Consultora britânica BJSS troca de escritórios e alarga equipa em Portugal

Dois anos após chegar a Portugal, a consultora de tecnologia e engenharia BJSS muda para instalações maiores no Porto e Lisboa. Reforça a Norte com 40 pessoas e prepara terceira localização em 2023.

A consultora de tecnologia e engenharia BJSS, que arrancou as operações em Portugal no verão de 2020, acaba de mudar a atual equipa de 27 pessoas no Porto, de um espaço de coworking perto da estação de S. Bento, no centro histórico, para um escritório de 430 metros quadrados no complexo empresarial Burgo, na avenida da Boavista, com capacidade para quase 80 pessoas. Depois de Lisboa e Porto, a consultora britânica prepara, para o próximo ano, uma terceira localização também na região Norte.

A aposta na cidade Invicta surge por ser “a capital do Norte, que centraliza o talento que orbita nesta região”, justifica Pedro Ferreira, diretor geral do grupo britânico em Portugal, em entrevista ao ECO/Pessoas. Apesar de estar a operar num modelo híbrido e “raramente” ter toda a equipa reunida, o gestor nota que “as pessoas já têm alguma necessidade de interação e, por isso, continua a fazer sentido ter escritórios físicos”.

Também em Lisboa, onde arrancou a operação nacional há quase dois anos e emprega atualmente perto de 75 profissionais, a BJSS tem prevista uma mudança de instalações, calendarizada para o final de setembro. Permanece no Parque das Nações, mas troca um espaço de 300 m2 por outro de 1.470m2 no novo Exeo Office Campus, com “condições mais adaptadas a um mundo pós-pandemia”, incluindo zonas de colaboração e de interação digital.

A consultora que, a partir de Portugal, trabalha o mercado doméstico (público e privado) e tem como clientes empresas em Espanha – entre as quais a gigante Inditex, dona da Zara – e no Reino Unido, frisa que o escritório no Porto, inaugurado esta semana, não é o último que vai abrir no país. “Vamos continuar a expandir e abrir um terceiro escritório algures em 2023, que em princípio será também no Norte”. Braga? “É uma das opções finais”, responde Pedro Ferreira.

A BJSS soma um total de 102 colaboradores em Portugal e mantém a meta de chegar aos 150 até abril de 2023. Até ao final deste ano prevê mais do que duplicar a equipa baseada no Porto, recrutando perto de 40 profissionais, conseguindo desta forma “equilibrar o número de pessoas” nos dois escritórios, sublinhou o diretor-geral em solo nacional, que viveu nove anos no Reino Unido.

A consultora faz o desenvolvimento interativo de soluções tecnológicas, o que significa que, em termos de perfis, precisa de “um bocadinho de tudo”: engenheiros de plataforma, programadores, analistas de negócio, gestores de projeto, investigadores, product designers para o desenho das soluções. Procuram “pessoas versáteis, que queiram aprender e com interesse em resolver problemas”.

“Há muito talento em Portugal e sabemos o que estamos a oferecer, que acaba por ser interessante. Somos uma consultora muito informal, com uma estrutura pouco hierárquica, e a capacidade de trabalharmos vários problemas, setores, tipos de tecnologias e soluções acaba por ser um aliciante para as pessoas. E continuamos a investir na aprendizagem das pessoas. Obviamente, o mercado está muito competitivo, mas temos conseguido continuar a crescer”, resume Pedro Ferreira.

Vamos ser mais conhecidos no mercado nos anos que aí vêm e vamos ter uma terceira localização. Estamos a ir na direção correta.

Amir Soufizadeh

Responsável pela expansão internacional da BJSS

De passagem esta semana pelo Porto, o responsável pela expansão internacional da BJSS, Amir Soufizadeh, considera que “Portugal é um sítio fenomenal para construir uma equipa”, garante ao ECO/Pessoas. “Se olharmos aos 20 meses em que estamos a operar aqui, estou muito confiante que podemos crescer uma taxa similar. Vamos ser mais conhecidos no mercado nos anos que aí vêm e vamos ter uma terceira localização. Estamos a ir na direção correta”, sublinhou. Prevê uma faturação a rondar os 20 milhões de euros em 2022, o que compara com os 12 milhões no ano passado.

Impostos e rendas condicionam investimento estrangeiro

Fundada em 1993 por dois programadores de Leeds, no Norte de Inglaterra, que ainda hoje continuam a ser os únicos acionistas, a BJSS trabalha com a administração pública e com setores como a saúde, retalho, financeiro (bancos e seguradoras) ou energia – aliás, o cliente mais antigo é a BP. No último exercício fiscal, terminado em abril de 2021, o volume de negócios ascendeu a 196 milhões de libras (227 milhões de euros).

A consultora tecnológica soma mais de 2.200 funcionários divididos por 26 escritórios: 20 no Reino Unido e os restantes nos EUA (Nova Iorque e Houston), em Portugal (Lisboa e Porto), na Austrália (Melbourne), na Irlanda (Dublin) e em Copenhaga (Dinamarca). A internacionalização arrancou antes, mas foi acelerada pelo brexit. “Estrategicamente, uma consultora britânica que se queira expandir globalmente tem de ter um pé na Europa e [após o referendo] deixou de beneficiar de tudo o que se pode ter acesso na União Europeia”.

Pedro Ferreira, diretor-geral da Bjss em Portugal

Pedro Ferreira trabalhou durante quatro na BJSS em Leeds, até montar um caso de negócio que convenceu a administração a investir 12 milhões de euros em Portugal e regressar ao país natal para iniciar essa operação. Questionado sobre as fraquezas do país para a atração de mais hubs tecnológicos globais, começou por destacar a elevada carga fiscal que “limita a capacidade de qualquer empresa pagar ainda melhor e que o colaborador leve mais dinheiro para casa no final do mês”.

“Notamos também que os valores imobiliários em Portugal são mesmo muito altos. No Porto já começa a aumentar, mas em Lisboa estão astronómicos. Os preços das rendas dos escritórios [na capital] já começam a chegar aos níveis de Londres. Termos, ao mesmo tempo, as rendas a aumentar e esta carga fiscal elevada, prejudica o campo de ação das empresas e também o poder de compra das pessoas”, completa o diretor, salvaguardando que “nada disso limita a ação e expansão” da BJSS em Portugal.

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