António Dias: “Matérias-primas, banca e energia” devem destacar-se pela positiva com subida de juros

Os setores de cariz cíclico deverão destacar-se pela positiva em 2022 devido ao cenário de subida de juros, diz António Dias, o gestor do Fundo de Ações Europeias mais rentável do ano passado.

O fundo gerido por António Dias atingiu um retorno de 26,67% em 2021

O IMGA European Equities foi o Fundo de Ações Europeias mais rentável de 2021, com um retorno de 26,27%. A aposta inicial nas cotadas de elevado crescimento justifica o bom desempenho, sendo que o fundo da maior gestora de ativos independente do mercado português está a adaptar a carteira, em linha com a rotação de mercado para empresas de valor que deverá muito provavelmente marcar o ano.

Em resposta por escrito a questões enviadas pelo ECO, António Dias, gestor deste fundo da IM Gestão de Ativos de 40,6 milhões de euros, assinala que a subida de juros deverá penalizar as cotadas de crescimento, enquanto “os setores de cariz cíclico deverão destacar-se pela positiva”. Nesse sentido, “apontamos para os setores de matérias-primas, banca e energia como os maiores ganhadores deste cenário” de agravamento da política monetária.

O IMGA European Equities foi o melhor fundo de ações europeias em 2022, com um retorno superior ao Stoxx600? Qual a estratégia que explica este resultado?

A estratégia seguida ao longo de 2021 no Fundo IMGA European Equities assentou essencialmente numa sobre ponderação nos setores e ações com maior potencial de crescimento. Nas nossas perspetivas para 2021 o enquadramento económico e de mercado era propício para o investimento nestes segmentos, apesar de nem sempre apresentarem valorizações teoricamente atrativas, em detrimento de outros com perspetivas mais incertas e de menor visibilidade. Esta estratégia, a par de alguma flexibilidade sempre necessária para a correta gestão de um fundo de investimento, foram quanto a nós a “receita” para os bons resultados que o fundo registou este ano.

A rotação de carteiras de ações de “growth stocks” para “value stocks” está a marcar o arranque de 2022. É uma tendência que vai persistir ao longo do ano?

A rotação de mercado, despoletada pela subida das taxas de juro, pode continuar e deverá muito provavelmente marcar o ano. Se as expectativas das autoridades monetárias, apontando a subida da inflação como transitória, não se realizarem, as taxas de juro deverão subir acima do esperado, penalizando assim os setores de crescimento, que continuam a negociar a múltiplos de valorização acima do mercado. O fundo tem vindo a adaptar a sua carteira tendo em conta estes desenvolvimentos, procurando um maior equilíbrio entre estilos que promova a maximização do binómio risco/retorno para o investidor.

Quais os setores que podem ter o melhor desempenho em 2022?

Num cenário de continuação de subida de taxas de juro, os setores de cariz cíclico deverão destacar-se pela positiva. Apontamos para os setores de matérias-primas, banca e energia como os maiores ganhadores deste cenário e, neste sentido, o mercado britânico, que tem um pendor marcadamente cíclico e de value, porventura conseguirá recuperar algum terreno versus os restantes mercados europeus. No entanto, do ponto de vista de risco e visibilidade de resultados, recomenda-se uma cautela acrescida no investimento destas empresas. Muitas enquadram-se no que se chama “value traps”, razão pela qual a análise dos modelos de negócio deve ter cuidados redobrados.

Quais os principais riscos para um bom desempenho nos mercados europeus em 2022?

Os principais riscos para os mercados europeus em 2022 será novamente uma crise de dívidas soberanas. Com a subida das taxas de juro e uma mudança de postura por parte do BCE, os países devedores poderão sofrer um alargamento do prémio de risco, agudizando o fardo da dívida. Havendo vontade política por parte dos países credores em aprofundar medidas de mutualização da dívida, esse risco pode vir a ser mitigado, mas esse é um cenário pouco plausível a curto prazo.

Em 2021 as bolsas europeias voltaram a registar uma performance inferior a Wall Street. Em 2022 podem conseguir um desempenho superior?

Temos fortes dúvidas que os mercados europeus consigam uma performance superior em 2022. O mercado americano apresenta características estruturais que lhe permitem ser muito mais dinâmico e com um maior potencial de crescimento. Há um verdadeiro mercado, tremendamente diversificado e em constante evolução, assente numa cultura enraizada de criação de valor acionista. Na Europa esta característica é bem mais ténue e o número de opções de investimento é bastante limitado quando comparado com o mercado americano, o que coloca um entrave ao seu maior crescimento de longo prazo.

Temos fortes dúvidas que os mercados europeus consigam uma performance superior em 2022. O mercado americano apresenta características estruturais que lhe permitem ser muito mais dinâmico e com um maior potencial de crescimento. Há um verdadeiro mercado, tremendamente diversificado e em constante evolução, assente numa cultura enraizada de criação de valor acionista.

António Dias, gestor do fundo IMGA European Equities

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