Mesmo com injeção, prejuízos dos hospitais EPE do SNS pioraram em 2022

"Todas as entidades públicas empresariais do SNS analisadas registaram resultados líquidos negativos" em 2022, indica o Conselho das Finanças Públicas. Retoma após pandemia e inflação pesaram.

Os resultados das entidades públicas empresariais (EPE) integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) agravaram-se em 2022 com a retoma após a pandemia e com a subida da inflação, atingindo no total um saldo negativo de 1,3 mil milhões de euros, de acordo com o relatório do Conselho das Finanças Públicas (CFP) divulgado esta quarta-feira. Isto apesar do Governo ter avançado com uma injeção extraordinária nos hospitais do SNS no final desse ano.

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“Todas as EPE do SNS analisadas registaram resultados líquidos negativos, num total agregado negativo de 1,3 mil milhões de euros”, lê-se no relatório sobre o setor empresarial do Estado. Este valor representa um agravamento de 169 milhões face a 2021.

Os resultados das EPE do SNS “agravaram-se com a retoma da atividade assistencial após a pandemia, pela subida acentuada da inflação e, em menor expressão, pela redução da receita, por via das taxas moderadoras”, explica o CFP. O organismo adianta ainda que “mais de metade das 42 EPE do SNS apresentaram capitais próprios negativos no final de 2022”.

O CFP salienta ainda “que entre as cinco EPE do SNS que registaram um menor prejuízo estão as ex-PPP (Parcerias Público Privadas) do Hospital de Braga (-1,9 milhões de euros) e do Hospital de Vila Franca de Xira (-5,8 milhões de euros)”.

Estes resultados deram-se mesmo depois de em dezembro de 2022 o Governo ter avançado com uma injeção extraordinária de 1.022 milhões de euros nos hospitais do SNS para pagamento a fornecedores externos. Tem sido habitual este tipo de injeções extraordinárias no SNS, mas o CFP já tinha sinalizado num relatório do ano passado que o montante das injeções a partir de 2017 (quando se tornaram mais significativas) “foi incapaz de contribuir para a redução estrutural da dívida do SNS”.

No final de 2023, o Governo também fez injeções financeiras que totalizaram os 1.200 milhões de euros no SNS para diminuir o volume dos pagamentos aos fornecedores.

Esta situação dos hospitais do SNS não é nova. Já em 2019 o CFP tinha alertado que os contratos celebrados pelo Estado com os estabelecimentos de EPE para o SNS são “economicamente desequilibrados”, já que preveem, logo à partida, prejuízos operacionais. Na ligação contratual entre as EPE e o Estado, os indicadores económico-financeiros têm-se “deteriorado ao longo dos anos, representando aumentos da dívida, caso o Estado não efetue aumentos de capital estatutário regulares e significativos como forma de cobrir prejuízos acumulados que são, algo paradoxalmente, previstos à partida”, notava o CFP.

Apenas um terço das empresas tiveram lucro

Apesar deste resultado das EPE integradas no SNS, é de salientar que as empresas não financeiras do SEE melhoraram o resultado, ainda que continuem a “demonstrar um desequilíbrio económico, com um resultado líquido negativo de 1,2 mil milhões em 2022, implicando a necessidade de reforços de capital por parte do acionista público para evitar a deterioração da situação financeira e patrimonial das empresas”.

Já as empresas financeiras, excluindo a participação da Parpública na Efacec, conseguiram obter um desempenho positivo com um resultado líquido de 867 milhões. “Este desempenho foi fortemente impulsionado pelo Grupo Caixa Geral de Depósitos, o maior do SEE, que beneficiou do contexto favorável das taxas de juro”, explica o CFP.

Mas num balanço geral, “apenas 33 das 87 empresas (ou grupos de empresas) alcançaram resultados líquidos positivos em 2022, num total de 441 M€ (27 empresas em 2021). As restantes 54 registaram prejuízos de 1,6 mil M€ (dos quais 162,5 M€ decorrentes da TAP SGPS, a empresa a registar o maior prejuízo)”. A saúde é também das grandes responsáveis por este resultado, sendo que esse setor foi o que acumulou mais prejuízos em 2022, “representando cerca de 80% do resultado líquido negativo do SEE daquele ano”.

Como um todo, verificou-se um crescimento do valor acrescentado bruto do setor empresarial do Estado em 43,6%, que segundo o organismo passou a representar aproximadamente 4,0% do PIB nacional em 2022.

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