Menzies diz que injeção da TAP financiou programa de rescisões

Empresa de 'handling' aponta em comunicado perdas de 8,1 milhões de euros em 2024, menos de metade dos 19 milhões referidos nos resultados da TAP.

A Menzies Aviation, maior acionista da ex-Groundforce, afirma que os 5,5 milhões de euros injetados pela TAP serviram para financiar o programa de rescisões por mútuo acordo e não estão relacionados com dificuldades de tesouraria de curto prazo. Aponta ainda um resultado negativo muito inferior ao contabilizado pela companhia aérea.

A TAP colocou 5,5 milhões de euros em suprimentos na Menzies Portugal entre a segunda metade de 2024 e janeiro de 2025, como avançou o ECO, através da conversão de créditos em capital. A empresa de handling diz em comunicado que “o empréstimo dos acionistas é alocado exclusivamente ao programa de redução de pessoal acordado no plano de recuperação aprovado judicialmente e não está relacionado com necessidades de fluxo de caixa a curto prazo“.

Além da TAP, a britânica Menzies Aviation, que desde junho de 2024 tem 50,1% da antiga Groundforece (a companhia aérea portuguesa tem os restantes 49,9%), também injetou uma soma semelhante. O programa de redução de pessoal não teve, no entanto, o alcance previsto. Das 300 rescisões só 160 tinham sido acordadas até ao primeiro trimestre. Esta via foi entretanto suspensa, segundo os sindicatos, e avançou um despedimento coletivo de 10 trabalhadores.

A Menzies afirma ainda que “os resultados líquidos previstos para 2024 indicam uma perda estimada de cerca de 8,1 milhões de euros” na operação da SPdH, a designação societária da empresa. Uma soma que é menos de metade dos 19,13 milhões de prejuízos contabilizados no Relatório e Contas de 2024 da TAP.

A empresa justifica o resultado com a ocorrência de “vários eventos extraordinários e não recorrentes, no valor superior a 9 milhões de euros, relacionados com o cumprimento dos compromissos estipulados no plano de recuperação aprovado judicialmente, no memorando de entendimento e na implementação de acordos comerciais”. Diz também que, sem aqueles eventos extraordinários, os resultados “teriam sido positivos”.

A Menzies aponta também que “o plano de recuperação sofreu atrasos consideráveis devido a circunstâncias externas à SPdH, nomeadamente processos judiciais e outras restrições, o que exigiu ajustes”. Uma explicação semelhante à apontada pela TAP, quando questionada pelo ECO sobre o adiantamento de um pagamento superior a 1 milhões de euros feito à Menzies Portugal em janeiro.

No âmbito do plano de recuperação, a Menzies assinou um novo Acordo de Empresa e atualizações salariais no montante de cinco milhões de euros, com impacto nos custos com pessoal. O novo contrato com a TAP incorpora, a partir deste ano, um desconto comercial que pressiona as receitas, tendo em conta que a companhia aérea representa cerca de 70% do volume de negócios.

A empresa de serviços de assistência em escala termina o comunicado afirmando que “os acionistas da SPdH reiteram a sua total confiança na capacidade da equipa de gestão em executar o plano acordado e assegurar a recuperação definitiva da SPdH”.

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