Criptomoedas “criam problemas de potencial instabilidade financeira”, diz Vítor Constâncio

Antigo governador do Banco de Portugal afirma que as notas e as moedas "estão condenadas a desaparecer", mas alerta que as moedas virtuais significam "instabilidade financeira".

O ex-governador do Banco de Portugal (BdP) considera que as notas e as moedas “estão condenadas a desaparecer”, mas alerta que as moedas virtuais, conhecidas como criptomoedas, trazem “instabilidade financeira” ao sistema bancário.

“As moedas e as notas estão a desaparecer, há vários países em que quase desapareceram, como na Suécia e na Austrália, e estarão em diminuição em todos os outros países, por enquanto ainda não na área do euro, mas isso acabará inevitavelmente por acontecer“, disse Vítor Constâncio esta segunda-feira, durante o evento de comemoração dos 111 anos do ISEG.

Por isso mesmo, essa é uma das razões por que se pensa na criação de uma moeda digital do banco central, mas também porque “houve durante algum tempo o temor de que a expansão de moedas digitais privadas pudesse pôr em causa a soberania monetária dos diferentes países”.

Vítor Constâncio notou que as moedas virtuais preocuparam, “durante algum tempo”, os “próprios bancos em geral”, sobretudo por representarem dois riscos: risco do uso para fins ilegais e o risco de desintermediação bancária. “Poderiam pôr em risco a existência dos bancos”, disse. “Algumas delas [das moedas virtuais] criam problemas de potencial instabilidade financeira”, acrescentou.

O ex-governador falou ainda das “stable coins“, afirmando que estas “poderiam ser uma ameaça” e usando como exemplo o Facebook, que propôs “criar uma cripto coisa chamada libra”, um “projeto que foi devidamente chumbado”.

No mesmo evento, Mário Centeno, atual governador do BdP, falou dos aumentos sucessivos da taxa de inflação. “O fenómeno da inflação é um momento muito complexo das nossas vidas”, disse, referindo que esse problema se estende “à Europa e ao mundo”. “Já tínhamos outras fontes de preocupação, mas esta está no centro das nossas vidas”, acrescentou.

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