Custo do trabalho na construção sobe 6,5% no arranque de 2022

Além da pressão dos salários por causa da falta de mão de obra, o setor da construção registou menos horas trabalhadas, o que poderá estar relacionado com a falta de materiais.

O mercado de trabalho em Portugal continua a melhorar, com a taxa de desemprego a descer novamente para os 5,9% no primeiro trimestre deste ano. Porém, os custos com os trabalhadores até desaceleraram no arranque de 2022, ainda que tal possa estar relacionado com um efeito estatística do lay-off simplificado. A construção continua a destacar-se com o maior aumento homólogo dos custos do trabalho, tendo acelerado face ao final de 2021.

“No 1.º trimestre de 2022, o Índice de Custo do Trabalho (ICT) registou um acréscimo homólogo de 1,1%“, anuncia o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta sexta-feira, referindo que “no trimestre anterior, tinha aumentado 2,6%“.

O gabinete de estatísticas explica que o ICT, que mede os custos do trabalho por hora efetivamente trabalhada, integra no seu cálculo os encargos salariais “que foram parcialmente suportados pela Segurança Social no âmbito das medidas de proteção ao emprego, com a instituição, em particular, do regime de lay-off simplificado no contexto pandémico”. Na prática, “na perspetiva das empresas estes custos tendem a estar sobrestimados durante o período de vigência deste regime”.

Os dados mostram que a grande diferente está nos custos salariais por hora efetivamente trabalhada: aumentaram 0,4% no primeiro trimestre de 2022, em comparação com 2,6% no quarto trimestre de 2021. Já os outros custos do trabalho, também por hora efetivamente trabalhada, aceleraram para 3,8%, acima dos 2,5% do trimestre anterior.

Por setores, o maior aumento verificou-se no setor da construção com uma subida de 6,5%. Esta variação homóloga representa uma aceleração face 4,8% registado no quarto trimestre de 2021. Contudo, o INE sublinha que “o forte acréscimo naqueles custos na construção foi explicado pelo decréscimo no número de horas efetivamente trabalhadas por trabalhador“. Tal poderá estar relacionado com a falta de materiais, fruto da rápida subida dos preços e das dificuldades nas cadeias de valor internacionais, o que tem afetado as obras.

Já a maior queda registou-se na administração pública com uma descida de 2,2%. Esta descida é explicada pelo “aumento no número de horas efetivamente trabalhadas por trabalhador nestas atividades”. “No trimestre anterior, com exceção dos serviços, os custos salariais tinham registado acréscimos em todas as atividades económicas”, recorda o INE.

“Os custos não salariais registaram variações superiores às dos custos salariais”, nota o gabinete de estatísticas, explicando que “o aumento mais acentuado dos outros custos resulta da retoma do pagamento das contribuições patronais das empresas, que no trimestre homólogo tinham aderido ao regime de lay-off simplificado ou ao Apoio Extraordinário à Retoma Progressiva”. No lay-off, essas contribuições não tinham de ser pagas à Segurança Social.

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