Exclusivo Efacec tem prejuízos de 21,5 milhões no primeiro trimestre

Os resultados da Efacec, empresa em pleno processo de venda à DST, estão cada vez piores. Prejuízos de 21,5 milhões no primeiro trimestre e receitas muito abaixo do orçamentado.

Os resultados da Efacec em 2021, um prejuízo consolidado de 183,9 milhões de euros, um prejuízo operacional de gestão de quase 40 milhões e uma dívida líquida de 193 milhões de euros, foram uma espécie de limpeza dos esqueletos no armário. Mas os números do primeiro trimestre não antecipam uma correção da trajetória, pelo contrário. De acordo com os números a que o ECO teve acesso, os prejuízos atingiram os 21,5 milhões de euros, enquanto o resultado operacional foi de -18 milhões.

A gestão executiva liderada por Ângelo Ramalho comunicou ao conselho de administração, onde está Jaime Andrez, da Parpública, que as receitas no primeiro trimestre foram de 33,4 milhões, 47% abaixo do objetivo fixado no orçamento, ou seja, menos 29,4 milhões. E se comparado com o período homólogo, a queda é até superior: Uma redução de 38,3 milhões (-53%) face aos primeiros três meses do ano passado.

Já o cashflow operacional, nestes primeiros três meses, apresentou uma degradação de quase dez milhões face ao previsto, e fechou mesmo nos dez milhões negativos, suportado por um desvio de 9,1 milhões no EBITDA. E a dívida líquida superou os 205 milhões de euros.

Pior, a situação de tesouraria da Efacec continua sob pressão. De acordo com outra análise da gestão executiva da Efacec, “para manter um nível de atividade em linha com a média dos últimos meses (15 milhões de euros de faturação mensal), a Efacec necessita de uma entrada adicional de fundos de 50 milhões de euros” entre duas operações, uma de 30 milhões de euros e outra de 20 milhões, entre março e maio. Só que estes fundos não terão entrado no prazo previsto. Estes fundos serviriam, segundo a gestão, para “pagamentos a fornecedores (incluindo situações de Acordos e Contencioso) permitindo estabilizar a atividade e gerar os recebimentos necessários para atingir um cash-flow recorrente próximo de zero“.

A Efacec, recorde-se, está num processo de reprivatização, um negócio já fechado com a DST e que tem ainda de ser notificado à Direção Geral da Concorrência europeia (DGComp) e receber autorização formal para se efetivar. Nesse acordo, o Estado compromete-se a pôr 60 milhões de euros em capital, além do Banco de Fomento garantir uma linha de 100 milhões de euros a 20 anos com uma taxa de 1,5% e um período de carência. O argumento para a nacionalização, protagonizada pelo ex-ministro Siza Vieira, foi o de que a Efacec era uma empresa estratégica. O Estado tinha nacionalizado 71,73% da Efacec que estavam nas mãos de Isabel dos Santos para “viabilizar a continuidade da empresa, garantindo a estabilidade do seu valor financeiro e operacional”, dizia o ministro, mas a cada trimestre que passa, nem a estabilidade financeira nem operacional estão assegurados, pelo contrário. A Efacec, confrontada com estes números, optou por não fazer comentários.

Recentemente, o ministro da Economia revelou que as negociações com a DST, a empresa selecionada para a compra da posição do Estado na Efacec, continuavam a decorrer e que o “contrato inicial já foi corrigido”, sem esclarecer o que terá sido alterado.

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