Crescimento no Brasil e valorização do real dão empurrão às contas da TAP

A companhia aumentou significativamente o número de passageiros transportados nos aeroportos brasileiros no segundo trimestre. Valorização do real face ao euro também ajuda.

A TAP vai dar a conhecer as contas do primeiro semestre na próxima terça-feira. Os números ainda são segredo, mas uma coisa é certa: o Brasil vai dar uma ajuda aos resultados. A companhia portuguesa transportou 397 mil passageiros naquele destino entre abril e junho, mais 63% do que nos três meses anteriores. Além disso, o real valorizou-se contra o euro.

A empresa liderada por Christine Ourmières-Widener registou um prejuízo de 121 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, menos 66,7% do que no mesmo período de 2021. Quando divulgar os números de abril a junho, no dia 23, a comparação deverá ser ainda mais lisonjeira, graças à forte recuperação do tráfego aéreo. E há um mercado que voltará a ganhar peso nos resultados: o Brasil.

Os dados da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) brasileira mostram que a TAP transportou 397 mil passageiros no segundo trimestre, mais 63% do que entre janeiro e março. Se a comparação for feita com o mesmo período do ano passado, quando a companhia se ficou pelos 60 mil passageiros, o crescimento é de 562%.

Outra boa notícia é que os Airbus da TAP atravessaram o Atlântico mais cheios. A taxa de ocupação (rácio entre passageiros-quilómetro e lugares-quilómetro) saltou de 69% no primeiro trimestre para 82% no segundo. O que significa que a receita por voo também subiu.

Há ainda outro fator que será benéfico para a transportadora: o câmbio. Nas contas dos primeiros três meses do ano, a companhia destacou “a valorização dos recebíveis do Brasil, por via da apreciação do real face ao euro”. Ora essa tendência manteve-se entre abril e junho, com o câmbio médio da divida brasileira a ser 12,% superior: 0,17 euros contra 0,19 euros.

Com o regresso dos voos para Porto Alegre a 29 de março, a TAP voltou a operar em todas as rotas que tinha para o Brasil antes da pandemia. No total são 11 cidades e 13 rotas. Graças ao crescimento verificado, em junho a companhia já transportou 89% dos passageiros que tinha no mesmo mês de 2019. A atestar a importância deste mercado está também o facto de a CEO, Christine Ourmières-Widener, ter-se já deslocado por várias vezes ao país desde que assumiu o cargo.

Os números do semestre são também expressivos. Os dados da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) brasileira mostram que a TAP transportou 640 mil passageiros no primeiro semestre deste ano, mais 538 mil do que no mesmo período de 2021. O que equivale a um crescimento de 526%.

Este desempenho permitiu também à companhia aérea portuguesa recuperar o estatuto de maior transportadora estrangeira nos aeroportos brasileiros. No primeiro semestre do ano passado, a posição cimeira pertencia à Copa Airlines, do Panamá. A TAP voltou à liderança na segunda metade de 2021 e alargou a vantagem este ano, com mais 36% de passageiros que a American Airlines (471 mil). A quota de mercado da companhia portuguesa foi de 12,7%.

O segundo trimestre ficou ainda marcado pelo fecho definitivo da Manutenção e Engenharia Brasil, em maio, que desde que foi adquirida em 2006 registou prejuízos sucessivos. A empresa contabilizou ainda nos resultados de 2021 custos não recorrentes de 1.024,9 milhões devido ao encerramento, mas este ainda poderá ter encargos que penalizem as contas do semestre. É uma de várias incógnitas, como seja o impacto da subida dos custos com combustível ou da desvalorização do euro contra o dólar.

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