Seguros de crédito enfrentam acréscimo de sinistros em 2022 e 2023

  • ECO Seguros
  • 6 Julho 2022

Allianz Trade admite cenário de recessão económica em 2023. Efeito da guerra na Ucrânia, consultora e corretora AU Group já nota acréscimo em sinistros de crédito.

 

As medidas públicas aplicadas em 2021, para relançar a economia em contexto “pós Covid,” impactaram positivamente o volume de negócios no setor de seguros de crédito. Porém, após melhoria nos indicadores macroeconómicos na segunda metade de 2021, animados com perspetivas de saída progressiva da crise pandémica, os cenários para a economia mundial agravaram-se desde a primavera de 2022.

A agressão militar da Rússia à Ucrânia, pressionando os preços da energia e impondo bloqueios no acesso matérias-primas, com consequente espiral inflacionista, reativaram volatilidade e incerteza, o que justifica maior esforço de adaptação aos operadores económicos e incremento do risco de crédito, salienta análise do AU Group, empresa de corretagem e especialista em consultoria de crédito comercial e risco político. A deterioração da situação económica conduzirá a um aumento das falências em várias regiões do mundo, perspetiva a empresa sem descartar o espetro de uma recessão em 2023. “Notamos que as seguradoras já registam um aumento de sinistralidade”, diz Olivier de la Pontais, diretor no AU Group.

Prevendo aumento no número de falências empresariais para o final de 2022 e em 2023, a empresa lembra que, num mercado de seguros de crédito estimado em 8 mil milhões de euros e crescimento em volume (de 7% a 8% em 2021), três grandes operadores que concentram 70% do volume global de prémios beneficiaram de níveis de sinistralidade historicamente baixos e registaram assinalável recuperação na rentabilidade.

A Allianz Trade (anteriormente designada Euler Hermes e acionista da portuguesa Cosec), com 31% de participação no mercado global, registou um crescimento no volume de negócios da ordem de 6% em 2021, para novo recorde histórico. A Atradius (que detém a espanhola CyC), com 24% de quota global, liderou o crescimento relativo (+8,7%) registando igualmente receita anual recorde e a multiplicar lucros por mais de cinco. Por fim, a Coface, com 16% do mercado global, cresceu negócio 8,1% e quase triplicou resultados.

Recessão e dois dígitos no acréscimo global de falências

Agora, com duração e amplitude incerta da guerra na Europa, nuvens negras ensombram o horizonte. O mais recente “Economic & Market Outlook” da Allianz Trade sublinha a incerteza como efeito de um “risco geopolítico que permanece elevado.” Neste contexto, a seguradora de crédito perspetiva aumento de 10% nas falências empresariais em 2022 e incremento de 14% em 2023, colocando um em cada 3 países a retornar em 2022 aos níveis de insolvência empresarial pré pandemia, agravando a incidência a um em cada dois países em 2023.

O relatório projeta 2,9% de crescimento na economia mundial este ano (pib global) e de 2,5% em 2023, ou seja, menos 0,4 pontos percentuais (pp) e -0,3 pp relativamente à estimativa apresentada em março. Segundo explica a Allianz Trade, a revisão reflete maiores impactos diretos e indiretos da guerra na Ucrânia e bloqueios mais longos do que previsto na China. Estes dois fatores irão pressionar negativamente a evolução do produto global (-1,2 pp e -0,6 pp respetivamente em 2022 e 2023), aponta prognóstico da seguradora.

No mesmo relatório, a companhia germânica admite que o comércio internacional já contraiu no 2º trimestre (-1,3% em variação sequencial), prevendo agora que as trocas cresçam 3,5% em 2022 e 3,6% no próximo ano, em volume, “bastante abaixo do consenso,” refere o Outlook.

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