“A contraproposta salarial é normalmente uma reação tardia”. Ouça o podcast “Trinta e oito vírgula quatro”

Os portugueses trabalham, em média, 38,4 anos. É esse o valor que dá título a este podcast que se debruça em entrevistas quinzenais sobre os temas mais quentes do mundo do trabalho.

Sílvia Nunes tem dúvidas sobre a eficácia de oferecer uma contraproposta salarial a um trabalhador que tenha sinalizado a vontade de sair de uma organização. No episódio desta semana do podcast “Trinta e oito vírgula quatro”, a diretora da Michael Page Portugal explica que “rapidamente” os motivos, que estavam a levar esse trabalhador a ponderar sair, regressam. Também neste episódio, o professor catedrático e autor José Soares reflete sobre como melhorar a performance sem sacrificar o equilíbrio pessoal.

“Se o motivo que me leva a sair é puramente financeiro, e há uma contraproposta que garante o mesmo nível financeiro e me faz ficar, a minha pergunta é: em quanto tempo é que isso esgota? Fico por uma questão financeira, seis meses depois já estou habituada a viver naquele novo patamar financeiro e o que é que acontece a seguir? A minha desmotivação era só por essa razão? A priori não sou a favor das contrapropostas por essa razão”, sublinha a responsável.

Por outro lado, Sílvia Nunes atira que as contrapropostas são, regra geral, “reações tardias”. “Se a minha organização até ao momento não foi capaz de acompanhar o aumento que acabou de referir, por que razão é que, no momento em que digo que vou embora, a organização tenta igualar a oferta que estou a receber? Portanto, eventualmente, já teria conseguido fazer isso antes”, afirma a diretora da Michael Page Portugal.

Neste cenário, a responsável deixa claro que, se pudesse mudar algo na forma como os salários são negociados em Portugal, reforçaria a verdade nessas conversas, garantindo que tal é a chave para um melhor alinhamento entre as expectativas dos dois lados da mesa (empregadores e candidatos).

Também neste episódio José Soares, professor catedrático da Professor catedrático de Fisiologia na Universidade do Porto e autor do livro “Upgrade”, reflete sobre a importância do bem-estar para o desempenho profissional. O especialista tem trabalhado com líderes de empresas como a Deloitte, Unilabs, BPI e Adidas, e atletas de alto rendimento, como o piloto Miguel Oliveira.

“Dou muitas vezes este exemplo. Sabemos tudo sobre o carro que vamos a conduzir. Mas não sabemos nada sobre quem o vai a conduzir. O meu primeiro passo é exatamente esse. É dar ferramentas às pessoas para se conhecerem a si próprias. Muitas vezes, é um choque“, conta o professor.

Já sobre o burnout, José Soares avisa que “uma coisa é estar cansado”, outra coisa é estar nesse ponto, apesar de se multiplicarem os relatos de burnout. “Acho que às vezes é um exagero nessa perspetiva. E tem um inconveniente: desvaloriza as pessoas que têm burnout mesmo“, declara.

O “Trinta e oito vírgula quatro” é um podcast de entrevistas quinzenais sobre as tendências que estão a fazer mexer o mercado de trabalho.

Estamos a viver mais, mas também estamos a trabalhar durante mais tempo. Numa década, a duração média estimada da vida de trabalho dos portugueses cresceu dois anos para 38,4. É esse o valor que dá título a este podcast e torna obrigatória a pergunta: afinal, se empenhamos tanto do nosso tempo a trabalhar, como podemos fazê-lo melhor?

Nesta temporada especial (de sete episódios, entre abril e julho), exploramos essa questão do ponto de vista dos rendimentos.

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