Portugueses precisam do equivalente a 11,4 anos de salários para comprar uma casa

Entre o final de 2019 e o final de 2021, a evolução média dos preços da habitação na OCDE foi de 13%. Preços das casas estão mais altos do que estariam se a Covid não tivesse existido.

Entre o final de 2019 e o final de 2021, a evolução média dos preços da habitação na OCDE foi de 13%, de acordo com um estudo daquela organização. Os preços têm disparado nos últimos anos, mas os rendimentos das famílias não têm acompanhado essa evolução. Os portugueses precisam do equivalente a 11,4 anos de salários para conseguir comprar uma casa com 100 metros quadrados. Estudo mostra ainda que preços estão atualmente mais altos do que provavelmente estariam se a Covid não tivesse existido.

Os preços das casas tiveram um “rápido crescimento” durante a pandemia, tendo aumentado, em média, 13% nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) entre o final de 2019 e o final de 2021. O estudo “Tributação da habitação nos países da OCDE” indica que o preço da habitação e o rendimento líquido das famílias avançaram a velocidades diferentes nas últimas décadas.

E isso trouxe consequências. O rendimento total que uma família deve alocar para comprar uma casa aumentou exponencialmente. Analisando as 31 principais economias da OCDE, observa-se que, em 2020, em Portugal, um agregado familiar precisava do equivalente a 11,4 anos de salários para comprar uma casa de 100 metros quadrados, praticamente o mesmo do que precisava em 2000 (11,3 anos).

Número de anos precisos para o rendimento médio acumulado do agregado familiar ser igual ao preço médio de uma habitação de 100m2 | Fonte: OCDE

Portugal aparece, assim, acima do meio da tabela, à frente de países como os Estados Unidos (onde as famílias precisam do equivalente a 4,1 anos de salários), Noruega (7,8 anos), Reino Unido (11 anos) ou Suécia (11,2 anos). Atrás de Portugal, com um esforço ainda maior, aparecem países como a Suíça (12,6 anos), França (12,8 anos), Luxemburgo (15,8 anos) ou Nova Zelândia (18,7 anos).

“A diminuição da acessibilidade à habitação levou a desafios económicos e sociais que afetam desproporcionalmente as famílias mais pobres e os jovens”, afirma a OCDE. Os preços das casas e as rendas “subiram mais rapidamente do que a inflação e os rendimentos nas últimas décadas e, embora a redução das taxas de juro tenha reduzido os custos das hipotecas, amorteceu apenas parcialmente o impacto dos preços mais altos das casas“, lê-se.

A organização afirma que o peso médio das despesas relacionadas com a habitação nas despesas gerais das famílias aumentou em toda a OCDE entre 2005 e 2015. E isto acaba por ter um maior impacto nas famílias de baixos rendimentos e mais jovens. “O aumento dos preços das casas contribui para uma crescente divisão económica entre as famílias” que são proprietárias de uma casa e aquelas que não são.

Preços das casas estão mais altos do que estariam se a Covid não tivesse existido

Os preços das casas assistiram a um “aumento sustentado e significativo ao longo do século passado, com um crescimento particularmente forte desde meados da década de 1990“, afirma a OCDE, no mesmo estudo.

Entre 1921 e 2021, “embora tenha havido algumas flutuações”, houve um “crescimento forte e contínuo dos preços reais da habitação, com o índice a aumentar seis vezes ao longo do século passado“. A partir de meados da década de 90, “houve uma aceleração significativa no crescimento dos preços da habitação (…), apenas brevemente interrompida por um declínio temporário dos preços da habitação após a crise financeira global”.

Índice de preços das casas – média de 14 países. 1921-2021 | Fonte: OCDE

Em 2020, a pandemia fez disparar ainda mais os preços das casas, diz a OCDE – 11 países viram crescimentos acima dos 15%, enquanto seis países tiveram aumentos inferiores a 5%. “O crescimento dos preços das casas ficou acima da tendência pré-pandemia em quase todos os países, o que indica que os preços estão agora mais altos do que provavelmente estariam se a pandemia não tivesse ocorrido“, lê-se no estudo.

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