Gasolina na bomba abaixo do preço antes da guerra

A gasolina 95 vai descer na segunda-feira, pela 9.ª semana consecutiva, ficando 10 cêntimos mais barata. Pela primeira vez, as bombas vão vender abaixo do preço a que vendiam antes da invasão russa.

Na próxima segunda-feira os preços da gasolina e do gasóleo voltam a baixar. E o preço médio da gasolina 95 regressará pela primeira vez aos níveis pré-guerra. A correção dos preços está sobretudo a refletir a queda do brent nos mercados internacionais, numa altura em que muitos investidores temem a chegada de uma recessão à Europa provocada precisamente pela guerra e pelos altos preços da energia.

O gasóleo vai registar uma queda de 9 cêntimos, para um valor médio de 1,740 euros, segundo avançou ao ECO fonte de uma das maiores petrolíferas do país. Os números desta sexta-feira garantem a descida do combustível pela sétima semana consecutiva.

Em relação à gasolina 95 será a nona semana consecutiva a descer. De acordo com os dados da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a última vez que a gasolina tinha registado um ciclo tão prolongado de descidas foi em novembro de 2018, ou seja, há quase quatro anos.

Se for à bomba na próxima segunda-feira deverá encontrar a gasolina 95 cerca 10 cêntimos mais barata, o que levará o preço médio de venda ao público para os 1,789 euros (os preços de venda calculados pela DGEG já têm em conta os descontos aplicados pelas gasolineiras). É a primeira vez que a gasolina 95 ficará abaixo dos 1,813 euros, valor registado na semana em que a Rússia invadiu a Ucrânia. A guerra começou na madrugada do dia 24 de fevereiro.

Logo na semana seguinte começou a escalada de preços que haveria de levar os combustíveis bem acima dos 2 euros/litro por causa dos efeitos da guerra e do embargo ao petróleo russo decretado pelo Ocidente. No entanto, nas últimas semanas começaram a chegar notícias do arrefecimento da economia, com o FMI a cortar as previsões de crescimento da economia mundial e com os EUA, a maior economia do mundo, a entrarem em recessão técnica.

O medo de uma recessão e a notícia de que as reservas de crude e de gasolina dos EUA aumentaram inesperadamente na semana passada provocaram uma descida acentuada das cotações do barril de petróleo nos mercados internacionais. A média dos preços do brent esta a semana (em dólares e em euros) registou uma descida superior a 8% em relação à média da semana passada, o que explica mais uma queda dos preços dos combustíveis na bomba, na próxima segunda-feira.

Se o preço da gasolina 95 já está abaixo do nível pré-guerra, em relação ao gasóleo, mesmo com a descida da próxima segunda-feira, continuará 9,2 cêntimos acima do valor registado na semana em que começou a guerra na Ucrânia.

Recorde-se que os preços nas bombas continuam a beneficiar de três medidas de mitigação implementadas pelo Governo e que vão ser reavaliadas no final de agosto.

O desconto no ISP equivalente a uma descida da taxa do IVA dos 23% para 13%, a compensação por via de redução de ISP da receita adicional de IVA, e a suspensão da atualização da taxa de carbono baixaram em 28,2 cêntimos a carga fiscal do gasóleo e em 32,1 cêntimos a carga fiscal da gasolina.

(Notícia atualizada às 14h50 já com valores atualizados e definitivos de sexta-feira.)

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