Galp quase duplica lucros em 2022 para 881 milhões e aumenta dividendo

Petrolífera viu lucros em 2022 quase duplicarem para 881 milhões de euros. Propõe aumentar o dividendo para 52 cêntimos e quer gastar 500 milhões de euros a recomprar ações ao longo deste ano.

A Galp Energia GALP 0,31% praticamente duplicou os lucros em 2022, ano que ficou marcado pela crise energética e pelo início da guerra na Ucrânia. O resultado líquido da petrolífera foi positivo em 881 milhões de euros, o maior da sua história e um crescimento de 93% face ao ano anterior. Observando só o desempenho do quarto trimestre, os lucros da Galp cresceram 143% em termos homólogos, para 273 milhões de euros.

Face a este resultado, comunicado esta segunda-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a administração da companhia propõe distribuir um dividendo bruto de 52 cêntimos por ação, que compara com os 50 cêntimos pagos sobre o exercício do ano prévio, e executar um programa de recompra de ações de 500 milhões de euros ao longo do ano de 2023. Em setembro, já tinha distribuído um dividendo intercalar de 26 cêntimos.

A Galp anunciou também à CMVM que vai desinvestir nos ativos upstream (produção/exploração) em Angola. A empresa informa ter assinado um acordo com a SOMOIL – Sociedade Petrolífera Angolana para a venda dos mesmos e espera receber cerca de 830 milhões de dólares pela venda, líquidos de impostos. A transação deverá ficar fechada no segundo semestre de 2023.

Galp enaltece “forte desempenho” em 2022

O ano de 2022 foi de “forte desempenho operacional” para a companhia liderada por Filipe Silva, que tem sido acusada de ter lucros extraordinários com a guerra. A ajudar o resultado líquido esteve um crescimento de 66% do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), que alcançou 3.849 milhões de euros, facto que a empresa justifica, precisamente, com “a melhoria das condições de mercado durante o período”. O volume de negócios no ano completo foi de 26.840 milhões de euros, uma melhoria de 67%.

No segmento upstream, a produção da Galp manteve-se estável face a 2021, com um aumento marginal. O EBITDA desta área de negócio cresceu 53% em termos anuais. No segmento de renováveis e novos negócios, é de destacar a melhoria significativa do EBTIDA, que passou de 13 milhões de euros negativos em 2021 para 50 milhões de euros positivos em 2022.

Também o segmento midstream, que inclui atividades como o processamento, armazenamento e transporte, registou uma forte melhoria em 2022. O EBITDA desta área da Galp disparou de 64 milhões em 2021 para 451 milhões no ano passado, em que a margem de refinação aumentou de 3,3 dólares por barril de petróleo ou equivalente (boe) para 11,6 dólares por boe. “A margem de refinação da Galp aumentou […] na sequência do forte ambiente de refinação internacional e apesar do aumento dos custos com energia e licenças de emissão de CO2 [dióxido de carbono]”, explica a Galp.

Passando à área comercial, a Galp ainda beneficiou da recuperação da atividade económica depois das restrições da Covid-19. A empresa diz que a venda de produtos petrolíferos aumentou 14% em 2022 graças a uma maior procura quer dos consumidores, quer das empresas. Apesar da “recuperação gradual pós-pandemia”, a Galp já notou um arrefecimento do negócio no final do ano passado. O EBITDA desta área aumentou 4%, para 298 milhões de euros.

Em 2022, a Galp investiu 1.265 milhões de euros, dos quais metade em produção e exploração. As renováveis e novos negócios representaram 32% deste valor e as atividades downstream, a última parte da cadeia de valor, representaram 15%. A 31 de dezembro de 2022, a Galp registava uma dívida líquida de 1.555 milhões de euros, uma diminuição de 802 milhões face ao mesmo dia do ano prévio.

Depois da divulgação destes dados, as ações da Galp enfrentam volatilidade na bolsa de Lisboa. Os títulos já estiveram a subir 2,30% bem como a cair quase 2%, mantendo-se acima dos 12 euros por ação.

Cotação da Galp em Lisboa

(Notícia atualizada pela última vez às 8h14)

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