Pilotos acusam TAP por duplicação de custos da Portugália

Sindicato dos pilotos diz que Portugália está com uma frota inferior ao necessário, por falta de planeamento da TAP. Diz que recurso a serviço externo vai duplicar custos.

A direção do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) acusa a TAP de não estar a planear devidamente a operação da Portugália para o verão IATA, que começa no fim do mês. Em comunicado, diz que faltam aviões, que terão de ser substituídos com custos muito mais elevados.

“Nos termos previstos no plano de recuperação da Portugália, que foi declarada, por associação à TAP, em situação económica difícil, a companhia deveria estar hoje com uma frota de 19 aviões, o que não sucede, no entender do SPAC, por absoluta falta de planeamento atempado e adequado do Grupo TAP”, afirma o sindicato em comunicado, considerando que “o processo de reestruturação da Portugália não está a ser cumprido”.

A Portugália tem atualmente ao serviço 13 aeronaves Embraer 190, sendo que em abril entram mais duas, em leasing, operadas por pilotos e tripulação de cabine da Portugália, segundo esclareceu ao ECO a própria estrutura sindical.

Em causa está o fim do leasing relativo a aviões Airbus A319 e A320 pela TAP SA. Para compensar esta perda de capacidade, a administração da Portugália já anunciou que vai recorrer à contratação externa em regime de ACMI (Aircraft, Crew, Maintenance and Insurance), um contrato de leasing que inclui também a tripulação, a manutenção e os seguros. O que, segundo o sindicato dos pilotos, visa “procurar não reduzir a sua operação, perdendo com isso receita, além dos correspondentes slots no futuro”.

O contrato envolve quatro aeronaves, com pilotos estrangeiros e tripulação de cabine da Portugália, que terá de fazer formação na Bulgária, com encargos acrescidos.

A opção pelo regime de ACMI significa, segundo o SPAC que “os pilotos da Portugália ficarão com horas por voar, enquanto os custos globais com remunerações mais do que duplicam, dado que o recurso a tripulações externas é remunerado a valores de mercado internacional e sem reduções de salários, como estão sujeitos hoje os pilotos e tripulações de cabine no grupo TAP, devido aos Acordos Temporários de Emergência em vigor”.

“Um segundo ACMI para voos que são exclusivamente TAP, criando uma situação que não se verifica em nenhuma outra companhia de transporte aéreo e que, pela sua natureza, terá um custo adicional estimado superior a 8 milhões de euros, perfeitamente evitável caso se tivesse optado pelos recursos disponíveis no Grupo TAP e com uma pesada fatura para os contribuintes nacionais”, acrescenta o comunicado.

A Portugália deveria receber seis Embraer este ano. Vieram apenas dois, daí a necessidade dos quatro aviões no regime ACMI. Segundo o SPAC, a administração da empresa informou que as quatro aeronaves estão atrasadas, mais virão.

A Portugália é detida pela TAP SGPS e todos os voos que opera são vendidos pela TAP SA.

(Notícia atualizada às 11h40 com mais informação)

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