BRANDS' TRABALHO Bem-estar e crescimento dos colaboradores: “As empresas que não acompanharem esta tendência correm o risco de perder talento para organizações que já incorporam esta visão”
Rui Reis, Diretor Executivo da Mind Source explicou como auscultar as equipas e colocar as pessoas no centro da estratégia tem ajudado a performance da empresa.
Quem mergulhe nos arquivos do site oficial da Great Place To Work e recuar até 2011 vai encontrar uma marca que desde esse ano não mais deixou de estar no ranking das melhores empresas onde se trabalhar em Portugal. O palmarés de distinções da Mind Source neste contexto não deixa de impressionar, bastando olhar para os últimos anos, a começar por 2024, em que foi a nº1 na lista Best Workplaces de IT em Portugal, integrou o Top 15 dos BestWorkplaces Wellbeing e a lista BestWorkplaces Europe, e continuando para o ano corrente, no qual foi vencedora dos BestWorkplaces Portugal 2025 na categoria de empresas de entre 201 e 500 colaboradores.
Um olhar mais atento aos statements oficiais da empresa, em sites e redes sociais, revela que a palavra “pessoas” vem quase sempre antes de “clientes” ou de “comunidade”, e que é feita regular referência a uma cultura de valorização do reconhecimento e das oportunidades de desenvolvimento e crescimento profissional. Os prémios e posicionamento da Mind Source quase fazem desta empresa de serviços e soluções tecnológicas especializada em projetos de consultoria e outsourcing de IT, uma autoridade no que toca a lidar com equipas, a começar pelos seus mais de 201 colaboradores.
No seu discurso de receção da distinção de BestWorkplaces 2025, em evento realizado a 26 de março último, no Convento do Beato, em Lisboa, Carlos Seguro de Carvalho, Founder e Partner da Mind Source, agradeceu aos colaboradores: «são eles que fazem a diferença, no dia-a-dia, no companheirismo e na familiaridade.» Dias depois deste reconhecimento no âmbito da iniciativa da Great Place To Work, Rui Reis, Diretor Executivo da Mind Source, explica a cultura voltada para as pessoas que a empresa faz questão de preconizar.
Em que medida tem sido importante compreender o que os colaboradores pensam e sentem para a empresa saber responder às expectativas das equipas?
Na Mind Source, acreditamos que as pessoas são o nosso maior ativo. Compreender o que move os nossos colaboradores ajuda-nos a antecipar necessidades, adaptar estratégias e fortalecer a nossa proposta de valor como empregador. Seja através da melhoria das condições de trabalho, do desenvolvimento profissional ou da promoção de um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional, estamos constantemente a ajustar a nossa abordagem para garantir equipas motivadas e alinhadas com a visão da Mind Source.
A importância de questionarmos o que os colaboradores pensam tornou-se cada vez mais evidente com a mudança de paradigma do trabalho. As prioridades das pessoas mudaram, e uma nova geração integra o mercado de trabalho com expectativas muito diferentes, incluindo a crescente adoção do trabalho remoto. Isto tem um impacto significativo na forma como lideramos, comunicamos e promovemos o envolvimento das nossas equipas.
Não podemos assumir que sabemos o que as pessoas querem, porque a única coisa que sabemos ao certo é que o que querem está a mudar profundamente os fatores externos que nos envolvem – desde o trabalho remoto e os nómadas digitais até às alterações climáticas, a situação geopolítica mundial e a evolução das expectativas em relação ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Auscultar as equipas permite-nos criar um ambiente onde todos se sentem valorizados e motivados, o que, por sua vez, impacta diretamente a produtividade, a inovação e a retenção de talentos. Investimos em canais abertos de comunicação porque sabemos que expectativas mal compreendidas levam a desafios organizacionais evitáveis.
"Investir nas pessoas é sempre o melhor caminho”
Das características apontadas pelas empresas participantes na iniciativa da Great Place To Work, quais as que se aplicam mais ao caso da Mind Source?
O estudo levado a cabo pelo Great Place To Work é para nós uma ferramenta muito útil que nos permite olhar para “dentro” mas também compararmo-nos com outras empresas nacionais de dimensão semelhante ou do mesmo setor. O estudo promove a partilha de boas práticas entre as empresas e mostra que existe um ecossistema de empresas que aspiram continuamente a serem melhores para os seus colaboradores. Esta troca de experiências inspira-nos a elevar constantemente os nossos padrões e reforça a nossa convicção de que investir nas pessoas é sempre o melhor caminho.
A iniciativa da Great Places to Work reforça a importância destes princípios e valida algo que há muito faz parte da nossa cultura: colocar as pessoas no centro da estratégia empresarial.
A cultura de escuta ativa e de ação baseada no feedback das equipas é um dos pilares da nossa gestão. Não vemos a auscultação das equipas como um processo pontual, mas sim como um hábito contínuo que nos permite melhorar constantemente. Acreditamos que só conseguimos evoluir enquanto empresa se ouvirmos e compreendermos o que realmente importa para os nossos colaboradores. Além disso, promovemos um ambiente onde as pessoas se sentem seguras e motivadas para inovar, partilhar ideias e crescer profissionalmente. Sabemos que colaboradores felizes e comprometidos são mais produtivos e criam valor não apenas para a empresa, mas também para os nossos clientes e parceiros.
Na Mind Source acreditamos que um ambiente profissional seguro, motivante e centrado nas pessoas é a base de qualquer organização de sucesso.
Associam a performance aos níveis de felicidade das equipas ou existem outros fatores a destacar?
Sem dúvida, acreditamos que existe uma forte correlação entre a felicidade das equipas e a sua performance. Colaboradores felizes estão mais motivados, colaboram melhor e, naturalmente, entregam melhores resultados. No entanto, a performance organizacional é um conceito multifatorial e não depende apenas do bem-estar das equipas.
Para além da felicidade, destacamos outros fatores fundamentais, como a clareza de objetivos e propósito, liderança inspiradora, oportunidades de desenvolvimento, reconhecimento do mérito e a existência de processos e ferramentas eficientes que permitam às equipas trabalharem com foco e impacto. Não é ao acaso que 98% dos colaboradores da Mind Source afirma que a Mind Source disponibiliza formação que aumenta a sua valorização profissional e também 98% afirma que existe facilidade em contactar e dialogar com a liderança.
A felicidade, por si só, não se traduz em performance elevada se não for acompanhada de desafios estimulantes, um ambiente de confiança e uma cultura que promova a autonomia e a responsabilidade.
Além disso, a cultura de feedback e melhoria contínua também desempenha um papel essencial. Não basta que os colaboradores se sintam felizes no ambiente de trabalho; é crucial que se sintam valorizados, tenham espaço para crescer e percebam o impacto do seu trabalho na organização. Por isso, na Mind Source, trabalhamos para criar um equilíbrio entre o bem-estar e a exigência, garantindo que as nossas equipas não só se sintam bem, mas também tenham os meios e a inspiração necessários para alcançar o seu máximo potencial.
A participação e reconhecimento em rankings como o “Melhores Lugares Para Trabalhar” ajuda a empresa a posicionar-se melhor na competição por talento, pelo simples facto de valorizar a cultura organizacional que coloca os colaboradores em primeiro lugar?
A participação e o reconhecimento em rankings como o “Melhores Lugares Para Trabalhar” têm, sem dúvida, um impacto real na atração e retenção de talento. Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, os profissionais procuram empresas que valorizam as pessoas, promovem um ambiente saudável e oferecem oportunidades reais de crescimento.
Quando alguém está à procura de um novo desafio profissional, naturalmente que quer mudar para melhor. Quem não quer encontrar uma empresa que coloca os colaboradores em primeiro lugar? E quem não quer integrar uma organização que investe ativamente no seu desenvolvimento, através de formação, certificação especializada e oportunidades reais de progressão?
O facto de sermos considerados a Melhor Empresa para Trabalhar em Portugal pelo Great Place To Work não é apenas um título, é um selo de credibilidade, que valida os nossos esforços e nos posiciona como um empregador de referência. Uma coisa é sermos nós a dizer que somos uma excelente empresa para trabalhar e outra coisa é vir uma entidade internacional certificada, que conduz um estudo meticuloso interno e que atesta que, de facto, temos as práticas de bem-estar e de promoção de bom ambiente que dizemos que temos.
Mais do que um reconhecimento externo, encaramos esta participação como uma ferramenta estratégica para avaliar e melhorar continuamente o nosso ambiente de trabalho. Permite-nos obter insights valiosos sobre o que estamos a fazer bem e onde podemos evoluir, garantindo que a nossa cultura não só é atrativa para novos talentos, mas também continua a motivar e inspirar aqueles que já fazem parte da equipa.
No final, o verdadeiro impacto está no dia a dia: uma empresa onde as pessoas se sentem valorizadas e felizes tem naturalmente melhores resultados e maior capacidade de atrair os melhores profissionais.
"Hoje, é mais evidente que empresas que colocam os colaboradores no centro da sua estratégia tendem a ter melhores resultados – não apenas em produtividade, mas também em inovação, retenção de talento e reputação no mercado”
Sente que em Portugal há mais empresas a investirem no bem-estar e crescimento dos seus colaboradores por saberem que outras que já o fazem tendem a ter melhores resultados?
Sim, temos sentido uma mudança positiva em Portugal, com cada vez mais empresas a investirem no bem-estar e crescimento dos seus colaboradores. Há uma maior consciência de que o sucesso sustentável das organizações passa inevitavelmente pela valorização das pessoas.
Hoje, é mais evidente que empresas que colocam os colaboradores no centro da sua estratégia tendem a ter melhores resultados – não apenas em produtividade, mas também em inovação, retenção de talento e reputação no mercado. Este reconhecimento tem levado outras empresas a seguir o exemplo, criando um efeito positivo no ecossistema empresarial.
Além disso, o próprio mercado de trabalho está a pressionar essa mudança. Os profissionais estão mais exigentes na escolha dos seus empregadores, procurando não só boas condições salariais, mas também ambientes onde possam sentir-se ouvidos e valorizados, crescer, e equilibrar a vida pessoal e profissional. As empresas que não acompanharem esta tendência correm o risco de perder talento para organizações que já incorporam esta visão.
Por isso, vemos com bons olhos este crescimento da cultura de bem-estar e desenvolvimento dos colaboradores. Quando mais empresas adotam esta abordagem, mais o mercado se torna competitivo e as oportunidades para os profissionais melhoram, o que beneficia toda a economia e sociedade.
"Criar um ambiente onde todos se sentem ouvidos, valorizados e motivados para trabalhar em conjunto é essencial, independentemente do setor ou da faixa etária das equipas”
Considera que o facto de as empresas de IT serem compostas por equipas mais jovens torna mais fácil promover uma cultura de colaboração do que em outros setores onde a média de idades dos colaboradores é mais alta?
Acreditamos que a cultura de colaboração não depende da idade das equipas, mas sim da mentalidade e dos valores promovidos dentro da empresa. No setor de IT, onde as equipas tendem a ser mais jovens, a adoção de práticas colaborativas pode ser mais natural, uma vez que muitos profissionais já cresceram num ambiente digital, habituados a ferramentas de trabalho remoto, metodologias ágeis e dinâmicas de partilha de conhecimento. No entanto, equipas mais jovens podem também trazer desafios específicos à colaboração quando o trabalho é maioritariamente remoto. Há toda uma nova geração a integrar o mercado de trabalho que não vivencia a aprendizagem do ambiente profissional por osmose. Antes, muito do conhecimento e da cultura empresarial eram absorvidos informalmente no dia a dia do escritório, através da interação com colegas mais experientes. Hoje, é necessário um esforço consciente para recriar esse processo, garantindo que os novos talentos se integrem bem e desenvolvam competências de colaboração eficazes, mesmo à distância.
Por outro lado, isto não significa que seja mais difícil promover a colaboração com equipas mais experientes. Pelo contrário, quando existe uma cultura organizacional bem definida, que incentiva o trabalho em equipa, a diversidade de idades pode ser uma grande vantagem. Equipas intergeracionais combinam diferentes perspetivas, experiências e abordagens à resolução de problemas, o que pode enriquecer ainda mais a inovação e a produtividade.
O verdadeiro desafio não está na idade, mas sim na forma como a empresa fomenta a colaboração. Criar um ambiente onde todos se sentem ouvidos, valorizados e motivados para trabalhar em conjunto é essencial, independentemente do setor ou da faixa etária das equipas.
Por isso, na nossa empresa, apostamos em iniciativas que estimulam a cooperação, o conhecimento partilhado e o espírito de equipa, garantindo que a colaboração seja um elemento central da nossa cultura, seja qual for a composição geracional das nossas equipas.
Conheça aqui o perfil da Mind Source.
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