BRANDS' PESSOAS A crescente importância do desenvolvimento profissional

  • PESSOAS + EY
  • 20 Junho 2022

Após a Great Resignation, a Reskilling Revolution será a próxima tendência que colocará à prova as organizações, em especial a sua estratégia e oferta em aprendizagem e desenvolvimento profissional.

Com a pandemia de Covid-19 houve um impacto considerável em todas as componentes da vida profissional e pessoal de cada um, incluindo também a adição de novos termos que não faziam parte do nosso vocabulário.

Um dos novos termos que surgiu com a pandemia, ficando conhecido em todo o mundo, foi a Great Resignation – termo criado pelo professor Anthony Klotz na Mays Business School da Texas A&M University – que representa o fenómeno da demissão voluntária em massa de milhares de colaboradores dos seus empregos num momento de grande incerteza económica. Este fenómeno impacta o mercado de trabalho a nível global, mas tem especial incidência nos Estados Unidos, onde com base nos dados do Departamento do Estado dos EUA, mais de 47 milhões de colaboradores demitiram-se voluntariamente no ano de 2021, superando o recorde anterior de 2019.

Apesar de não existirem sinais claros de que a Great Resignation estar a terminar, este fenómeno evidencia a importância das organizações serem céleres a reagir a este tipo de estímulos externos, e à necessidade de preparação para futuras tendências que possam ser igualmente disruptivas.

Segundo o World Economic Forum (WEF), a par do impacto da pandemia, a evolução tecnológica e a transição energética compõem um trio de mudança para o status-quo do mercado de trabalho, da forma de sustento das pessoas e também das competências necessárias para as funções futuras.

Este tipo de mudança pode ser ilustrado em várias vertentes:

  • Na continuação de inclusão de automatismos e máquinas/robôs nos trabalhos atuais, sendo previsto em 2025 que o tempo em tarefas seja distribuído de forma igual entre máquinas e humanos – de acordo com estudo Future of Jobs Report 2020 do WEF;
  • Na transformação radical dos trabalhos e de competências necessárias para os mesmos, sendo que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) estima que 1.1 biliões de trabalhos podem ser alvos desta transformação radical nesta década.

Atualmente já é sentido por parte das organizações um défice de competências no mercado de trabalho, que não permite corresponder à procura por certas skills cada vez mais relevantes e presentes num maior número de funções – e.g. competências digitais.

"a próxima tendência que irá colocar à prova as organizações, em especial a sua estratégia e oferta em aprendizagem e desenvolvimento profissional, após a Great Resignation será a Reskilling Revolution.”

Nuno Aniceto

Manager EY, People Advisory Services

Com a transformação radical do trabalho, a OCDE afirma que cerca de metade das competências essenciais para o trabalho irão mudar durante o ano de 2022 – o que coloca uma pressão muito grande não só na formação de pessoas que irão ingressar no mercado de trabalho pela primeira vez, mas também na estratégia e oferta em aprendizagem e desenvolvimento profissional das organizações para os seus atuais colaboradores.

Tendo em conta estes indicadores, a próxima tendência que irá colocar à prova as organizações, em especial a sua estratégia e oferta em aprendizagem e desenvolvimento profissional, após a Great Resignation será a Reskilling Revolution.

Para as organizações estarem preparadas para a Reskilling Revolution, será importante que as mesmas tenham em conta a importância de:

  • estabelecer uma cultura de aprendizagem contínua;
  • permitir o acesso de forma rápida, on-the-go e intuitiva a uma oferta alargada de conteúdos de aprendizagem e desenvolvimento profissional;
  • personalizar e curar essa oferta de conteúdos a cada colaborador;
  • fornecer o acesso aos conteúdos de forma igualitária entre os colaboradores;
  • estabelecer e promover programas de mobilidade interna.

"A Reskilling Revolution não é apenas um desafio que tem de ser ultrapassado pelas organizações, mas uma oportunidade para as mesmas investirem e priorizarem aprendizagem contínua para ganhar vantagens competitivas através da qualidade do seu capital humano.”

Nuno Aniceto

Manager EY, People Advisory Services

Atualmente, apenas cerca de 0.5% do PIB mundial é investido para formação contínua de adultos. No entanto, segundo o WEF, caso exista um investimento em larga escala em aprendizagem e desenvolvimento profissional existe o potencial de aumentar o PIB mundial em 6.5 triliões de dólares até 2030.

Assim, a Reskilling Revolution não é apenas um desafio que tem de ser ultrapassado pelas organizações, mas uma oportunidade para as mesmas investirem e priorizarem aprendizagem contínua para ganhar vantagens competitivas através da qualidade do seu capital humano.

Texto por Nuno Aniceto, Manager EY, People Advisory Services

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