Casos Covid em maio são quase 45 vezes superiores face há um ano

Nos primeiros 10 dias de maio, foram identificados 140.985 novos casos por Covid-19 em Portugal, isto é, um valor 44,6 vezes superior face a igual período de 2021. Mortalidade também está a acelerar.

A pandemia está a acelerar em Portugal e os especialistas alertam para o risco de uma sexta vaga. Só nos primeiros dez dias de maio, foram identificados 140.985 novos casos por Covid-19 em território nacional, isto é, um valor 44,6 vezes superior face a igual período de 2021. Neste período, houve também 204 mortes associadas à Covid, o que representa um valor 11,3 vezes superior face ao período homólogo.

Entre 1 e 10 de maio, foram identificados 140.985 novas infeções em Portugal, segundo os dados de vigilância diária divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS) no site dedicado à Covid. Contas feitas, trata-se de cerca de 14.098,5 novos casos por dia e um valor quase 45 vezes superior face a igual período do ano passado (tinham sido reportados 3.160 novos casos nos primeiros 10 dias de maio de 2021), segundo as contas realizadas pelo ECO com base nos dados da entidade liderada por Graça Freitas.

Portugal é atualmente o país da União Europeia (UE) com a maior taxa de infeções diárias por milhão de habitantes. Só na terça-feira, o país registou 24.538 infeções pelo SARS-CoV-2 e mais 26 óbitos, tendo registado mais de 20 mil casos por dia pelo segundo dia consecutivo. Os especialistas estão a associar esta subida das infeções ao levantamento das restrições, dado que a máscara deixou de ser obrigatória na generalidade dos espaços fechados a 22 de abril, bem como ao surgimento de novas variantes do vírus, nomeadamente da B.A.5 da Ómicron, que representava aproximadamente “37% dos casos positivos ao dia 8 de maio”, mas que se estima que possa chegar aos 80% a 22 de maio, segundo o último relatório do INSA divulgado na terça-feira.

Neste contexto, os especialistas do Instituto Superior Técnico alertam que uma sexta vaga da pandemia poderá estar a “desenhar-se de forma muito intensa” e que a subida de casos “provavelmente contribuirá” para o aumento da mortalidade nos próximos 30 dias. Certo é que a subida de casos está também a ter reflexo na mortalidade associada à Covid. Entre 1 e 10 de maio, foram declarados 204 óbitos por Covid-19 em Portugal, isto é, um valor 11,3 vezes superior ao registado em igual período de 2021 (tinham sido declarados 18 óbitos nesse período). Contas feitas, nos primeiros 10 dias deste mês foram declarados 20,4 óbitos por dia, segundo as contas realizadas pelo ECO.

Esta tendência é também demonstrada noutros indicadores que ajudam a monitorizar a pandemia, nomeadamente a incidência e o índice de transmissibilidade (Rt). Portugal registava uma incidência de 740 casos por 100.000 habitantes, a 7 dias, na passada sexta-feira, o que representa mais 33% face à semana anterior e ainda que com uma “tendência estável” em quase todas as regiões e grupos etários, isto é, à exceção dos “casos com 80 ou mais anos, anos, que apresentam uma tendência crescente”, segundo o último relatório semanal da DGS e do INSA. Já o índice de transmissibilidade fixava-se nos 1,07 com tendência crescente nas regiões Norte, Centro e nos Açores.

Contudo, importa sublinhar que o facto de a variante Ómicron ser aparentemente menos severa, sobretudo em pessoas vacinadas, e a elevada taxa de vacinação da população portuguesa reflete-se em larga medida na menor pressão sobre o sistema hospitalar, pelo que o país está longe dos valores registados na terceira vaga da pandemia. A 2 de maio, havia 1.119 doentes internados em enfermaria geral, dos quais 60 em unidades de cuidados intensivos (UCI), de acordo com o último balanço da DGS e do INSA. Isto significa que a taxa de ocupação em UCI está em 23,5% do limite de 255 camas definido como crítico, ainda que com “tendência crescente” (um aumento de 22% face à semana anterior).

Casos nos últimos três meses são 10 vezes mais, mas mortalidade cai para pouco mais de metade

Mas o aumento de casos não é exclusivo deste mês. Apesar de os valores estarem substancialmente abaixo dos registados no “pico” da quinta vaga — dado que só em janeiro deste ano foram identificados mais de 1,27 milhão de novos casos –, nos últimos três meses, o número de infeções aumentou significativamente face a igual período do ano passado. Entre 1 fevereiro e 30 de abril deste ano, foram registados 1.130.074 casos por Covid-19 em Portugal, isto é, um valor cerca de 10 vezes superior face às 110.715 identificadas, em termos acumulados, em igual período de 2021. Recorde-se que a 19 de fevereiro, o Governo levantou a generalidade das restrições aplicadas no âmbito da pandemia, pondo fim ao confinamento de contactos de risco, à recomendação de teletrabalho, aos limites de lotação dos estabelecimentos, bem como à exigência de apresentação de certificado digital para eventos desportivos, bares e discotecas, entre outras medidas, mantendo apenas a obrigatoriedade do uso de máscara na generalidade dos espaços (que agora foi praticamente toda levantada).

Não obstante, a mortalidade associada à Covid caiu para pouco mais de metade nos últimos três meses deste ano, face ao período homólogo. Entre 1 de fevereiro e 30 de abril foram declarados 2.350 óbitos associados à Covid contra os 4.176 óbitos declarados em igual período do ano passado, segundo os dados divulgados pela DGS. Estes valores refletem, desde modo, o impacto da vacinação, dado que só em julho do ano passado a inoculação entrou em fase “cruzeiro”, pelo que nessa altura grande parte dos portugueses ainda não tinha sequer o esquema vacinal primário completo.

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