Centeno apela à utilização de fundos do PRR “de forma produtiva”

  • Lusa
  • 1 Abril 2022

O governador do Banco de Portugal apelou à utilização de fundos do Plano de Recuperação e Resiliência "de forma produtiva".

O governador do Banco de Portugal (BdP) defendeu esta sexta-feira que, segundo as sondagens, a saída do período de défices excessivos aumentou mais a autoestima do país do que vencer o campeonato de futebol ou a Eurovisão.

Centeno, que falava na abertura da conferência “Fortalecer o capital social: o papel dos bancos centrais”, que se realiza em Lisboa, a propósito da celebração do 175.º aniversário do supervisor financeiro, afirmou, citando sondagens, que a saída do período de défices excessivos “aumentou mais a autoestima dos portugueses do que, provavelmente, vencer o campeonato de futebol ou a Eurovisão”.

Assim, conforme apontou, Portugal deve continuar a valorizar o capital social criado após 2017. Por outro lado, referiu que para garantir a igualdade de oportunidades, Portugal deve “apostar na educação”.

Durante a sua intervenção, o governador do supervisor financeiro apontou ainda que, ao contrário do esperado, a pandemia de Covid-19 reforçou a confiança no euro, que foi considerado “como parte da solução e não do problema”, face à resposta das instituições.

Mário Centeno referiu-se também ao conflito na Ucrânia e à consequente escalada de preços, nomeadamente na energia, um problema que disse afetar “a confiança nos agentes económicos e nas economias”, vincando que são necessárias “ações políticas” para resolver esta questão.

Já no que concerne aos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) apelou à sua utilização “de forma produtiva”.

O PRR, que tem um período de execução até 2026, pretende implementar um conjunto de reformas e investimentos tendo em vista a recuperação do crescimento económico. Além de ter o objetivo de reparar os danos provocados pela Covid-19, este plano tem ainda o propósito de apoiar investimentos e gerar emprego.

A dotação total do PRR ultrapassa os 16.600 milhões de euros, distribuída pelas suas três dimensões estruturantes – resiliência (11.125 milhões de euros), transição climática (3.059 milhões de euros) e transição digital (2.460 milhões de euros).

Seguiu-se uma sessão dedicada ao tema “um novo contrato social para os bancos centrais em tempos de mudança da preocupações da sociedade”, que contou com a presença do governador do Banco de Espanha, Pablo Hernandéz de Cos.

Este responsável começou por elogiar a reputação “muito elevada” que o BdP tem entre os bancos centrais, acrescentando que o capital social e a estabilidade financeira, temas em debate, são tópicos “muito complexos”.

Hernandéz de Cos falou da independência dos supervisores financeiros, característica “que distingue os bancos centrais das demais instituições” e que se reveste de importância para todos os cidadãos. Por outro lado, referiu que para serem independentes, os bancos centrais têm de ter autonomia de decisão, caso contrário “essa autonomia não é utilitária”.

O governador do Banco de Espanha destacou também o papel dos bancos centrais enquanto “avaliadores”, o que disse ser “bastante difícil”, tendo em conta que as próprias ciências sociais, nomeadamente a economia, nem sempre têm uma resposta para tudo, sendo, neste âmbito, necessário apostar “mais e mais” na literacia financeira.

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