Presidente da Comissão Europeia deixa aviso à direita italiana

  • ECO
  • 23 Setembro 2022

Ursula disse que o seu executivo está disponível para trabalhar com qualquer governo democrático na UE, mas avisou que tem as "ferramentas" necessárias se as coisas correram mal em Itália.

A presidente da Comissão Europeia alertou Itália para as consequências que poderão advir para a democracia italiana caso a coligação de direita – composta pelos Irmãos de Itália, a Liga (ambos considerados extrema-direita) e a Força Itália (uma ala mais moderada) – vença as eleições gerais marcadas para o próximo domingo e não respeite os princípios da União.

Questionada sobre se está preocupada com as eleições italianas, Ursula Von der Leyen referiu que caso exista uma mudança radical, nomeadamente que vá contra aos princípios europeus, a União Europeia tem “instrumentos” para reagir, tal como fez “nos casos da Polónia e da Hungria”, disse, citada pela Reuters.

Ainda assim, a presidente da Comissão Europeia garantiu que Bruxelas está disposta “a trabalhar com qualquer governo democrático” que esteja, por sua vez, disposto a trabalhar com Bruxelas. Recorde-se que a Comissão Europeia propôs um corte de 65% dos fundos comunitários à Hungria pelas violações do Estado de direito, sendo que anteriormente tinha tomado uma decisão semelhante contra a Polónia.

Estas declarações não agradaram ao líder da Liga, Matteo Salvini, que numa publicação através do Twitter, questionou se as palavras de Ursula Von der Leyen eram uma “ameaça” e pedindo à presidente da Comissão Europeia que “respeite o voto livre, democrático e soberano do povo italiano”. Em declarações a uma televisão italiana, citadas pelo Politico, o líder de extrema-direita afirmou que “se alguém em Bruxelas pensa em cortar os fundos que pertencem à Itália, porque a Liga ganha as eleições, então temos que repensar essa Europa“, acusando o executivo comunitário de “bullying institucional”.

Em face da ascensão da extrema-direita em Itália há quem receie que esta mudança política possa fazer “mossa” na democracia italiana, bem como ter consequências para a unidade e solidariedade da UE. Além disso, teme-se também a proximidade pró-Putin da Liga e do partido Força Itália, liderado por Sílvio Berlusconi.

Na quinta-feira, Berlusconi justificou a invasão da Ucrânia dizendo que o Presidente russo foi “empurrado” nessa direção, que se viu “numa situação realmente difícil” e quis mudar a liderança em Kiev para um governo “decente”. A frase não caiu bem e já forçou o antigo primeiro-ministro a remediar as palavras.

(Notícia atualizada às 19h38 com a reação do líder da Liga do Norte)

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