DGS alarga reforço da vacina a maiores de 18 anos

  • Lusa e ECO
  • 23 Dezembro 2021

Portugal vai alargar a administração da dose de reforço contra a Covid para os maiores de 18 anos, revelou Lacerda Sales. Processo vai ser realizado por faixa etária decrescente.

Portugal vai alargar a administração da dose de reforço contra a Covid para todas as pessoas a partir dos 18 anos, avançou o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, à rádio Renascença (acesso livre). Entretanto, ao final desta quinta-feira, a DGS veio confirmar a decisão, em comunicado.

A Direção-Geral da Saúde, após análise do parecer da Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19 (CTVC) sobre o alargamento da estratégia de reforço vacinal contra a Covid-19, recomenda a administração de uma dose de reforço de uma vacina de mRNA a pessoas com idade igual ou superior a 18 anos“, aponta a entidade liderada por Graça Freitas, em comunicado.

Esta quinta-feira de manhã, em declarações à rádio Renascença, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde já havia antecipado a decisão. “Durante a noite, saiu um parecer da CTVC [comissão técnica de vacinação contra a Covid-19], emitido pela Direção-Geral da Saúde em como a dose de reforço irá até aos 18 anos, obviamente, feito de acordo com prioridades”, afirmou António Lacerda Sales, explicando que “essas prioridades englobam pessoas com mais de 18 anos com comorbilidades”.

Nesse sentido, e à semelhança do que tem sucedido, o processo vai arrancar “por faixas de maior idade: 40 anos e depois por aí abaixo, por faixas decrescentes até aos 18 anos”, explicou ainda o secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

No sumário executivo relativo ao parecer da Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19, divulgado esta quinta-feira pela DGS, a Comissão recomenda “fortemente” o reforço da vacinação dos maiores de 40 anos, dado que esta faixa etária representa a maioria das pessoas internadas em enfermaria (94,5%) e em unidades de cuidados intensivos (93,4%), devido a complicações associadas à Covid-19.

É expectável que a administração de uma dose de reforço às pessoas com 40 ou mais anos de idade, priorizando os mais velhos, às pessoas com comorbilidades e aos profissionais de saúde (…) diminua a previsível pressão sobre os serviços de saúde associada à antecipada propagação da variante de preocupação Ómicron”, refere o parecer da Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19 (CTVC) sobre o alargamento do reforço da vacina.

“Nesta fase, é premente manter a maximização da vacinação das pessoas definidas na estratégia de reforço vacinal e estender a vacinação com doses de reforço a quem mais dela puder beneficiar”, lê-se no documento.

Nesse sentido, a CTVC a “recomenda a vacinação urgente e prioritária com dose de reforço com uma vacina de mRNA” (Pfizer e Moderna) das pessoas “com 40 ou mais anos de idade, por faixas etárias decrescentes” e “das pessoas com 18 aos 39 anos e pelo menos uma das comorbilidades definidas na Norma 002/2021 da DGS“, bem como é ainda recomendada ” a vacinação das restantes pessoas com 18 a 39 anos de idade com dose de reforço com uma vacina de mRNA”.

Para a CTVC, o cenário de crescimento epidémico antecipado com o surgimento da Ómicron justifica a adaptação da dose de reforço, “com prioridade para as pessoas mais vulneráveis, também em linha com as recomendações do Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC)”.

Os estudos publicados demonstram, segundo a CVTC, “um claro benefício da vacinação contra a Covid-19 com dose de reforço para as pessoas com 40 ou mais anos de idade e das pessoas dos 18 aos 39 anos com comorbilidades, pelo que a vacinação destas pessoas é fortemente recomendada, no atual contexto epidemiológico”.

Com a vacinação destes grupos estima-se a redução de mais de 90% do número de pessoas hospitalizadas por Covid-19, assumindo-se uma adesão elevada à vacinação com dose de reforço.

Quanto à população mais jovem, “os dados e a evidência disponíveis são mais incertos relativamente à magnitude do benefício com a vacinação das pessoas com menos de 40 anos sem comorbilidades, especialmente por não ser possível antecipar o impacto da vacinação destas faixas etárias na evolução da situação epidemiológica com predominância da variante Ómicron”, adianta.

A administração da dose de reforço aos grupos definidos nesta estratégia começou em dia 11 de outubro, tendo-se alcançado a 15 de dezembro uma cobertura vacinal de 85% nos maiores de 80 anos e de 79% nos 70/79 anos.

Os estudos de efetividade vacinal são unânimes em mostrar que as vacinas protegem contra doença grave e morte e que, essa proteção, é razoavelmente estável ao longo do tempo”, refere. Pode, contudo, diminuir ao longo do tempo, tendo em conta a idade e a presença de múltiplas doenças.

O risco de morte por Covid-19 aumenta com a idade de forma muito evidente”, sendo que o grupo dos maiores de 85 anos tem um risco de morrer 10 vezes superior ao grupo dos 18-39 anos.

Nas últimas semanas tem-se verificado um agravamento da situação epidemiológica, que reflete um aumento do número de novos casos em crianças dos 6-11 anos e de adultos até aos 70 anos, não sendo verificado acima desta idade, provavelmente, pelo reforço vacinal.

“Apesar de ainda não serem conhecidos dados sobre a gravidade clínica da Covid-19 por Ómicron nem a capacidade de proteção do esquema vacinal primário/reforço contra a doença grave causada por esta variante, considera-se que as vacinas mantêm proteção contra doença grave, mesmo para a variante Ómicron”, acrescenta.

(Notícia atualizada às 18h05 com o comunicado da DGS)

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