FMI pressiona El Salvador a abandonar bitcoin como moeda oficial

Avaliação anual do Artigo IV insta El Salvador a abandonar a bitcoin como moeda com curso legal no país, considerando que existem "grandes riscos" para a estabilidade financeira.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) apelou a El Salvador para que deixe de reconhecer a bitcoin como moeda com curso legal no país, considerando que existem “grandes riscos” no uso da criptomoeda para a “estabilidade financeira, integridade financeira e proteção dos consumidores”. A instituição liderada por Kristalina Goergieva também está preocupada com o plano de El Salvador para emitir obrigações usando bitcoin como colateral.

“Desde setembro de 2021, o Governo adotou a bitcoin como moeda com curso legal. A adoção de uma criptomoeda como curso legal, no entanto, acarreta grandes riscos para a integridade financeira e do mercado, estabilidade financeira e proteção dos consumidores. Pode ainda criar passivos contingentes”, escreve o FMI na mais recente revisão do Artigo IV àquele país da América Central, numa altura em que as criptomoedas e a generalidade dos ativos financeiros têm estado sob pressão nos mercados.

O FMI vai mais longe e insta “as autoridades a que reduzam a abrangência da lei da bitcoin ao remover o estatuto de curso legal à bitcoin”. “Alguns responsáveis também expressaram preocupação com os riscos associados à emissão de obrigações com bitcoin como colateral”, acrescenta o documento.

El Salvador está a tentar obter um financiamento de mil milhões de dólares do Fundo. O país foi notícia no ano passado por ser o primeiro em todo o mundo a adotar oficialmente a bitcoin, uma decisão encabeçada pelo Presidente salvadorenho, Nayib Bukele, que tem 40 anos, usa boné e se autointitula “CEO de El Salvador” no Twitter. Apesar da elevada popularidade de Bukele, a medida não foi bem recebida pelos cidadãos e gerou protestos nas ruas.

Segundo o Financial Times (acesso pago), não existem indícios de que a bitcoin esteja a ser usada pelos cidadãos no dia-a-dia. Ainda assim, Bukele tem aplicado dezenas de milhões de dólares de dinheiro público na compra de bitcoin, algo que, para já, tem levado El Salvador a perder dinheiro. Na semana passada, Bukele voltou ao mercado e aplicou 15 milhões de dólares na compra de 410 bitcoins, numa altura em que o preço da criptomoeda afundou para mínimos de seis meses, anunciou no Twitter.

O Presidente de El Salvador tem outros planos para a criptomoeda. Entre eles, quer construir uma “cidade bitcoin” alimentada a energia de um vulcão, parcialmente através da emissão de mil milhões de dólares em obrigações associadas à criptomoeda. A emissão deve acontecer nas próximas semanas, segundo analistas.

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