Empresas “sentiram menos apoio” com medidas anunciadas pelo Governo

"Perdeu-se a oportunidade e o momento", diz o vice-presidente da CIP, sobre as medidas de apoio anunciadas pelo Governo para lidar com o aumento da inflação.

As empresas estavam com expectativas quanto às medidas de apoio a ser anunciadas pelo Governo face ao aumento de inflação, mas depois de estas serem conhecidas as reações não foram as mais positivas. A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) considera que se “perdeu a oportunidade e o momento” de ajudar realmente as empresas nacionais e que estas “sentiram um pouco menos apoio perante as dificuldades que se mantêm”.

Rever o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), reduzir o IRC, suspender os pagamentos por conta ou reduzir os prazos de pagamento das entidades públicas. “Esperava-se que essas medidas pudessem ter sido contempladas neste pacote” anunciado pelo Governo, mas “perdeu-se a oportunidade e o momento”, disse o vice-presidente da CIP, Armindo Monteiro, esta segunda-feira.

“Todas as empresas que responderam com expectativa, com certeza sentiram um pouco menos de apoio perante as dificuldades que se mantêm”, acrescentou o responsável, no dia em que foi apresentado o 21.º inquérito “Sinais Vitais da CIP, realizado entre 5 e 15 de setembro.

Antes de serem conhecidas as medidas do Governo, as empresas defendiam que a redução dos impostos sobre a eletricidade, gás e combustíveis, a diminuição da TSU e do IVA seriam decisões adequadas para ajudar os empresários a lidar com os efeitos da inflação.

Os apoios são necessários agora, o momento de atuar é este. O que se nota é que o tempo de atuar é mesmo este e, em alguns casos, começa a ser para além do tempo de atuar. Se não chega essa ajuda, depois fica difícil”, disse Armindo Monteiro, sublinhando que se está a “chegar a uma linha que começa a ser bastante dura para salvaguardar as empresas e os postos de trabalho”.

Maioria das empresas considera apoios insuficientes

O inquérito da CIP, realizado entre 5 e 15 de setembro (um dia antes de ser conhecido o pacote de medidas do Governo), concluiu que 89% das empresas considera que os programas de apoio do Governo estão aquém ou muito aquém do necessário, sendo que apenas 11% consideram que estão à altura das dificuldades. A maioria das empresas (76%) afirma ainda que os apoios são muito burocráticos.

40% das 245 entidades que responderam assistiram a um aumento das vendas e prestação de serviços até ao final de agosto, comparando com 2019 – deste universo, os aumentos foram, em média, de 31%. Das 28% de empresas com quebras nas vendas, as descidas foram de 23%.

Em média, 36% das empresas sofreu um aumento dos custos operacionais, na ordem dos 16% a 35%, enquanto apenas 16% registaram aumentos de custos abaixo de 5%. No entanto, apenas 7% das empresas repercutiram esse aumento dos custos nos preços de venda. “Há, efetivamente, um esforço para manter o nível de preço por parte dos empresários, mesmo com o aumento muito acentuado dos custos”, disse o vice-presidente da CIP.

De acordo com o inquérito, a principal preocupação dos empresários é o aumento dos custos de produção (61%), a escassez de mão-de-obra (15%) e o cancelamento de encomendas (13%). 29% de empresas sofreram redução das encomendas, enquanto 25% das empresas viram uma melhoria.

Para o quarto trimestre, a expectativas de vendas é negativa face a 2019. 28% das empresas esperam um aumento das vendas, mas 34% esperam uma diminuição. Relativamente às empresas que esperam aumentar as vendas, estas contam com subidas médias de 26% do volume de negócios.

Em todas as empresas há uma expectativa maioritária de manutenção dos postos de trabalho: 18% dos empresários pensam aumentar os postos de trabalho enquanto 13% pensam diminuir. A maioria (69%) pensa manter o número de colaboradores.

(Notícia atualizada às 17h27 com mais informação)

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