BRANDS' PESSOAS Serão as histórias de vida Património Imaterial das organizações?

  • PESSOAS + EY
  • 9 Maio 2022

Quantos ouvimos falar de personalidades ímpares associadas à génese de organizações de sucesso que transformaram negócios e revelaram tendências?

É incontornável falar da Apple sem falar de Steve Jobs ou da Microsoft sem falar de Bill Gates. Nestes e em muitos outros exemplos, a par da organização, são variadas vezes enaltecidas as qualidades profissionais dos founders, bem como as suas personalidades ou até eventos da vida privada, misturando-se muitas vezes atributos e perceções das suas Histórias de Vida com a identidade da organização.

As histórias de vida, enquanto relatos reais e humanos de vivências, têm a capacidade de agarrar aqueles que se cruzam com as mesmas. As mensagens-chave de certos factos ou dados passarão sempre incólumes, até ser atribuído um rosto ou uma história. É aqui que reside o diferencial. Quando um evento da história ou um dado estatístico é humanizado, dá-se o ponto de inflexão e este ganha capacidade transformativa.

As histórias de vida têm assim esta capacidade de despertar nas pessoas emoções fortes, pela conexão que lhes está inerente, quer resultem em afinidades ou diferenças com o protagonista. Estas têm maior capacidade de impacto do que meros factos ou dados.

Qual o impacto das histórias de vida nos resultados das organizações?

As histórias de vida influenciam sem sombra de dúvida as características que são associadas às marcas e seus produtos. Também a própria employee value proposition, isto é, a proposta de valor e os atributos que o mercado de trabalho e comunidade de talento percecionam como valor ganho através do trabalho no setor ou organização, é influenciada. Este ponto confere a muitas organizações uma notoriedade diferenciada, facilitadora da capacidade de atração, da criação do sentimento de pertença e da retenção do talento.

Atrevo-me assim a apontar as histórias de vida como um asset das organizações, muitas vezes subvalorizado e que merece a nossa melhor atenção!

Enganam-se os que pensam ser um fenómeno apenas aplicável aos gigantes económicos ou a pessoas especiais, muito pelo contrário. Além dos decisores-chave das organizações, há também outras figuras relevantes que são reflexo dos valores e cultura organizacional que esta defende.

"As lideranças com maior capacidade mobilizadora trazem a sua história de vida e a pessoa que são para o ambiente profissional, testemunham no dia-a-dia aquilo que defendem e essa coerência impacta as equipas. Em algum momento, tiveram a capacidade de se fazer próximas, de criar afinidades ou de inspirar, e isso faz a diferença.”

Catarina Ciríaco

Senior Consultant EY, People Advisory Services

A vida de José Afonso, o funcionário mais antigo do Hotel Estoril Palácio com 82 anos, ou de Paulinho, o roupeiro mais carismático do Sporting Clube de Portugal que chegou a ser premiado pela UEFA, são provas da importância destes testemunhos. Tornam-se assim símbolos de valores como o reconhecimento, a igualdade, o companheirismo e também sinais claros da posição da organização no que toca à valorização da diversidade e inclusão.

Também as lideranças e suas histórias de vida devem ser consideradas neste Património. A liderança direta é crucial no engagement de equipas e colaboradores, sendo uma dimensão de análise core de estudos de clima organizacional. As lideranças com maior capacidade mobilizadora trazem a sua história de vida e a pessoa que são para o ambiente profissional, testemunham no dia-a-dia aquilo que defendem e essa coerência impacta as equipas. Em algum momento, tiveram a capacidade de se fazer próximas, de criar afinidades ou de inspirar, e isso faz a diferença.

Como podem as organizações amplificar o impacto deste Património Imaterial?

  1. Cultura e Valores: comunicar histórias de colaboradores emblemáticos que reforcem a identidade da organização junto de colaboradores e potenciais candidatos.
  2. Reconhecimento: dar visibilidade a desempenhos ou atitudes extraordinárias de colaboradores atuais.
  3. Mentoring: criar programas onde a partilha de experiências e testemunhos é central.
  4. Formação e coaching: desafiar role models da organização a protagonizar os processos de aprendizagem e a contribuir ativamente para o desenvolvimento de outros.
  5. Motivação e inovação: convidar personalidades inspiradoras a partilhar os desafios e estratégias aplicadas quer na esfera pessoal, quer profissional.

Serão então as histórias de vida Património Imaterial das Organizações? Fica evidente que sim, pelo papel relevante que desempenham na reputação e cultura das organizações, bem como na atração e retenção de talento.

No entanto, este é um Património cuja fórmula de quantificar ainda não foi descoberta, mas do qual nenhuma organização quer abrir mão. É elevada a diversidade de dimensões que impacta e a capacidade de cativar cada indivíduo de forma muito particular, pelo que cabe a todos zelar e potenciar este Património.

Texto de Catarina Ciríaco, Senior Consultant EY, People Advisory Services

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