UE prepara novo pacote de sanções contra a Rússia para pressionar acordo de paz na Ucrânia, revela Costa
Reforçar as capacidades militares ucranianas e avançar com o processo de adesão do país à União Europeia são outras das medidas que estão a ser trabalhadas, adianta o presidente do Conselho Europeu.
A União Europeia (UE) já está a “preparar um 19.º pacote de sanções contra a Rússia” para “pressionar” um acordo de paz com a Ucrânia, adiantou esta terça-feira o presidente do Conselho Europeu, António Costa, a partir da representação da Comissão Europeia em Lisboa e depois de ter tido uma reunião por videoconferência com os líderes dos Estados-membros.
O encontro virtual e as declarações surgem um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter recebido na Casa Branca, em Washington, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o chanceler alemão, Friedrich Merz, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, o presidente de França, Emmanuel Macron, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, o chefe do governo britânico, Keir Starmer, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte. António Costa não esteve presente nesta reunião.
“O que a UE pode fazer para credibilizar e apoiar os esforços de paz de Trump? Primeiro, reforçar a pressão sobre a Rússia avançando na preparação dos 19.º pacote de sanções por forma a garantir que mantemos a pressão para a Rússia parar a guerra”, indicou o também ex-primeiro-ministro de Portugal.
“Em segundo lugar”, elencou, a UE deve “desbloquear a facilidade europeia para a paz de forma a reforçar as capacidades militares da Ucrânia”. António Costa salientou que “a base das garantias de segurança será sempre as forças armadas da Ucrânia”, no entanto, cabe à Europa “reforçar a sua capacidade”.
E, “finalmente”, a UE deve “avançar com o processo de alargamento, visto que o futuro da Ucrânia não são só medidas de segurança é também a perspetiva de estabilidade, de desenvolvimento e de prosperidade que o acesso à UE assegurará”, frisou.
“É nestas dimensões que trabalhamos e que creio que teremos ao longo das próximas semanas muito trabalho para a frente. Estamos num ponto difícil, crítico, mas nada está garantido”, sublinhou perante os jornalistas.
António Costa defendeu que mais do que palavras o que é preciso é que “a guerra pare”, que “acabe a destruição sobretudo de vidas”. “Estamos há mais de três anos com uma guerra constante, se chamamos acordo de paz ou cessar-fogo o que é importante é que as mortes terminem e que as negociações sejam bem-sucedidas“, reforçou.
O presidente do Conselho Europeu destacou que o trabalho entre as várias instâncias internacionais está a ser feito em “diferentes formatos”. Mas “quem tem os pés no terreno, quem está na linha da frente são as forças armadas ucranianas que têm feito um trabalho heroico”.
“É o exército europeu mais bem preparado para uma ação de combate efetiva”, destacou. Relativamente ao papel dos EUA, “será sempre uma ação de suporte para garantir que um futuro acordo de paz não tem o mesmo destino dos anteriores acordos com a Rússia e para esta paz seja não só justa como efetiva e duradoura“, afirmou.
Sobre se acredita num acordo entre a Rússia e a Ucrânia, António Costa disse que “pouco importa qual o estado de espírito”. O que interessa é saber “quais os factos”, salientou. Nesse aspeto, lembrou que “Trump já transmitiu que, depois de um contacto que teve com Puttin, havia a possibilidade de uma reunião bilateral”, entre os presidentes russo e ucraniano, “e esse é em si um facto positivo, porque, até recentemente, Putin nunca aceitou essa possibilidade”.
“Todos temos trabalhar para que essa possibilidade e se torne realidade e avançar para uma reunião trilateral entre Puttin, Zelensky e Trump e depois com a Europa”, vincou. “Depois de três anos e meio de guerra”, Costa congratulou-se com o facto de “a atividade diplomática” estar “a acelerar”.
“Agora há uma dinâmica crescente em dar garantias de segurança para um acordo de paz e a Europa está pronta para cumprir, para pormos em prática uma garantia de paz”, rematou.
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