Territórios ucranianos anexados são “inegociáveis” para a Rússia. Zelensky vai à cimeira de líderes da UE

  • Lusa
  • 11:16

Rússia anexou a Crimeia em 2014 e, já depois de ter invadido a Ucrânia há três anos, também as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia, embora não controle a totalidade destes territórios.

A Rússia reafirmou esta quinta-feira que a anexação dos territórios ucranianos é inegociável, apesar de não reconhecida pela Ucrânia e a generalidade da comunidade internacional, numa altura em que se intensificam esforços para resolver o conflito.

“Os territórios que se tornaram súbditos da Federação Russa estão consagrados na Constituição do nosso país, são parte integrante do nosso país”, disse o porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, citado pela agência francesa AFP.

A Rússia anexou a Península da Crimeia em 2014 e, já depois de ter invadido a Ucrânia há três anos, as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia, embora não controle a totalidade destes quatro territórios.

“Isto é absolutamente indiscutível e inegociável”, insistiu, na sequência de comentários do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que a Rússia terá de fazer concessões nas negociações de paz.

Na primeira reunião do seu gabinete, na quarta-feira, Trump disse que o Presidente russo, Vladimir Putin, terá de fazer concessões durante as negociações.

Também garantiu que Washington vai ajudar Kiev a “recuperar o máximo [de território] possível”, embora tenha admitido que será complicado, segundo a agência espanhola EFE.

Zelensky vai à cimeira extraordinária de líderes da UE

Entretanto, está já confirmado que o presidente da Ucrânia vai estar presente na reunião extraordinária do Conselho Europeu, em 6 de março. O anúncio foi feito esta manhã pelo presidente da instituição, António Costa.

“Convidei o Presidente [Volodymyr] Zelensky a estar presente em Bruxelas por ocasião do Conselho Europeu para discutir os últimos desenvolvimentos [na guerra]”, escreveu António Costa na carta endereçada aos representantes de cada país da União Europeia (UE).

A cimeira extraordinária de líderes da UE vai começar pelas 12:30 locais (11:30 em Lisboa) e haverá uma “discussão com o Presidente Zelensky durante o almoço”. “Depois vamos concentrar-nos na defesa europeia, e na discussão sobre a Ucrânia”, acrescentou o presidente do Conselho Europeu (ex-primeiro-ministro de Portugal).

No que diz respeito à Ucrânia, “há um novo ímpeto, que tem de levar a uma paz compreensiva, justa e duradoura”, alegou.

Por isso, os líderes dos 27 Estados-membros da UE necessitam de compreender “como é que podem apoiar ainda mais a Ucrânia” e os “princípios que tem de ser respeitados daqui para a frente”, referiu António Costa.

Os líderes da UE reuniram-se na quarta-feira de manhã por videoconferência para conhecer os detalhes do encontro entre o Presidente de França e o homólogo dos EUA, na segunda-feira.

António Costa convocou na terça-feira esta reunião por videoconferência para preparar uma cimeira extraordinária, na próxima semana, com o objetivo de enfrentar a alteração de postura da Casa Branca. O encontrou realizou-se no dia do terceiro aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia e foi a principal questão abordada.

Imagens transmitidas do encontro entre os dois presidentes mostraram Donald Trump a dizer que todo o apoio da UE à Ucrânia foi feito sob empréstimos com Macron a corrigir o homólogo dos EUA.

“Na realidade, pagámos 60% do esforço total e foi, tal como fizeram os EUA, com empréstimos e subvenções, providenciámos dinheiro real. Esta guerra custou-nos, a todos, muito dinheiro, e é responsabilidade da Rússia, porque o agressor é a Rússia”, disse o chefe de Estado francês.

Emmanuel Macron é o primeiro líder da União Europeia a visitar os Estados Unidos da América desde a tomada de posse de Trump, numa altura em que Washington e Moscovo iniciaram negociações preliminares para um cessar-fogo na Ucrânia e um eventual acordo de paz, em reuniões que excluíram a União Europeia e o país invadido.

Depois de responsabilizar a Ucrânia pela invasão da Federação Russa, que começou em 22 de fevereiro de 2022, Donald Trump disse, na segunda-feira, que espera uma visita de Volodymyr Zelensky para fechar um acordo sobre a partilha das receitas sobre os minerais ucranianos.

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