BRANDS' CAPITAL VERDE A urgência do agora

  • Capital Verde + EDP
  • 19 Janeiro 2022

Até 31 de janeiro é possível visitar, na Central Tejo da Fundação EDP, a exposição "O Tempo sem Tempo", de Carolina Piteira, que apela à ação perante a urgência climática.

“Não digo isto para que mudem, é para que saibam. Ninguém pode dizer que não sabia.” As palavras de Maria Teresa, uma senhora idosa em 2101, interpelam diretamente quem assiste ao vídeo que integra a exposição “O Tempo sem Tempo”, de Carolina Piteira. A artista, que concebeu a exposição ainda grávida da bebé Maria Teresa, imagina o que a filha poderá ter a dizer sobre o que se passou com o planeta, daqui a 80 anos. “O vídeo é desconfortável, mas verdadeiro, são coisas que acreditamos que podem acontecer”, justifica, ao conduzir os visitantes à sala seguinte, ao som de um bater de coração que ecoa ao fundo. Depois, num ambiente escuro, um elemento que representa o sol sobrepõe-se a uma imagem da ecografia da gravidez de Catarina.

“O facto de ter estado à espera de bebé durante todo o processo de conceção da exposição teve um impacto forte nas peças. Associei a gestação à energia do sol: quente, aconchegante e duradoura, uma energia que é vida”, explicou em entrevista ao ECO. “Este conceito esteve sempre presente durante todo o processo porque sinto, agora ainda mais, uma urgência de alterar as minhas ações. É o futuro da nova geração que está em causa, temos de mudar a nossa ação para ter um planeta mais saudável e sustentável”.

Redefinir metas

A exposição da Carolina Piteira enquadra-se num conjunto de projetos promovidos pela EDP ao abrigo do novo posicionamento da marca “Changing Tomorrow Now” (mudar hoje o amanhã), enquadrou Catarina Barradas, diretora de marca do Grupo EDP.

“O setor energético está num processo de transição. A EDP anunciou, no início do ano, um plano estratégico até 2025 com objetivos muito claros de sermos 100% verdes até 2030, antecipando em 20 anos as metas globais. Dissemos que até 2025 íamos parar de gerar energia a carvão. Quando fizemos um alinhamento da marca com o nosso plano estratégico, lançámos esta narrativa do Changing Tomorrow Now. Porque há um sentido de urgência que apelamos a todos os portugueses e globalmente, que é a necessidade de mudar já hoje o amanhã”.

O tempo e a energia

“Podemos olhar para o tempo como cronológico, meteorológico, o tempo que temos para atuar e mudar o amanhã, o tempo que não temos, o tempo que é dinheiro e o tempo que o dinheiro não pode comprar”, explicou Catarina Piteira sobre a forma como o conceito inspirou a exposição, em que “cada obra corresponde a uma energia renovável e cada sala conta uma história do tempo: temos o presente, um futuro imaginado e o passado”.

Numa das peças alusivas ao mar (Maré Alta), um dos materiais reutilizados é uma vela de kite de Francisco Lufinha, com a qual treinou antes de fazer a travessia da EDP Atlantic Mission num barco movido a energias renováveis — outra iniciativa promovida pela energética. Na peça alusiva ao vento (O Tempo da Intermitência), foram usados materiais retirados do lixo “para mostrar o impacto da mão humana no planeta” e simbolizar que “podemos lutar por um mundo mais sustentável, mas a nossa ação tem de ser constante”.

Olhamos e é uma árvore, mas o imóvel torna-se móvel, o pesado torna-se leve e ela roda de forma desesperançosa e agoniada. As raízes douradas simbolizam o verde que trocámos pelo ouro. Estamos a destruir o planeta pelo dinheiro, é uma beleza que faz mal.

Carolina Piteira

artista

O momento de agir

Já na sala final, chegamos ao Tempo sem Tempo: um tronco de laranjeira com raízes douradas gira ao som de uma canção de embalar, projetando as sombras dos ramos despidos, “que lembram artérias de um coração que já não bate”. A peça, explicou a artista, simboliza “um carrossel de berço no quarto de uma criança, quase de forma assustadora. Olhamos e é uma árvore, mas o imóvel torna-se móvel, o pesado torna-se leve e ela roda de forma desesperançosa e agoniada. As raízes douradas simbolizam o verde que trocámos pelo ouro. Estamos a destruir o planeta pelo dinheiro, é uma beleza que faz mal”.

A angústia é intencional: “Queria que as pessoas terminassem a exposição com o coração um bocadinho apertado e termos consciência de que esta árvore não pode ser a das próximas gerações”, reconhece, deixando o repto: “Espero que as pessoas consigam refletir e que as faça mudar nem que seja uma pequena ação no dia a dia, significava que a exposição foi concretizada com sucesso”.

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