação dos mais novos”, disse, explicando: “Se o único critério for é só para proteger os mais jovens, se calhar aí está muito empatado; mas se o critério for, para além de proteger os mais jovens, proteger os pais dos mais jovens e para proteger a comunidade como um todo, o critério é totalmente desempatado.

Gouveia e Melo, que coordenou a extinta ‘task-force’, responsável pelo processo de vacinação contra a covid-19 que culminou com cerca 85% da população portuguesa inoculada em setembro, falava no salão nobre da Assembleia Legislativa da Madeira, no Funchal, no âmbito do ciclo de conferências Parlamento Com Causas.

O que está em causa agora é saber se com a [variante] ómicron precisamos de passar dos 86% de vacinação completa ou não”, disse, sublinhando que os responsáveis devem decidir com base nos indicadores do país e não de outros.

E reforçou: “Um bom decisor pensa sobre o terreno que está a pisar e não sobre o terreno que outros estão a pisar.

O vice-almirante advertiu que a “pandemia vai continuar”, tendo em conta que uma grande parte da população da Europa e do mundo não está vacinada, e alertou para o aparecimento de novas variantes do SARS-CoV-2, como a ómicron, em regiões do planeta onde a taxa de vacinação é muito baixa, como África.

Gouveia e Melo disse haver duas razões determinantes para vacinar toda a população do planeta: uma é ética e moral, outra é prática.

“O vírus vinga-se de nós. Faz efeito bumerangue. Vai aproveitar regiões não vacinadas para se replicar em formas diferentes para nos voltar a atacar”, alertou, sublinhando que agora começa a infetar crianças e pessoas não vacinadas.

“Por isso, isto é uma guerra”, disse ainda, reforçando: “Não há soluções simples, mas nós temos de combater este vírus para ganharmos a nossa liberdade e a capacidade de vivermos em sociedade.”

O ex-coordenador da ‘task-force’ não apontou para a vacinação em faixas etárias específicas, mas sublinhou que os responsáveis devem “acreditar” nos indicadores e nos dados do país e decidir com base nos mesmos.

“Temos de ter capacidade de decidir por nós com os nossos indicadores e nós temos capacidade para fazê-lo. Não podemos ter medo de o fazer. A liderança aí tem de ser 100% assertiva”, disse, realçando que “não adianta” adotar soluções de países que “estão mais atrasados” no processo de vacinação, como é o caso da Alemanha.

Em Portugal, as crianças dos 5 aos 11 anos vão ser vacinadas contra a covid-19 a partir do fim de semana de 18 e 19 de dezembro, anunciou hoje o secretário de Estado de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales.

Segundo disse o governante, a vacinação dessa faixa etária vai arrancar com as crianças mais velhas, de 11 e 10 anos, descendo progressivamente até aos 5 anos.

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