Guerra na Ucrânia alerta shipping e aumenta custos das seguradoras com sinistros

  • ECO Seguros
  • 11 Maio 2022

AGCS espera navios danificados ou perdidos em incidentes com minas marítimas, ataques de rockets e bombardeamentos em zonas de conflito. Seguradoras confrontadas com indemnizações por cargas retidas.

A indústria naval (shipping) manteve, em 2021, tendência de longo prazo com sinal positivo ao nível da segurança (safety), tendo sido reportadas 54 perdas totais (dados até 1 março 2022) em comparação com 65 um ano antes, indica o “Safety and Shipping Review 2022,” mais recente relatório anual da Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS) sobre tendência e evolução na perda de embarcações, novos riscos e segurança na marinha mercante.

As perdas anuais de navios diminuíram 57% durante a última década desde 2012 (127), enquanto 2021 representa uma melhoria significativa em relação à média móvel de perdas de 10 anos (89), refletindo o “maior enfoque em medidas de segurança, tais como regulamentação, melhor conceção e tecnologia de navios e avanços na gestão de riscos”, explica o estudo. O Sul da China, Indochina, Indonésia e Filipinas constituem principal ponto de perdas a nível global, sendo responsável por cerca de 20% das perdas (12), embora em decréscimo, ano após ano. O Golfo Arábico (9), com aumento significativo em perdas, ocupa segundo lugar à frente do Mediterrâneo Oriental e do Mar Negro, que é terceiro (7). As águas do Sudeste Asiático foram também epicentro de perdas da última década (225 em 892), explicado por fatores como “elevados níveis de comércio local e internacional, portos congestionados, frotas mais antigas e condições meteorológicas extremas”.

No entanto, além de constrangimentos criados pela pandemia e outros que implicam o setor marítimo na questão da transição climática, ambos objeto de análise no relatório, a tragédia da invasão da Ucrânia “causou perturbação generalizada no Mar Negro e noutros locais, exacerbando problemas nas cadeias de abastecimento, congestionamento dos portos e problemas da crise com as tripulações causadas pela pandemia de Covid-19,” afirma Rahul Khanna, Capitão de Marinha e Global Head of Marine Risk Consulting na AGCS, braço de linhas especiais e grandes riscos do grupo Allianz.

Mais sinistros em apólices com coberturas de guerra e risco cyber

Na abordagem ao impacto da guerra nos seguros e segurança marítima, o relatório sublinha que a invasão russa na Ucrânia afeta o shipping em múltiplas frentes, nomeadamente perda de vidas e de navios no Mar Negro; disrupção do comércio e o peso crescente das sanções sobre as operações com efeitos de arrastamento para a tripulação; custo e indisponibilidade de combustível e potencial de risco cibernético crescente.

É provável que a indústria de seguros se confronte com maior volume de participações de sinistro em coberturas de guerra de seguros especiais por navios danificados ou perdido em incidentes com minas marítimas, ataques de rockets e bombardeamentos em zonas de conflito,” desenvolve Justus Heinrich, Global Product Leader, Marine Hull, na AGCS. As seguradoras também serão confrontadas com pedidos de indemnização por cargas bloqueadas ou apreendidas em portos e águas costeiras ucranianas, admite o especialista em seguro de casco.

A evolução no rol de sanções contra interesses russos representa outro desafio de peso, acrescenta o documento da AGCS.

Além de efeitos diversos na marinha mercante, como ao nível laboral (Rússia e Ucrânia, representa juntas cerca de 14% da tripulação de frota mundial), o prolongamento do conflito poderá ter consequências mais marcante no comércio global de energia e outras mercadorias, acrescenta a AGCS. Ao mesmo tempo, as agências de segurança marítima apontam perspetiva acrescida de riscos cibernéticos no transporte marítimo, como bloqueio do GPS, falsificação do sistema de identificação automática (AIS) e potenciais interferências em sistemas eletrónicos navais, refere a Allianz.

A marinha mercante internacional é responsável pelo transporte de cerca de 90% do comércio mundial, pelo que a segurança dos navios “é fundamental,” nota a AGCS. Durante o início dos anos 90, a frota mundial perdia mais de 200 navios por ano, um número que desceu para cerca de 50 a 75 por ano, ao longo dos últimos quatro anos. Esta estatística torna-se ainda “mais impressionante” ao saber que existem atualmente cerca de 130.000 navios na frota global (mais de 100 toneladas brutas) em comparação com cerca de 80.000 GT há 30 anos.

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