Solargik traz a Portugal suportes para painéis solares que rendem mais e ‘trepam’ montanhas 

A empresa israelita participou em cinco projetos solares em Portugal, mas espera expandir a presença no país instalando parques em terrenos irregulares, como montanhas.

A Solargik é uma empresa do setor da energia solar que trabalha sobretudo na sombra dos painéis. A empresa israelita desenhou, e agora fabrica e comercializa, a estrutura que sustenta os painéis que permite que se movam melhor para captar os raios solares, em conjugação com um software.

Esta estrutura é mais pequena e leve que as desenvolvidas pelos seus pares, o que permite menores custos, assim como um melhor aproveitamento do terreno e da luz solar, além da instalação em lugares improváveis como montanhas, refere a empresa, que participou em cinco projetos em Portugal e tem nove em desenvolvimento.

Por cá, a capacidade solar está a disparar. Só no ano passado foram instalados 1,77 gigawatts (GW). O objetivo é ascender até aos 20 GW até 2030, segundo o Plano Nacional de Energia e Geologia. “Isso significa que temos de ser capazes de instalar em cada vez mais sítios, e precisamos de ferramentas que nos permitam fazê-lo em lugares que anteriormente eram impossíveis”, defende o responsável comercial da Solargik, Mo Horowitz, em entrevista ao ECO/Capital Verde.

Parque solar com estruturas da Solargik no Estado de Nevada, nos EUA.

O mesmo responsável indica que a empresa consegue instalar painéis em terrenos com declives de até 30%, uma capacidade que a maioria dos operadores concorrentes não possui ao dia de hoje. “A maior parte do interesse e dos projetos em que estamos a trabalhar [em desenvolvimento] com empresas portuguesas são para esses terrenos difíceis”, indica, já que isto permite aos promotores usar terrenos “que mais ninguém quer comprar”, pelo que podem ser “muito mais baratos”.

A Solargik está presente em Portugal desde 2023 e conta, para já, com cinco projetos concluídos — um dos quais ainda não é público e nove em desenvolvimento, num total de capacidade de 390 megawatts.

O objetivo da empresa israelita é ter 10% a 15% da quota de mercado nacional no que diz respeito à capacidade solar instalada até 2030, assumindo que é atingida a meta dos 20 gigawatts.

Contudo, aponta para já uma parceria com a Akuo para um projeto em Alcobaça, que serve de piloto para a introdução de painéis solares em zonas de cultivo de maçã. Também construiu de mãos dadas com a Ecoinside um parque em Évora, no município de Montemor-o-Novo, na barragem de Minutos, que permite à barragem alimentar as necessidades energéticas com autoconsumo.

Trabalha ainda com a Smartwatt, numa central no Roxo que passa sobre o principal canal de distribuição de água, e com a Sotecnisol, em Figueira de Cavaleiros. Um dos projetos cuja localização e parceiro prefere não revelar é agrovoltaico, e será anunciado em breve.

Estamos a fazer projetos-piloto especificamente centrados no agronegócio, em que as nossas estruturas estão a ser instaladas a quatro ou cinco metros do chão, acima de pomares e vinhas ou da agricultura”, afirma Horowitz, referindo-se ao projeto em Alcobaça, sublinhando que são “uma das poucas” empresas que constroem a esta distância do solo. Os agricultores podem obter um rendimento extra, ao mesmo que algumas culturas ganham proteção da exposição solar excessiva.

Em Portugal existe muito terreno plano, sobretudo no sul. Mas existe também o chamado “desafio da rede”, sublinha Mo Horowitz, indicando que nem sempre a rede chega onde está a produção: “Estamos a ajudar a trazer a produção para onde está o consumo”, diz.

A tecnologia da Solargik pode dar taxas de rentabilidade superiores à média do mercado, que gira em torno dos 8% a 10% de taxa de retorno interna (TIR), refere Mo Horowitz, responsável comercial da empresa.

Outra vantagem está num licenciamento mais simples: como os painéis se adaptam ao terreno são necessárias menos alterações que pudessem acarretar um dano ambiental, facilitando este processo, de acordo com o líder comercial da Solargik.

O objetivo da empresa israelita é ter 10% a 15% da quota de mercado nacional no que diz respeito à capacidade solar instalada até 2030, assumindo que é atingida a meta dos 20 gigawatts. “Não achamos que vamos dominar o mercado. Mas cremos que há uma necessidade muito relevante e, portanto, podemos chegar a essa quota”, pontua Horowitz.

Painéis otimizam espaço e movimento

Os painéis fotovoltaicos que são usados nos projetos em que a empresa israelita participa são dos mais comuns na indústria — são geralmente oriundos da China. A diferença e adaptabilidade é dada pelo facto de a Solargik optar por unir os painéis em blocos mais pequenos. “É como um lego. Se pegarmos em peças mais pequenas, podemos construir algo mais sofisticado” e otimizar a utilização do espaço, explica o responsável. Mesmo num terreno plano, esta solução é útil para aproveitar “todos os cantinhos”, onde estruturas maiores teriam dificuldade em caber, ou mesmo para contornar obstáculos, explica.

Num projeto recente, a Solargik explica que conseguiu acrescentar 10% de capacidade para a área disponível, em comparação com o que seria possível num projeto convencional. “Esses 10% podem, por vezes, ser a diferença entre um investidor avançar com o projeto ou não”, argumenta. No entanto, a empresa afirma que já conseguiu aumentar a capacidade de um terreno entre 30% a 40%.

Os blocos mais pequenos também permitem usar entre 20% a 30% de menos aço, face a tecnologias mais convencionais, sendo que este material é o principal custo de uma destas estruturas. O aço usado pela Solargik para os projetos portugueses é produção nacional, acrescenta Horowitz, embora peças mais pequenas, dos controladores aos sensores, ou seja, “o cérebro do sistema”, sejam importadas de Israel.

Em adição, a Solargik desenvolveu um software de controlo que tem capacidade de tomar decisões “contraintuitivas” — uma característica útil, mas não única, já que está a ser aplicada também por concorrentes, assume Horowitz. Em vez de a estrutura fazer mover os painéis para que se limitem a seguir o sol, o software sabe em que alturas não compensa encará-lo completamente, pois esse movimento pode criar sombras no painel adjacente. Os vários blocos trabalham então de forma coordenada para otimizar a produção solar do parque num todo.

Em situações de curtailment, isto é, quando a rede está congestionada e, portanto, não está a aceitar a entrada de mais energia, a solução comum é transformar a energia em calor. A Solargik programa para que os painéis se movam para produzirem menos energia quando esta não é necessária, prolongando a vida útil destes equipamentos.

Tendo em conta os vários “ajustes” e adequações ao terreno que os “legos” da Solargik permitem, Mo Horowitz afirma que esta tecnologia pode dar taxas de rentabilidade superiores à média do mercado, que gira em torno dos 8% a 10% de taxa de retorno interna (TIR). A empresa israelita permite subir essa percentagem para entre 12% a 15%, indica o líder comercial da empresa.

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