ONU está mais otimista e vê economia da Zona Euro a crescer 4% este ano

  • Lusa
  • 13 Janeiro 2022

A ONU reviu em alta a perpetiva de crescimento económico da Zona Euro em 2022 para 4%, desacelerando para 2,5% em 2023.

As Nações Unidas estão mais otimistas para o crescimento da zona euro, projetando uma expansão de 4% este ano, desacelerando para 2,5% em 2023, segundo os dados divulgados esta quinta-feira.

De acordo com o relatório “Situação e Perspetivas Económicas Mundiais das Nações Unidas (WESP) 2022”, o crescimento dos países da moeda única deverá desacelerar até 2023. No entanto, a organização melhorou as projeções para este ano em 1,4 pontos percentuais (pp.) face ao último relatório.

Por outro lado, cortou as projeções de expansão em 2021 para 4,7%, menos 0,3 pp. do que anteriormente.

Para o total dos 27 Estados-membros da União Europeia, as Nações Unidas esperam um crescimento de 3,9% este ano e de 2,6% em 2023, após uma retoma de 4,7% no ano passado.

“As perspetivas para as economias europeias para 2022 são mistas”, refere o relatório, explicando que o crescimento pode desacelerar devido aos efeitos base mais fracos e ao início da redução gradual dos estímulos.

Contudo, assinala, os países da União Europeia deverão começar a beneficiar da combinação do orçamento plurianual de 2021 a 2027 e do Mecanismo de Recuperação e Resiliência.

A instituição sublinha ainda que a inflação, que se tornou negativa em muitos países europeus em 2020, acelerou acentuadamente no segundo semestre de 2021, fixando-se acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE). Este cenário é explicado, em parte, pelo aumento dos custos das matérias-primas e da energia, aliado às ruturas nas cadeias de abastecimento, e “embora alguns desses fatores sejam considerados transitório”, existe “o risco de um período mais longo do que o previsto de inflação acima da meta” na zona euro.

ONU melhora projeção de crescimento mundial para 4% este ano

As Nações Unidas estimam também que a economia mundial cresça 4% em 2022 e 3,5% em 2023, depois de uma expansão de 5,5% em 2021, mostrando-se mais otimista face ao anterior relatório, segundo previsões hoje divulgadas.

De acordo com o relatório “A Situação e Perspetivas Económicas Mundiais das Nações Unidas (WESP) 2022”, a recuperação económica global “está a enfrentar ventos contrários significativos entre as novas ondas de infeções por Covid-19, desafios persistentes do mercado de trabalho, desafios persistentes das cadeias de abastecimento e crescentes pressões inflacionistas”.

A inflação é mesmo um dos riscos emergentes identificados, ainda que se espere que, em 2022, “alguma pressão ascendente sobre os preços diminua à medida que os bancos centrais” comecem a apertar a política monetária. “No entanto, o momento e a sequência das respostas do banco central às pressões inflacionistas irão continuar críticos”, adverte.

As Nações Unidas estão, no entanto, ligeiramente mais otimistas face ao relatório de 2021, mesmo com a identificação de riscos negativos significativos durante o quarto trimestre de 2021, melhorando as projeções para 2021 em 0,8 pontos percentuais (pp.) e para 2022 em 0,6 pp.

As projeções colocam a economia mundial a convergir para a tendência de longo prazo de cerca de 3% ao ano registada entre 2010 e 2019.

Contudo, a organização sublinha que existe uma forte divergência nas perspetivas de crescimento, uma vez que um número significativo de países em desenvolvimento estão a lutar para recuperar do impacto da pandemia.

De acordo com as previsões atuais, o Produto Interno Bruto (PIB) de 16 países em desenvolvimento será mais de 5% inferior em 2022 do que em 2019, enquanto mais de um quinto dos países em desenvolvimento terão que esperar até 2022 para que o PIB volte a atingir os níveis pré-crise. Já 20 dos países em desenvolvimento ainda estarão abaixo dos níveis de produção de 2019 até o final de 2023.

Por outro lado, a ONU espera que até 2023, mais da metade das economias mundiais deverão exceder os níveis de produção de 2019 em pelo menos 7%.

“Sem uma abordagem global coordenada e sustentada para conter a covid-19, que inclua o acesso universal a vacinas, a pandemia continuará a representar o maior risco para uma recuperação inclusiva e sustentável da economia mundial”, disse Liu Zhenmin, subsecretário-geral da Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, em comunicado.

(Notícia atualizada às 20h37 com mais informação)

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