Costa confirma subida do salário mínimo para 750 euros em 2023

Na reunião da comissão nacional do PS, António Costa reafirmou a vontade de subir o salário mínimo para 750 euros em 2023. Atualmente está nos 705 euros.

O salário mínimo bruto mensal deverá subir 45 euros em janeiro do próximo ano. Essa intenção foi reafirmada por António Costa, líder do PS, na comissão nacional dos socialistas que se realiza este sábado para eleger os órgãos executivos do partido. O primeiro-ministro confirmou assim que o salário mínimo aumentará para 750 euros, mantendo-se a trajetória já definida pelo Governo, mesmo com a aceleração da taxa de inflação em Portugal.

Perante os militantes do PS, o secretário-geral do partido fez um discurso sobre as eleições, o estado da economia e da inflação e as medidas anunciadas pelo Governo. Apesar da subida acentuada dos preços, António Costa mantém a intenção de aumentar o salário mínimo para os 750 euros em janeiro de 2023, mantendo a trajetória definida no programa eleitoral. O objetivo é chegar a 2026 com um salário mínimo de 900 euros.

Mantemos o nosso objetivo de prosseguir a trajetória de aumento do salário mínimo nacional. Fixamos uma meta: a meta para 2023 era atingir os 750 euros. Na altura disseram que éramos irrealistas. Fomos avançando passo a passo, estamos nos 705 euros e para o ano avançaremos para os 750 euros“, afirmou António Costa, prometendo “diálogo com os parceiros”. Esta segunda-feira às 15h o Governo reúne-se com a concertação social para falar sobre o Orçamento do Estado para 2022 (OE 2022).

É preciso “não embarcar naquela ilusão de que se aumenta o poder de compra só por via do aumento do rendimento”, disse o primeiro-ministro, argumentando que, “se os preços estão a subir porque os custos de produção estão a aumentar na área da energia, [ao aumentar o rendimento] iríamos só aumentar mais os custos de produção e os preços iriam aumentar e iríamos na ilusão do aumento do rendimento que rapidamente seria comido pelo aumento da inflação“. “Não, não é essa espiral inflacionista que nós queremos alimentar”, assinalou.

O primeiro-ministro considera que é preciso “travar a inflação”, através das medidas de emergência anunciadas pelo Governo, e “não disseminar a inflação, gerando uma espiral inflacionista”. No debate parlamentar do programa do Governo, Costa deu o mesmo argumento e não mostrou abertura para subidas expressivas dos salários, mas remeteu a dimensão dos aumentos da função pública em 2023 para as negociações que se vão fazer no final do ano.

Em janeiro, mesmo antes das eleições, António Costa admitiu que podia ir além dos 900 euros até 2026, se houver condições para tal. “Temos verificado com muita satisfação que muitos empresários dizem que temos que dar um salto relativamente ao salário mínimo. Tive uma reunião com empresários e alguns disseram que, pelo menos, mil euros deveria ser o nível do salário mínimo nacional”, disse na altura, antes da aceleração da inflação em Portugal.

A retribuição mínima mensal garantida está fixada atualmente em 705 euros, depois de ter sido atualizada em 40 euros entre 2021 e 2022, sem acordo dos parceiros sociais. De acordo com os dados do Ministério do Trabalho, cerca de um quarto dos trabalhadores recebe hoje em Portugal a retribuição mínima garantida, num total de 880 mil portugueses.

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